Derrota de Bolsonaro impulsionou violência contra jornalistas, indica relatório da Abert

Em conjunto com a Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura), a Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert) divulgou hoje o relatório anual "Violações à Liberdade de Expressão".

Atualizado em 10/05/2023 às 15:05, por Redação Portal IMPRENSA.

Segundo o estudo, os casos de violência física contra jornalistas subiram 38% no Brasil em 2022.
Além de ameaças, agressões e ataques perpetrados por apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro, o levantamento destacou os assassinatos do jornalista Dom Phillips, na região do Vale do Javari, no Amazonas, e do comunicador Givanildo Oliveira da Silva, em Fortaleza. Crédito:Marcelo Camargo/Agência Brasil Evento de lançamento do relatório anual Violações à Liberdade de Expressão No total o documento apontou 137 casos de violência não letal, que atingiram pelo menos 212 profissionais de imprensa e veículos de comunicação. Já o volume de agressões físicas, consideradas a violência mais frequente no ranking deste ano, avançou de 34 para 47.
Socos, chutes e até pedradas

A maioria dos ataques registrados ocorreu após o segundo turno das eleições de 2022, durante a cobertura de atos golpistas contra a vitória do presidente Lula.
Na distribuição geográfica, mais de 60% das agressões foram registradas em estados do sudeste e sul. Profissionais de TV e repórteres dedicados à cobertura política foram os principais alvos.
Além de socos, chutes, empurrões, tapas e arranhões, jornalistas levaram pedradas, dentre outros tipos de violência.
O relatório também destacou casos de ofensas, intimidações, ameaças, vandalismo, importunação sexual, injúria, censura e até sequestro. Políticos e ocupantes de cargos públicos foram os principais autores de ofensas à imprensa.
Presidente da Abert, Flávio Lara Resende classificou os dados como "alarmantes". Já Marlova Jovchelovitch Noleto, diretora da Unesco no Brasil, salientou que é dever da sociedade garantir a segurança dos jornalistas.
O relatório também destacou as ofensas contra jornalistas mulheres, lembrando que Vera Magalhães foi chamada de "vergonha para o jornalismo brasileiro" por Bolsonaro, durante debate exibido na Band em agosto de 2022.
O relatório também apontou que 42 jornalistas foram assassinados no Brasil entre 2003 de 2022, número que coloca o país entre os mais perigosos da América Latina para profissionais de imprensa
Violência de gênero

Incluindo beijos não consentidos, mensagens anônimas e vídeos de cunho sexual, os casos de importunação sexual contra jornalistas também foram destacados no levantamento, com quatro episódios registrados, três deles contra jornalistas mulheres que faziam coberturas esportivas.
Nas redes sociais, o levantamento aponta que o ex-presidente Bolsonaro e seus apoiadores foram responsáveis por 1,32 milhão de ataques contra jornalistas. Embora tenha havido redução de 6% nesse tipo de violência em relação a 2021, o relatório aponta que a imprensa brasileira sofreu 3,6 mil ataques por dia nas redes.
O evento de apresentação do relatório também serviu de palco para a defesa da regulamentação das redes sociais e do PL das Fake News.