Depoimentos
Depoimentos
Doutor em ecologia e chefe geral da Embrapa Monitoramento por Satélite
"É impressionante como a cobertura ambiental tem opinião. O jornalista de política pode ter opção partidária, mas ele é muito profissional nisso. Agora na área ambiental não. O jornalista de meio ambiente já tem opinião formada e esse é um dos temas que não dá pra ficar contra. Ambiente, direitos humanos e das minorias são causas hoje que não pode ter oposição. Agora isso não quer dizer que você não possa fazer matérias de denúncias. Sou defensor do meio ambiente, da sustentabilidade, de procurarmos um modelo sustentável de desenvolvimento, sou a favor da conservação. Se estamos falando da cobertura, ela é realmente desequilibrada."
HIRAM FIRMINO
Diretor geral e editor da revista Ecológico
"As empresas hoje perceberam que sustentabilidade significa sobrevivência. Elas não são burras e querem sobreviver em um mundo que exige um mercado limpo. Na ECO-92 elas eram vilãs do meio ambiente, hoje não são mais. Hoje quem virou vilão do meio ambiente é o governo e a própria sociedade."
ALEXANDRE SPATUZZA
Editor da revista Sustentabilidade
"É difícil saber se quando uma Exame ou Veja coloca na capa a questão do meio ambiente está fazendo isso porque captaram que os leitores estão mais conscientes, se perceberam que é uma pauta importante ou se seria algo mercadológico."
CACO DE PAULA
Coordenador do projeto Planeta Sustentável
"A COP-15 vai ser um marco. Fazendo uma comparação pop ela é uma espécie de Woodstock do ambientalismo, mas não vai acabar em si mesma. Vamos ter algumas metas mas não vai estar tudo resolvido lá. Acho que vai se abrir uma agenda a partir de COP-15. Todos estão interessados nos seus desdobramentos."
GUSTAVO BONATO
Repórter do Canal Rural
"Se o debate não for na mídia, não vai ser em nenhum outro lugar. Acho que é um espaço mais amplo, aberto e dinâmico para acontecer esse debate. É na mídia que ele vai conseguir chegar a todo mundo."
PAULINA CHAMORRO
Coordenadora de meio ambiente e cidadania da rádio Eldorado
"Não dá para não tomarmos partido da questão ambiental e manter uma visão fria em relação aos passos, é uma coisa de futuro. Não dá para ter aquela isenção fria do jornalismo. Não quero entrar no ritmo de desilusão. Espero que saiam de COP-15 intenções reais de mudanças não só na parte ambiental, mas também na forma como estamos produzindo, vendendo produtos, negociando. A economia mundial tem que fazer uma mudança."
SILVIA DIAS
Diretora geral da Aviv Comunicação e representante da ONG Vitae Civilis
"Mídias sociais são uma das coisas mais fantásticas que aconteceram nos últimos tempos, porque permitem uma disseminação muito rápida das informações, de uma maneira muito democrática. Nunca vai substituir os veículos tradicionais porque ninguém está produzindo [notícias] nas mídias sociais, mas eu posso ter, por meio delas, uma repercussão muito maior de uma matéria."
MANUEL FRANCISCO BRITO
Diretor de comunicação da ONG Greenpeace
"O Greenpeace fez uma pesquisa entre os países chaves, que inclui Brasil, China, Índia, França, Estados Unidos, Inglaterra, que olhou [material publicado em] on-line, televisão, jornal, revista - só não em rádio - e que revelou, por exemplo, o espaço dedicado ao tema pela imprensa. Nos Estados Unidos e na Europa é muito semelhante ao que se publica aqui, sendo a única diferença um desvio a favor deles, já que lá tem muito mais estudos sendo produzidos do que aqui. O Brasil ocupou uma posição muito relevante nessa pesquisa porque são dos poucos países do mundo no qual a imprensa não se limitou a replicar a versão do governo. Ela fez um trabalhou grande de ouvir pessoas que tinham visões diferentes. Não assumiu direto a posição do que o governo estava dizendo."
DANIELA CHIARETTI
Repórter especial do jornal Valor Econômico
"Ninguém sabe qual o alcance efetivo a COP-15 terá. Se for apenas um acordo político, as decisões mesmo serão adiadas. Mesmo assim, este eixo de mudança climática entrou na cabeça das pessoas. Acho que o assunto entrará mais no planejamento urbano, na discussão da Amazônia e, sem dúvida, na campanha eleitoral do ano que vem. Aliás, já entrou."
RONIE LIMA
Assessor de imprensa do Ministério do Meio Ambiente
"Acho que a imprensa ainda peca, mas isso não tem a ver só com a cobertura de meio ambiente, por um viés muito negativista, muito crítico, muito denuncista. É claro que é importante criticarmos as coisas negativas, mas eu acho que diante da crise ambiental mundial, é cada vez mais fundamental que a imprensa perceba a importância de ela também começar a dar destaque para o aspecto propositivo e positivo. Começar a discutir ideias e projetos que já estão em discussão e que estão dando certo."
MILA MOLINA
Representante da ONG Artigo 19
"A própria Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas reconhece que o acesso à informação é um elemento fundamental nessa discussão. Ela reconhece a importância das pessoas conhecerem os efeitos para influírem nas políticas e elas próprias tomarem suas decisões de forma mais clara e consciente. Outra convenção, a de Aarhus, também estabelece, em âmbito europeu - mas reconhecida internacionalmente -, essa obrigação. No Brasil existe a Lei 10650 que também obriga os órgãos governamentais a divulgar informação." (Veja mais no link )






