Depoimento de Carlos Lacerda, diretor da Opção Turismo e Fretamento, no Rio de Janeiro.
Depoimento de Carlos Lacerda, diretor da Opção Turismo e Fretamento, no Rio de Janeiro.
A cobertura de turismo no Brasil acho que é muito solta, é uma coisa aqui, outra ali e deveria ter, em um país como o nosso, com climas europeus, pontos turísticos maravilhosos, praias paradisíacas, culinária diversificada. Isso deveria ser realmente explorado, não só internamente. O ministério faz alguma coisa, mas deveria ser para todos. Hoje vivo no Rio. Aqui, a gente sabe que há várias opções: Teresópolis tem coisas maravilhosas. Tem praias bonitas... Só que isso é regional e todos deveriam conhecer isso. A mesma condição que uma pessoa de São Paulo tem pra ir para Maresias, por exemplo, poderia ir pra uma praia dessas aqui no Rio.
Outra coisa é que a cobertura não divulga as facilidades do turismo. Hoje o turismo é muito acessível, antes só a elite viajava e hoje todas as classes têm condições disso. No Brasil a imprensa tinha que passar tudo, toda informação, para todos, de modo democrático. Informar mesmo, facilitar o acesso à informação e, no nosso caso, temos que apresentar opções. O país é uma maravilha para fazermos isso. A imprensa enaltece muito a violência em São Paulo, por exemplo. Os programas sensacionalistas só falando de assassinato, morreu, matou, e tem um espaço muito grande para os temas de violência e isso prejudica o turismo porque toda hora é isso. Você chega num hotel na orla de Copacabana ou Santos e só se está falando de drogas e de violência, aí você não quer mais passear no calçadão.
Por exemplo, em Curitiba, uma cidade muito visitada, tem índice de violência muito alto, que não é divulgado. E qual é a imagem de Santa Catarina e Curitiba? Trânsito bom, transporte público maravilhoso, cidades humanizadas, mas se você for ver a rotina de Curitiba, os congestionamento são grandiosos, a violência não perde para outras metrópoles, mas eles fazem um marketing bom porque enaltecem as qualidades da cidade, o clima. Vão falar que eu estou louco, mas quem conhece vai concordar. É papel do poder público, de divulgação.
Eu vejo alguns periódicos e a internet. Eu realmente procuro matérias. Como atuo com turismo rodoviário, acompanho movimentação de massa. Tenho que estar atento. Mas eu não acho que os setores de turismo sejam bem cobertos. São muito isolados. Não apresentam para o povo de modo geral e para o possível turista o leque de possibilidades. O jornalismo explora as coisas do estado ou da cidade. Cada um fazendo seu trabalho de formiguinha. Cobrem bem regionalmente.
As matérias poderiam apresentar essa facilidade que existem hoje de você comprar um pacote e não vai ter que se preocupar com mais nada. Mostrar que hoje você tem empresas aéreas que mantém uma regularidade, que já tem ônibus, motorista treinado, essa segurança. Temos que massificar, e divulgar isso em massa. Não existe isso. Não se fala que São Paulo é uma cidade eclética, que tem de tudo pra todos... A pauta tinha que ser mais diária. Turismo internacional tem mais destaque. Vejo matérias maravilhosas sobre o Chile, por exemplo, sobre o turismo estrangeiro. Eu não gosto de viajar pra fora, eu gosto de conhecer o Brasil, conheço 78% do território nacional, sou fã do Brasil.
Receptivo vai ficar lotado com Copa e Olimpíadas, então temos que ver outros hotéis, pousadas em Teresópolis, Nova Friburgo, onde as pessoas podem viajar por paisagens bonitas, além de conhecer o Rio e ser muito bem hospedado. Isso tem que ser divulgado. A pessoa pode ficar em Cabo Frio, Búzios e vir pros jogos, podemos mostrar essas opções e mostrar que vai ter estrutura e transporte para isso. Isso vai ajudar inclusive na organização do evento, para não virar o caos. Porque com informação dá pra se organizar, poder público, transporte e turismo. A imprensa tem que veicular notícias que divulguem essas condições. Hoje as estradas estão seguras, pedagiadas, ônibus de última geração, mais confortáveis que avião. Isso tem que tem ser divulgado. Diminuíram o número de acidentes nas estradas, as empresas têm investido muito nisso.






