Descobertos, Explorados e Abandonados, por Luiz Gustavo Pacete de Lima
Descobertos, Explorados e Abandonados, por Luiz Gustavo Pacete de Lima
A causa indígena sempre foi motivo de análises, estudos e preocupações. Pensadores como Darcy Ribeiro, Roberto DaMatta e Marilena Chaui tornaram-se referências nesse assunto. Foram responsáveis por estudar tendências e comportamentos das etnias. Além do choque cultural atualmente o povo indígena vive inúmeros problemas, principalmente nas aldeias que foram classificadas por Darcy Ribeiro como PERMANENTES (Tribos com perda de autonomia sócio-cultural, completa dependência da economia regional e sérios problemas sociais).
Um dos mais graves problemas é a desnutrição infantil. Segundo o Governo Federal, na aldeia Amambai, localizada no Mato Grosso do Sul, 19% das crianças pertencentes à etnia Kaiuá estão desnutridas e outras 18% em risco nutricional. A mortalidade infantil chegou a 96,47 por mil nascidos vivos. A bebida é outro sério agravante. Outra dificuldade encontrada pelo índios é o choque-cultural; a nova geração de jovens se vislumbra com a tecnologia e sonha em encontrar uma vida diferente fora das aldeias, o que pode gerar trágicas consequências. Inclusive no que diz respeito a questão da integração. Resultando em um alto índice de uso de drogas.
Atualmente a região sul do Mato Grosso do Sul tem recebido apoio da ONG paulistana G. A. T. I (Grupo de Apoio às Tribos Indigenas), fundada em 2003 pelo empresário e presidente da ONG Pedro Mariano Gomes. O G.A.T.I realiza duas viagens semestrais às tribos. O objetivo da ONG como o próprio nome diz é dar apoio às tribos locais, mesmo sabendo que a resolução dos problemas sociais estejam longe de ser uma realidade. Tanto o fundador como a equipe sabem que não é possivel mudar a situação somente com os esforços de um grupo de voluntários mas acreditam que o trabalho além de amenizar o sofrimento das pessoas da região desperta a preocupação e serve como exemplo para as futuras lideranças indígenas representando o início de um grande projeto.
O trabalho da organização consiste na distribuição de cestas básicas, brinquedos, roupas e almoço. Monta-se na aldeia uma estrutura para atender desde cuidados de enfermagem, corte de cabelo até tratamento contra piolhos. As viagens são realizadas duas vezes ao ano. Profissionais da área da saúde, ensino e outras funções como cozinheiros mobilizam-se para trabalhar no projeto. Socialmente há muito o que ser feito por esse povo que foi descoberto, explorado e abandonado. A voluntária Siméia de Azevedo que realizou sua primeira viagem relata como foi a experiência: "uma oportunidade de sentir o quanto esse trabalho faz diferença na vida dessas pessoas".
Sem uma mobilização intensa do governo, terceiro setor e das entidades governamentais não será possivel resolver a questão indigena. Questão que consiste em adaptá-los num novo contexto preservando seus traços culturais. Trabalhos como esse incentivam entidades governamentais, outros voluntários e as prefeituras regionais. A última visita realizada pelo G.A.T.I nos dias 10,11,12 e 13 de outubro contou com a presença do prefeito de Amambai Sérgio Barbosa que se mostrou disposto a apoiar o trabalho. Os objetivos futuros são a viabilização de uma cultura de subsistencia incentivando a agricultura.
*Luiz Gustavo Pacete de Lima é estudante de jornalismo das Faculdades Integradas Alcântara Machado. Para entrar em contato, envie um e-mail para .






