De Buenos Aires: Luis Zamora, líder da ultra-esquerda argentina, critica o trabalho da imprensa no seu país

De Buenos Aires: Luis Zamora, líder da ultra-esquerda argentina, critica o trabalho da imprensa no seu país

Atualizado em 20/09/2005 às 11:09, por Renato Barreiros e  de Buenos Aires.

No próximo dia 23 de outubro, os argentinos vão às urnas para renovar o poder legislativo em todas as províncias do país. Esse pleito será uma prova de fogo para o presidente Néstor Kirchner, que trava uma intensa luta com o ex-presidente Eduardo Duhalde pelo controle do Partido Justicialista, que está no poder.
O atual presidente argentino, que, ao contrário de Lula, conta com altos índices de popularidade, e seu grupo político conta com o apoio da grande maioria dos veículos de comunicação do país. A partir de hoje, IMPRENSA apresenta uma série de reportagens e entrevistas com os principais personagens do embate eleitoral que se aproxima. Começamos com uma entrevista exclusiva com o deputado Luis Zamora, o mais alto representante da ultra-esquerda no país. Seu partido, "Autodeterminação e Liberdade", equivale ao P-SOL, de Heloísa Helena. Acompanhe:


Imprensa - Como o senhor avalia a cobertura que a imprensa argentina vem fazendo sobre as campanhas legislativas?
Zamora - Os quatro principais grupos de comunicação do país apóiam o governo. Então fica difícil conseguir espaço... A campanha do grupo de Kirchner aparece muito mais que as outras. Os ditos "sucessos do governo" têm conquistado as principais manchetes, enquanto as críticas praticamente não aparecem. É como se elas não existissem.

Imprensa - Algumas publicações, como a revista Notícias , denunciaram que o presidente Kirchner controla os meios de comunicação através da publicidade oficial. O que o senhor acha disso?
Zamora -
Acredito nisso. Tenho certeza disso. A possibilidade de oposicionistas aparecerem nestes veículos (patrocinados por publicidade oficial) é muito limitada. Não existe imparcialidade na mídia argentina.

Não existe imparcialidade na mídia argentina

Imprensa - Como o senhor avalia a cobertura que a mídia argentina tem feito sobre a crise política no Brasil?
Zamora -
A cobertura tem sido ampla, principalmente na mídia impressa, mas muito cuidadosa. Os jornais têm evitado as manchetes sobre o Lula para evitar que se crie um juízo negativo. Eles querem que Lula termine o mandato.

Imprensa - Como o senhor avalia o atual momento do governo brasileiro?
Zamora - Eu fiquei muito surpreso com a rapidez com que o PT se decompôs. Nunca pensei que algo assim poderia acontecer tão rapidamente. Um partido com tanta história, tantos militantes... Como pôde acontecer tão rápido?