Debate aponta que a vocação do veículo impresso é investir na qualidade

Qual é a vocação do jornal impresso em tempos de multiplataformas? Esta foi uma das questões que permeou o debate entre Fernanda Santos, do&

Atualizado em 13/09/2012 às 15:09, por Kátia Zanvettor.

Qual é a vocação do jornal impresso em tempos de multiplataformas? Esta foi uma das questões que permeou o debate entre Fernanda Santos, do New York Times , Lourival Sant´Anna, de O Estado de S. Paulo e Carlos Eduardo Lins da Silva, do Projor, no VI Painel de Diálogos VI “A vocação Informativa e os caminhos para o futuro”.

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Fernanda Santos abriu o debate pontuando que não considera a presença das novas mídias como produtos que estão em relação adversária ao jornalismo impresso “Vejo como uma evolução, as novas mídias não representam a morte do jornal, mas representam um processo de redefinição”, afirmou.


Crédito:Alf Ribeiro Painelista discutiram os rumos do jornalismo impresso


Lourival Sant’ Anna, de O Estado de São Paulo , continuou a reflexão apontando que ao estudar sobre a perspectiva do jornal impresso percebeu que, quando os leitores recebem os jornais, eles já sabem dos acontecimentos e esperam do jornal impresso não dados do acontecimento e sim uma reflexão analítica. “Análise não é mais opinião, análise é uma interpretação a partir dos fatos e dos acontecimentos no qual além dos dados você pode implicar um olhar sobre o acontecimento”, afirmou Sant’Anna.

Carlos Eduardo Lins da Silva, do Projor, pontuou que a discussão sobre o fim do jornalismo imprenso não é uma discussão nova e que envolve muita opinião e pouca“materialidade”. “Uma das formas de pesquisa empírica é pela história e a história demonstrou que uma nova mídia não acaba com a outra, mas muda, como é o caso do rádio depois do surgimento da televisão”.

Para o jornalista, o que falta é uma visão na administraçãodos donos de jornal. “Em invés de lidar com a presença da Internet reformulando seus modelos de negócios, eles resolvem os problemas cortando custos e demitido jornalistas”, afirmou.

O debate, mediado por Vinicius de Mota, secretário de redação da Folha de S. Paulo , continuou com a participação do público. A conversa foi permeada pela importância de no novo cenário o jornalismo investir na qualidade da produção textual e da formaçãodos jornalistas, essencial para um jornal impresso mais analítico do que apenas factual.