"Decisão do STF sobre diploma pode deixar vazio jurídico", diz membro do Conrerp em debate

"Decisão do STF sobre diploma pode deixar vazio jurídico", diz membro do Conrerp em debate

Atualizado em 11/08/2009 às 15:08, por Redação Portal IMPRENSA.

Em debate realizado no dia 28 de julho na Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP), o Conselho Regional de Profissionais de Relações Públicas São Paulo e Paraná (Conrerp 2ª Região) e a Associação Brasileira de Relações Públicas (ABRP) discutiram se "a decisão do Supremo Tribunal Federal referente ao diploma de jornalismo pode afetar de alguma forma a formação acadêmica e a regulamentação de Relações Públicas".

No dia 17 de junho, o STF decidiu, por oito votos a um, que o diploma de Jornalismo não é obrigatório para o exercício da profissão. Compuseram a mesa de discussões o presidente da Comissão de Direito na Sociedade da Informação da OAB-SP e consultor Jurídico do Conrerp 2ª Região, Dr. Luis Carlos Massoco; o diretor executivo da Abracom e membro do Sindicato Nacional das Empresas de Comunicação Social (Sinco), Carlos Carvalho; o fundador-presidente do grupo e do portal Universo RP e também diretor da Ketchum Estratégia, Flávio Schimidt, além da presidente do Conrerp, Elaine Lina de Oliveira e o presidente da ABRP, Luiz Alberto de Farias.

Para Luis Carlos Massoco, o cenário atual da Comunicação Social não mudou muito com a decisão do Supremo, e a área de RP nãos erá afetada. No entanto, ele afirmou que considera "equivocado afirmar que a profissão de jornalismo não tenha corpo técnico teórico suficiente e não vejo como aprender todas as suas especificidades apenas na prática - e isso se estende a todas as áreas das Ciências Sociais Aplicadas".

"Jornalismo ainda é uma profissão regulamentada. Ou seja, não é mais preciso ter diploma - mas ainda é preciso ter registro - e isso deixa um vazio jurídico que ainda deverá gerar muitas discussões nos tribunais", finalizou Massoco. Carlos Carvalho concordou com Massoco, e declarou que o curso de Jornalismo, e o de Comunicação Social como um todo, deveria se focar mais na formação humanista do profissional, muito mais do que técnica/operacional.

"O que precisamos dos cursos de Comunicação é que eles estejam cada vez mais preparados para formar profissionais de qualidade. Precisamos de um currículo mais amplo, mais humanista, menos técnico. É preciso privilegiar a capacidade intelectual na grade", afirmou o diretor executivo da Abracom.

Sobre a decisão do STF, Carvalho afirma que nada mudou para as agências. "Quando o empresário contrata, ele não pede o diploma. Isso há muito tempo não é importante para as agências. O que é importante é a formação, a qualidade do profissional - e o mercado continua exigindo sólida formação", disse.

O último debatedor, Flávio Schimitd, defendeu que a queda da exigência do diploma de jornalismo não tem qualquer impacto para a profissão de Relações Públicas. Para ele esse é um momento das Relações Públicas analisarem qual é o cenário daqui para frente, a partir dessa decisão do Supremo e da sua própria essência.

"Com o que os profissionais de Relações Públicas devem se preocupar diante desse cenário? Continuar metódicos em seus planejamentos, até tachados de 'chatos' em certos momentos, mas em sinergia com a essência de RP, ou perder sua identidade? Acreditamos que fazer relações públicas é a maneira certa, é o melhor para as entidades que nos contratam. Os Relações Públicas precisam se preocupar com essa identidade para não se perderem. Relações Públicas tem a essência do todo, é o todo da comunicação da organização e em função da tendência do planeta, os empresários irão buscar RP em sua essência", concluiu.

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