Denúncias de jornalista da ESPN contra CBV serão encaminhadas à PF e ao MP

Lúcio de Castro é autor da série de reportagens "Dossiê Vôlei", que tornou públicas as denúncias.

Atualizado em 22/05/2014 às 11:05, por Redação Portal IMPRENSA.

A Comissão do Esporte da Câmara dos Deputados encaminhará à Polícia Federal e ao Ministério Público Federal as denúncias de desvio de dinheiro público na Confederação Brasileira de Voleibol (CBV) apresentadas pelo jornalista Lúcio de Castro, da ESPN Brasil. Conforme a acusação, o dinheiro viria de transferências do Ministério dos Esportes e do Banco do Brasil, patrocinador do vôlei brasileiro.
Crédito:Divulgação Jornalista (foto) apresentou denúncias contra a entidade em série de reportagens
De acordo com a Agência Câmara, o assunto foi debatido na última quarta-feira (21/5) na comissão. Os deputados avaliaram como muito grave as denúncias apresentadas pelo jornalista, que apontam contratos irregulares para desviar o dinheiro e licitações dirigidas. Os lucros seriam direcionados a empresas de funcionários e dirigentes do órgão.

As suspeitas de irregularidades nas administrações anteriores foram confirmadas pelo novo diretor de comunicação e marketing da entidade, o ex-jogador de vôlei Renan Dal Zotto, e o gerente-executivo do Banco do Brasil, José Avelar.
O deputado Arnaldo Jordy (PPS-PA), autor do requerimento, disse que a comissão também solicitará informações à Controladoria-Geral da União (CGU) e ao Tribunal de Contas da União (TCU) sobre os recursos públicos feitos nas entidades esportivas. O órgão também deverá realizar fiscalização em todas as outras confederações de esportes. Segundo o deputado, as demais entidades também apresentam sinais de irregularidades.
Renan dal Zotto disse que, frente aos indícios de que havia irregularidades em contratos, dirigentes foram afastados e foi realizada uma auditoria pela empresa Price Waterhouse. O resultado será analisado por advogados para orientar as providências a serem tomadas. Segundo ele, antes da análise legal, não há como acusar ninguém.
O jornalista Lúcio de Castro, autor da série de reportagens "Dossiê Vôlei", avalia que o controle de uma auditoria privada não é suficiente. "Você entrega o documento que você quiser para a auditoria. A questão é desenvolver mecanismos de controle que o Estado tem que ter se ele dá dinheiro público. Se ele dá dinheiro público a fiscalização não pode ficar por conta de uma auditoria", ponderou.