“Desafio do crossmedia é conseguir combinar diversos meios”, diz presidente do IVC

“O grande desafio do crossmedia é conseguir combinar diversos meios com visibilidade. Só teremos uma solução mais realista quando essa conversão migrar para o ambiente digital.

Atualizado em 28/11/2013 às 18:11, por Gabriela Ferigato.

Isso não vai acontecer no ano que vem e esse desafio vai continuar”. Essa é a conclusão feita pelo presidente do IVC (Instituto Verificador de Circulação), Pedro Silva, durante o UpDate-se, fórum de mensuração de mídia promovido pelo instituto, que ocorreu nesta quinta-feira (28/11), em São Paulo (SP).

Crédito: Pedro Silva, Alessandro Fonseca e Youssef Mourad
De acordo com o presidente, as marcas que já estão presentes em multiplataformas começam a enxergar possibilidades e a entender como são vistas em diferentes meios. Um exemplo dessa interação foi apresentado por Alessandro Fonseca, Senior Territory Manager para Digital Publishing Suite da Adobe Brasil. O executivo citou o caso da ação “Capture o momento”, lançamento do automóvel Captur da Renault.
A iniciativa aconteceu em diversas mídias, como hotsite, aplicativos para iOS e Android, além de um concurso no Instagram. O processo durou quatro semanas e, entre os resultados alcançados, o aplicativo ficou em quarto lugar entre os mais baixados na Apple Store; somou três milhões de page views e mais de 20 mil downloads. “Tudo o que acontecia em cada mídia foi medido no detalhe, isso é importante para nos comunicarmos cada vez mais com o consumidor e entender o papel de cada plataforma”, opinou Fonseca.
Porém, segundo Youssef Mourad, CEO da Digital Pages, muitos veículos, ao apresentar a possibilidade de anúncios interativos, vendem isso como se fosse algo novo, específico e separado de todo o resto. “Quando uma revista de grande circulação apresenta para o mercado um inventário específico para o digital, ela passa a ideia de novidade e acreditamos que existe uma possibilidade excludente. Como se uma coisa nova pudesse ocupar o valor de uma antiga. Isso aconteceu com vários veículos. O case da Renault contou com peças ótimas, mas provavelmente não gerou o mesmo resultado financeiro de uma veiculação em revista de grande circulação de três anos atrás. Os meios digitais são, antes de tudo, novos canais de distribuição”, ressaltou Mourad.
Ainda sobre o universo digital, o CEO da Digital Pages acredita que a métrica de audição GRP, muito discutida no mercado, não ajuda os jornais e revistas, pois essas publicações têm um histórico de coexistência com outros meios. Portanto, antes de pensar em GRP, é necessário pensar em audiência total.

Para Mourad, hoje o cliente tradicional tem um novo comportamento, que resulta em uma mudança de atitude. “Quem consumia um veículo impresso, quando compra a versão para Ipad quer pagar menos na assinatura. O mesmo acontece com anúncio. Mesmo sabendo que a qualidade pode até ser superior, o cheque não tem o mesmo valor. Essa crise do mercado deveria fazer as empresas olharem para dentro. O valor da marca projeta valor no conteúdo, consequentemente nas campanhas”, completou Mourad.