Depois de meses de estréia, TV digital não chega a um ponto no Ibope

Depois de meses de estréia, TV digital não chega a um ponto no Ibope

Atualizado em 09/06/2008 às 18:06, por Redação Portal IMPRENSA.

Depois de seis meses de sua estréia oficial, a TV digital no Brasil não atingiu um ponto no Ibope, ou seja, a recepção do sinal em televisores não chegou a 55 mil domicílios na Grande São Paulo.

Números obtidos com a Suframa (Superintendência da Zona Franca de Manaus) revelam que, de 2007 até abril deste ano, mais de 25 mil conversores - ou "set-top boxes" - foram fabricados na região. Os aparelhos são necessários para a recepção do sinal digital nas TVs.

"Quase a totalidade dos receptores vem de Manaus, por conta dos benefícios [fiscais]", afirma Roberto Franco, presidente do Fórum da TV digital. Hélio Rotenberg, presidente da empresa Positivo Informática, líder em vendas neste mercado, diz haver 20 mil famílias recebendo o sinal na Grande SP, no máximo. "Algo entre 10 mil e 20 mil", afirma.

Além de São Paulo, as cidades de Rio de Janeiro e Belo Horizonte também têm TV digital, mas a implementação começou há menos tempo.

Órgãos responsáveis pela inserção do novo sistema no país, como Ministério das Comunicações, Abert (Associação Brasileira de Rádio e Televisão) e Eletros (Associação Nacional de Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos), alegam não ter dados oficiais sobre adesão.

Ainda não há também o volume de compra de TVs com receptores digitais embutidos. No entanto, os aparelhos mais baratos deste tipo custam cerca R$ 6 mil e restringem, assim, o consumo. Já o conversor mais barato do mercado sai por R$ 499.

Além dos problemas que envolvem os preços dos conversores, o conteúdo transmitido pelas emissoras em alta definição é também limitado. Em São Paulo, o único canal que transmite toda sua programação em alta definição, sem contar horários alugados, é a RedeTV!.

Além do conteúdo, as promessas não cumpridas também ajudam no fracasso do sistema. O conversor popular de R$ 250, prometido desde antes do estréia, ainda não chegou. Tampouco a interatividade.

"A indústria não se preparou para vender o conversor, nem mesmo caro", afirmou o ministro das Comunicações, Hélio Costa.

Sobre a interatividade, Costa responsabiliza radiodifusores e até telespectadores: "A interatividade é uma coisa que depende muito mais do usuário, das emissoras de TV, das entidades que querem utilizar a interatividade, do comércio, das empresas, do que do governo. Não é uma responsabilidade do governo fazer a interatividade."

Já de acordo com Roberto Pinto Martins, secretário de Telecomunicações, a interatividade chega no ano que vem - "talvez no começo de 2009". O governo alega que um imbróglio envolvendo pagamento de royalties atrasou a formulação do sistema Ginga, responsável pela interatividade dentro do conversor.

As informações são da Folha Online.

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