“Desaprender para reaprender”, por Marcelo Molnar
Antes restritos a instituições com grandes conjuntos de dados, a descentralização da Inteligência Artificial Generativa (IAG), permitiu que
Opinião
O paradoxo do conhecimento é que ele nos traz mais dúvidas. Há tempos somos estimulados a buscar mais informações, a desvendar mistérios e a resolver problemas. O desenvolvimento científico estimula nossa espécie desde os primórdios da história humana. Por gerações, os pais colocam o futuro e a felicidade dos seus filhos na formação acadêmica, como se fosse a solução para uma vida plena e satisfatória. O aprendizado sempre se apresentou como um processo acumulativo. Mas, infelizmente, não nos ensinaram a desaprender. O desafio atual não está em criar ou acumular, mas na capacidade de desaprender para reaprender.
um conjunto amplo de empresas e indivíduos interagisse com modelos de aprendizado profundo, como o ChatGPT (modelo de inteligência artificial criado pela OpenAI, para conversar com as pessoas de modo natural), para a geração de conteúdo. A aura ilusionista e nossa tendência a antropomorfizar máquinas têm levado muitos a considerarem que esses sistemas já são inteligentes e sencientes. Acredito que estamos muito longe disso, mas os avanços são surpreendentes e inquestionáveis. Um dos pontos pouco discutidos é se nós, humanos, estamos manipulando ou sendo manipulados pelos algoritmos?
Com a evolução da IAG, a confusão entre o que é informação e conhecimento parece sobreposto. O ChatGPT criou um verdadeiro frenesi, até mesmo para aqueles que não acompanham profundamente o assunto. Alguns já apostam que esta tecnologia substituirá os mecanismos de busca. Imagine que, se ao invés de sermos direcionados para vários sites com as respostas para as nossas perguntas, elas já nos aparecessem prontas na tela, mais completas do que esperávamos, com sugestões criativas, no mesmo instante, construídas utilizando centenas de trilhões de parâmetros disponíveis. Esta e outras promessas são esperadas para o lançamento da linguagem de processamento natural GPT-4, a base do ChatGPT.
Mas não vamos nos esquecer de que as coisas não são mágicas. São tecnologias com grandes potencialidades, mas também com grandes questões éticas a serem discutidas. Quando pensamos em máquinas inteligentes, precisamos lembrar que existem diversas formas de inteligência. Algumas projeções futuristas apontam para um futuro cataclísmico, onde nós humanos seremos simplesmente substituídos, com o fim dos empregos e destruição de fonte de renda das famílias. Não podemos aceitar esse destino.
Guardadas as devidas proporções, no início da industrialização, no século XVIII, ocorriam diversas análises e debates parecidos. O uso de máquinas no campo tirou o sono de muitos lavradores e agricultores da época. Afinal, foram séculos e séculos em que a labuta da terra ocupou uma parte significativa da população existente. Resistências e negacionistas não faltaram, mas aqueles que se adaptaram a nova ordem social e econômica foram beneficiados. Muitos sofreram até que limites e regras fossem criados para banir os abusos inevitáveis.
O ser humano, graças a sua constituição psíquica, mental, espiritual e física, é um ser adaptável a todas as mudanças e situações em que a vida o coloca. Os profissionais da comunicação têm presenciado momentos desafiadores e complexos, não só no que diz respeito ao exercício das atividades, bem como ao que podemos chamar de responsabilidade. O acesso facilitado ao meio de distribuição de dados facilitou a manipulação das informações pela técnica da repetição. Mais do mesmo. O grande volume de estímulos nos ocupou e nos fez perder o interesse no obrigatório exercício da reflexão. Precisamos sair desta armadilha.
Para que possamos permanecer no topo da cadeia intelectual, devemos parar de nos preocupar apenas em acumular e criar conteúdo, seja na forma de texto, áudio, imagem, vídeo, código ou gráfico. A IAG fará isso com velocidade e em quantidade. Devemos ocupar o papel de certificadores de qualidade. Assim como no passado, precisamos aprender a dirigir os tratores e não em competir com eles. O aprendizado não pode e não deve ficar limitado ao período acadêmico. A nova realidade nos impõe a reaprender todos os dias. É preciso estarmos na direção das novas tecnologias e não na infundada e cansativa fuga de sermos atropelados por elas.
* é formado em Química Industrial, com pós graduação em Marketing e Publicidade. Experiência de 18 anos no mercado da Tecnologia da Informação, atuando nas áreas comercial e marketing. Diretor de conteúdo em diversos projetos de transferência de conhecimento na área da publicidade. Criador do processo ICHM (Índice de Conexão Humana das Marcas) para mensuração do valor das marcas a partir de sua relação emocional com seus consumidores. Coautor do livro "O segredo de Ebbinghaus". Atualmente é Sócio Diretor da Boxnet.





