Debate sobre os rumos do jornalismo marca lançamento de livro "Vintenário", de Imprensa Editorial
Debate sobre os rumos do jornalismo marca lançamento de livro "Vintenário", de Imprensa Editorial
Atualizado em 20/02/2008 às 15:02, por
Ana Luiza Moulatlet e Marina Dias/Redação Portal IMPRENSA.
Por Na última terça-feira (19), a Imprensa Editorial lançou o livro "Vintenário - Duas décadas de IMPRENSA em revista". A obra, registro impresso que recuperou um material valioso, guardado em arquivos, permite que o leitor absorva um pouco dos últimos vinte anos da imprensa, já que "Vintenário" compila grande parte da história da revista IMPRENSA e do jornalismo brasileiro.
Para Paulo Nassar, diretor da Aberj e um dos colunistas da revista, o livro demonstra "como é importante registrar a memória de uma publicação que já é uma instituição".
Assim como afirma José Marques de Melo, também colunista de IMPRENSA, que se emociona ao falar do livro. "Para a minha geração, que viveu e acompanhou todos esses momentos, é muito importante resgatar esses vinte anos. Não é qualquer revista que tem vinte anos. É o milagre brasileiro", finalizou.
De acordo com Sinval de Itacarambi Leão, editor e diretor responsável da IMPRENSA, o livro não é apenas uma coletânea de textos e imagens, "mas um recorte, ainda que incompleto, do que os jornalistas e as empresas de comunicação representaram nas últimas décadas". Ao citar o escritor francês André Malraux, que dizia que a "arte é aquilo que resiste à morte", Sinval sintetizou o significado da reunião de textos e entrevistas que sobreviveram à ação do tempo.
O mundo sem jornalismo
Para comemorar o lançamento do livro, o evento, que aconteceu no Itaú Cultural, contou com a presença do músico Tom Zé, da vereadora Soninha e do presidente da Fundação Padre Anchieta, Paulo Markun, em um debate com um tema provocante: "Como seria um mundo sem jornalismo?".
Questionamentos sobre os novos rumos da imprensa marcaram a conversa. Markun considera que "vivemos numa época em que a imprensa ainda não sabe que caminho seguir por causa das novas tecnologias, como a internet e os telefones celulares". Elas aumentam as opções de maneiras de fazer e transmitir a notícia, embora "a imprensa parecida com a tradicional ainda tenha uma importância muito grande, apesar da queda da audiência".
A disseminação de mídias não-tradicionais provoca fenômenos ainda desconhecidos para as pessoas. Como exemplo, Markun citou a candidatura do democrata Barack Obama à Presidência dos Estados Unidos e a eleição do deputado Fernando Gabeira, ambas concretizadas pela internet.
Sobre a pergunta inicial, Markun responde que acha "difícil um mundo sem jornalismo, mas muito provável um mundo sem jornalistas como a gente conhece", acenando para as novas formas de comunicação, como os blogs: "É preciso lembrar que os principais blogs brasileiros são colunas de jornalistas na internet. A preocupação de contar uma história persiste; a grande questão é como ela vai se contada".
As facilidades conquistadas com a tecnologia são indiscutíveis para Soninha, apesar da falta de "liberdade" da imprensa: "A tecnologia dá a facilidade de acesso à informação e a sua produção. Mas eu sinto saudades de repórteres e reportagens de rua. Hoje, a mídia pauta a mídia. Ligamos o rádio de manhã, e eles estão falando sobre as notícias do jornal, que foram pautadas pela internet. Tudo que fazemos é baseado no que alguém disse".
Lembrando sua infância em Irará, na Bahia, Tom Zé referiu-se ao jornal que publicou na cidade na adolescência: "Eu me senti muito importante por causa desse jornalzinho, fui tratado como cidadão ilustre. Isso exemplifica o poder que a imprensa exerce".
Poder que faz com que Soninha não deixe de dar entrevistas, apesar de já ter passado por situações delicadas com jornalistas. Ela lembrou a entrevista dada à revista Época em 2001, quando afirmou ser usuária de maconha. A enorme repercussão não fez com que a vereadora se arrependesse da entrevista, mas o fato de sua afirmação ter saído na capa da revista causou transtornos. "Mas eu não aprendo, continuo falando com jornalistas".
Novos desafios
O desafio de hoje para o jornalismo, é "saber como determinados padrões, aqueles bons, que não precisam de manual - como a ética do cidadão comum, pregada por Cláudio Abramo - vão se propagar por novas mídias", disse Markun. "O que acabou não foi o jornalismo, mas o modo de produção. E aí, como se estabelecem os parâmetros, aqueles que nós aprendemos no berço, com nossos pais?", indagou o jornalista.
Mas essas novidades não são necessariamente ruins, afinal, "até quando vou ficar pensando no futuro sem conhecer o presente?", afirmou Tom Zé. O momento que a imprensa vive, em que "grandes jornais estão sendo processados por uma Igreja, que por sinal é dona de uma emissora de televisão, nos faz questionar a liberdade de imprensa e a censura. Pensar que novas formas de comunicação estão surgindo dão um ânimo pra gente", declarou Markun.
E "Vintenário", uma fotografia de como pensa quem faz jornalismo no Brasil e o perfil dessas pessoas, ajuda a entender a imprensa, e todas essas mudanças e questionamentos vividos pelos jornalistas e pelos meios de comunicação.

Para Paulo Nassar, diretor da Aberj e um dos colunistas da revista, o livro demonstra "como é importante registrar a memória de uma publicação que já é uma instituição".
Assim como afirma José Marques de Melo, também colunista de IMPRENSA, que se emociona ao falar do livro. "Para a minha geração, que viveu e acompanhou todos esses momentos, é muito importante resgatar esses vinte anos. Não é qualquer revista que tem vinte anos. É o milagre brasileiro", finalizou.
De acordo com Sinval de Itacarambi Leão, editor e diretor responsável da IMPRENSA, o livro não é apenas uma coletânea de textos e imagens, "mas um recorte, ainda que incompleto, do que os jornalistas e as empresas de comunicação representaram nas últimas décadas". Ao citar o escritor francês André Malraux, que dizia que a "arte é aquilo que resiste à morte", Sinval sintetizou o significado da reunião de textos e entrevistas que sobreviveram à ação do tempo.
O mundo sem jornalismo
Para comemorar o lançamento do livro, o evento, que aconteceu no Itaú Cultural, contou com a presença do músico Tom Zé, da vereadora Soninha e do presidente da Fundação Padre Anchieta, Paulo Markun, em um debate com um tema provocante: "Como seria um mundo sem jornalismo?".
Questionamentos sobre os novos rumos da imprensa marcaram a conversa. Markun considera que "vivemos numa época em que a imprensa ainda não sabe que caminho seguir por causa das novas tecnologias, como a internet e os telefones celulares". Elas aumentam as opções de maneiras de fazer e transmitir a notícia, embora "a imprensa parecida com a tradicional ainda tenha uma importância muito grande, apesar da queda da audiência".
A disseminação de mídias não-tradicionais provoca fenômenos ainda desconhecidos para as pessoas. Como exemplo, Markun citou a candidatura do democrata Barack Obama à Presidência dos Estados Unidos e a eleição do deputado Fernando Gabeira, ambas concretizadas pela internet.
Sobre a pergunta inicial, Markun responde que acha "difícil um mundo sem jornalismo, mas muito provável um mundo sem jornalistas como a gente conhece", acenando para as novas formas de comunicação, como os blogs: "É preciso lembrar que os principais blogs brasileiros são colunas de jornalistas na internet. A preocupação de contar uma história persiste; a grande questão é como ela vai se contada".
As facilidades conquistadas com a tecnologia são indiscutíveis para Soninha, apesar da falta de "liberdade" da imprensa: "A tecnologia dá a facilidade de acesso à informação e a sua produção. Mas eu sinto saudades de repórteres e reportagens de rua. Hoje, a mídia pauta a mídia. Ligamos o rádio de manhã, e eles estão falando sobre as notícias do jornal, que foram pautadas pela internet. Tudo que fazemos é baseado no que alguém disse".
Lembrando sua infância em Irará, na Bahia, Tom Zé referiu-se ao jornal que publicou na cidade na adolescência: "Eu me senti muito importante por causa desse jornalzinho, fui tratado como cidadão ilustre. Isso exemplifica o poder que a imprensa exerce".
Poder que faz com que Soninha não deixe de dar entrevistas, apesar de já ter passado por situações delicadas com jornalistas. Ela lembrou a entrevista dada à revista Época em 2001, quando afirmou ser usuária de maconha. A enorme repercussão não fez com que a vereadora se arrependesse da entrevista, mas o fato de sua afirmação ter saído na capa da revista causou transtornos. "Mas eu não aprendo, continuo falando com jornalistas".
Novos desafios
O desafio de hoje para o jornalismo, é "saber como determinados padrões, aqueles bons, que não precisam de manual - como a ética do cidadão comum, pregada por Cláudio Abramo - vão se propagar por novas mídias", disse Markun. "O que acabou não foi o jornalismo, mas o modo de produção. E aí, como se estabelecem os parâmetros, aqueles que nós aprendemos no berço, com nossos pais?", indagou o jornalista.
Mas essas novidades não são necessariamente ruins, afinal, "até quando vou ficar pensando no futuro sem conhecer o presente?", afirmou Tom Zé. O momento que a imprensa vive, em que "grandes jornais estão sendo processados por uma Igreja, que por sinal é dona de uma emissora de televisão, nos faz questionar a liberdade de imprensa e a censura. Pensar que novas formas de comunicação estão surgindo dão um ânimo pra gente", declarou Markun.
E "Vintenário", uma fotografia de como pensa quem faz jornalismo no Brasil e o perfil dessas pessoas, ajuda a entender a imprensa, e todas essas mudanças e questionamentos vividos pelos jornalistas e pelos meios de comunicação.






