Depoimentos de Ney Huberto, assessor da presidência da Embratur em Brasília e Rodrigo Pinto, sócio da agência Checklist, em São Paulo

Depoimentos de Ney Huberto, assessor da presidência da Embratur em Brasília e Rodrigo Pinto, sócio da agência Checklist, em São Paulo

Atualizado em 20/01/2011 às 14:01, por .



Ney Huberto, assessor da presidência da Embratur em Brasília

Dois veículos de turismo que sou fã e que dão as noticias em real time são a Panrotas e a Mercado & Eventos. Em termos de mídia aberta, acompanho O Globo, Folha de S.Paulo, Estado e portais. As revista do trade tentam fazer uma cobertura em tempo real, mas é impossível porque são mídias pequenas. Para ser nacional, precisaria de mais repórteres. Folha e Globo estão lá no tempo real. Com o Brasil recebendo Copa e Olimpíada, tinha que crescer essa representação. Esta tendo um entrocamento de agenda, várias coisas acontecendo ao mesmo tempo, cada um querendo segurar sua peteca de grande evento. Vão ter que crescer para o futuro, principalmente nas cidades reais. Além disso, a cobertura em tempo real precisa crescer em outros lugares do Brasil, porque a maioria das coisas acontece no eixo Rio-SP-Brasília, onde estão bem cobertos.

A pauta de infra-estrutura está faltando. Estados têm investido sobremaneira para receber turista em 2014 ou em 2016, mas está faltando uma divulgação do que cada governo anda fazendo em estrutura e mão de obra. Há, sim, matéria diuturnamente bombardeando, dizendo que ninguém está fazendo nada. Mas existem comitês em todas as cidades sedes. O Ministério do Turismo esta trabalhando de maneira super efetiva para isso.

O que falta mesmo é ter boas assessoria de comunicação para divulgar o que está sendo feito e o que está tendo retorno. As assessorias poderiam ter um comitê de organização que fosse divulgando para dentro e para fora do Brasil o que se tem feito. Falta uma força conjunta; centralizar esforços para a promoção internacional do Brasil, com continuidade e vontade de promover o país de forma integrada.

A gente depende da mídia para tudo. Um veículo de transmissão de seus pensamentos e ações existe exatamente pra passar sua ideia. Mas às vezes é muito deturpada, conta fatos para motivar a população a fazer uma análise diferente do que é realmente feito. No fundo, no fundo, confio, busco informações paro meu trabalho. Mas...

Para conversar sobre ingresso de turista estrangeiro no Brasil, temos que falarsobre mercado. Há falta de avião. Tem fila para comprar avião. A gente tem de promover outros portões de entrada no Brasil. Hoje, todo o Nordeste é coberto pela TAP, e tem voos diretos da Bahia para os EUA, de Brasília e até de Manaus também.

Rodrigo Pinto, sócio da agência Checklist, em São Paulo

Leio O Globo, Folha, Viagem & Turismo on-line, Guia 4 Rodas e a revista mensal da Lonely Planet. Eu acho que jornal fica muito voltado para vender anúncio. Os jornalistas estão sempre viajando na base do convite, via linha aérea Tal e resorte Não-sei-das-quantas, e já sai a propaganda de pacote para onde o jornalista foi... Fica uma coisa meio engessada e dependente de convites. Para fora, até entendendo, mas para dentro do Brasil acho ruim. No on-line é mais diverso, tem mais espaço para outros assuntos, viagem por temas, e a cobertura fica melhor, mais diversificada que nos jornais.

Hoje é mais fácil se informar sobre viagens, com esse monte de ferramenta de internet. Antes era muito difícil achar serviços e destinos sem ser num pacote. Você vai para Nova York e quer saber como sair do aeroporto por um preço bom, quais transportes usar lá, que lugares visitar, quais museus ou passeio. Já dá para sair daqui com tudo pré-agendado pela internet. Mas em jornais e revistas muitas vezes você fica preso a pacotes e esse tipo de informação, para quem quer se virar sozinho, não tem. Não fala, por exemplo, "pega o carro e vai para tal lugar que é legal". Só tem pacote pra Gramado etc. Hoje é possível fazer reserva de hotel, passeio, vôo, tudo on-line. Elas não estão mais presas ao modelo de viagem segura, pacote, agenda de atividades, nada. Não sei se é por demanda de anunciante ou se eles acham que não tem mercado. Acho que esse tipo de turista independente vai ser cada vez mais a regra e não a exceção.

Em São Paulo, por exemplo, está abrindo um monte de albergues, o que antigamente ninguém pensava. Esse tipo de viajante prefere outras coisas, prefere gastar em balada do que num puta hotel e em viagem empacotada. Em geral as matérias são válidas e interessantes, com o serviço das agências que levam onde comer e se hospedar. Mas acho que fica muito limitado aos pacotes. Às vezes sai uma nova linha aérea e é ótimo fazer a matéria tradicional, porque é das primeiras, mas há muito mais para divulgar.

Infra de aeroporto e de mão de obra qualificada são dois gargalos. Hotel, guia de turismo e pessoas que falem outros idiomas também estão muito devagar. Infra faz parte de um esquema que tem que escarafunchar fundo para ver qual é: os caras enrolam, contratam sem licitação porque é de urgência. Não vi muita cobertura disso. Falam muito dos estádios da Copa, mas de aeroporto está na sombra. Caderno de esportes fala direto dos estádios, mas num caderno de turismo deveria manter uma cobertura em cima do que está acontecendo de forma geral. Caderno de turismo até fala um pouco do problema de ampliação do aeroporto tal, da Infraero, mas não tem uma cultura de ficar em cima das licitações, qual político está metendo a mão e onde.