Davilym Dourado busca seu "momento decisivo" entre trabalho autoral e fotojornalismo

Davilym Dourado busca seu "momento decisivo" entre trabalho autoral e fotojornalismo

Atualizado em 02/09/2009 às 18:09, por Ana Luiza Moulatlet/Redação Portal IMPRENSA.

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Documental. Assim Davilym Dourado descreve seu trabalho autoral. Fotógrafo do jornal Valor Econômico , ele afirma que seu foco é o registro da vida urbana. "Gosto muito de retrato, e a ideia é fazer documentação, nem sempre como uma crítica social. Às vezes, o documental traz alguma crítica, porque ela é inerente, mas gosto de fazer apenas um registro dos grupos sociais".

Apesar de não ser possível fazer esse tipo de trabalho no dia-a-dia, Davilym tenta imprimir sua marca nas imagens feitas para o jornal. "Dentro do que é esperado de você, é possível imprimir em algum momento traços pessoais no trabalho", diz.

Segundo ele, as imagens publicadas no jornal diário não mostram o real, e sim um conceito estético. "Você tem que construir uma imagem dentro de um padrão editorial, transformar em alguma coisa real o que já está no imaginário das pessoas".

Davilym Dourado

"Meu papel dentro de um ambiente que muitas vezes é constante, sempre o mesmo, é ser criativo dentro dos limites possíveis. As pessoas fotografadas para o Valor não estão acostumadas a vender imagem, e sim a vender um produto. tenho que mostras para elas que meu trabalho é bom, transmitir segurança. O personagem é que dá a foto. Se ele fizer isso, você tem que construir a foto".

A trajetória profissional de Davilym começou em 1999, quando foi para Nova York estudar na ICP (International Center of Protography). Em 2001, fez um curso de Fotojornalismo no Senac, e entre 2002 e 2003 trabalhou na revista IstoÉ . Até 2006, foi freelancer, quando entrou no Valor Econômico .

Davilym Dourado

No ensaio publicado no Portal IMPRENSA, o fotógrafo quis mostras as pessoas que frequentam a rua Augusta, na região central de São Paulo. Escolhidas pela aparência, suas imagens têm o objetivo de mostrar o que essas pessoas representam para a sociedade. "A foto é uma representação dela mesma e uma representação para a sociedade. O importante é o que a pessoa representa, não o que ela é como indivíduo", explica.

Para ele, fazer esse tipo de trabalho permite que o fotógrafo tenha tempo para pensar sobre a foto e preparar a foto. "Estou atrás de uma linguagem, e para encontrá-las vou atrás de antigas tecnologias".

Davilym Dourado

Tive um insight, pensando no "momento decisivo" do Cartier-Bresson [fotógrafo francês]. Na foto digital, você clica mais, mas o proveitamento nem sempre é bom. Enquanto você está criando, está vendo o que produziu, e perde tempo entre o intervalo entre uma foto e outra, interrompendo o momento criativo. Na foto digital existe o 'momento indecisivo'; se você pára para olhar a foto, começa a se perguntar se deu certo, se não poderia fazer melhor, e fica indeciso".

Davilym Dourado