Debate sobre a responsabilidade de cada um na luta contra o HIV encerra Fórum AIDS

O painel “Mobilização da sociedade civil no combate à AIDS” encerrou o 2º Fórum AIDS e o Brasil nesta quinta-feira (27/11), abordando c

Atualizado em 27/11/2014 às 18:11, por Jéssica Oliveira.

O painel “Mobilização da sociedade civil no combate à AIDS” encerrou o 2º Fórum AIDS e o Brasil nesta quinta-feira (27/11), abordando casos de engajamento social que demonstram o potencial e a responsabilidade de cada um na luta contra o vírus. Participaram Georgiana Braga Orillard, diretora do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS – UNAIDS , Pedro Furtado, roteirista do longa “Boa Sorte”, da Conspiração Filmes, e Valdir Cimino, presidente da Associação Viva e Deixe Viver. Crédito:Reprodução Georgiana Braga, Pedro Furtado e Valdir Cimino com Thaís Naldoni, gerente de conteúdo de IMPRENSA Organizado por IMPRENSA, em parceria com a Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) e o Ministério da Saúde, o evento foi transmitido ao vivo pela internet e contou com participação dos internautas que enviaram perguntas pelo chat.

Segundo Georgiana, dados da UNAIDS de agosto de 2014 apontam que houve 7% de aumento de óbitos no Brasil, em parte porque as pessoas que se tratam há muito tempo estão morrendo, mas principalmente porque elas não estão se tratando a tempo. Uma das soluções que ela aponta é o trabalho em conjunto da sociedade civil com a mídia para trazer o tema ao debate, partindo, por exemplo, das novidades que podem ajudar no diagnóstico e tratamento da doença.

"O Brasil tem um desafio muito grande pelo tamanho e complexidade do país. De um lado tem uma resposta médica fantástica, excelente, com testes sanguíneos e orais fabricados no Brasil distribuídos pelo SUS e ONGS, mas ao mesmo tempo existe muita discriminação. Apesar do sistema estar pronto, muita gente está morrendo sem saber que tem o vírus. A mídia tem um papel importante a cumprir", afirma.
Para Cimino, uma das principais falhas da imprensa no processo de evitar uma epidemia é não falar da doença constantemente. " A mídia presta um desserviço quando ela não olha esses assuntos que são muito importantes para a sociedade. A mídia tem que encontrar meios e criar artimanhas para impactar e sensibilizar o público ".
Ainda segundo ele, é preciso trabalhar com as famílias e outros grupos da sociedade para trazer o tema à luz e falar dele abertamente. "Nos hospitais, às vezes, vê-se crianças que estão lá fazendo o tratamento e não sabem o que nem porque estão fazendo. Temos literatura, manuais etc, mas existem os conflitos, os paradigmas da sociedade, da família em não falar", explica.

Roteirista do filme , que estreia hoje e tem uma personagem com HIV, Furtado destacou o papel da ficção abordar o tema, aproximando o assunto das pessoas. " Apesar de ter uma personagem com HIV, o filme tem outros elementos, ele é só mais um. O jovem tem milhões de interesses, se esse assunto estiver misturado com outros, naturalmente vai entrar. Outra coisa importante são as pessoas que dão depoimento, mostram a cara. Estatísticas às vezes ficam muito distantes".