Daqui, de lá
Por telegrama, fitas de telex, telefone e, mais tarde, e-mail, Moisés Rabinovici retratou suas andanças pelo mundo com o olhar de quem "
Atualizado em 01/11/2011 às 19:11, por
Pamela Forti*.
Por telegrama, fitas de telex, telefone e, mais tarde, e-mail, Moisés Rabinovici retratou suas andanças pelo mundo com o olhar de quem "escreve como a gente sente"
Crédito:Alf Ribeiro Tudo começou em razão de um fóssil: um crânio de 10 mil anos de idade que o grupo dearqueologia, do qual Moisés Rabinovici fazia parte, encontrou no interior de Minas Gerais. O achado foi notícia em todos os jornais da época, mas o texto do Última Hora, de Samuel Wainer, continha uma incorreção grave, que atraiu parte da imprensa mundial até a escola, em Belo Horizonte. Na manchete, o jornal dizia que o crânio descoberto pelos estudantes tinha 1 milhão de anos.
Escolhido como porta-voz dos jovens para ir ao jornal e pedir a correção do erro, Rabinovici, então com 17 anos, foi. No entanto, nunca mais voltou. José Wainer, diretor do jornal e irmão de Samuel, pediu que o próprio rapaz escrevesse a errata. Abria-se ali a porta de um ambiente que seria como a casa do menino despretensioso. Na redação, sentado ao lado de Alberico de Souza Cruz, que, nos anos 1990, se tornaria parte da cúpula da Rede Globo, recebeu o convite para ficar por ali. E, como a história conta, ficou. "Era uma profissão que na mesma hora me capturou. Fiquei apaixonado. Depois de sair uma ou duas vezes, escrever e ver meu nome publicado, a matéria composta, eu fiquei fascinado".
O jovem que gostava de escrever e de arqueologia percorreria quase todos os países do mundo em busca de uma boa história e de uma boa pauta. Galgaria todos os postos dentro do Grupo Estado, veria de perto os mais marcantes acontecimentos da história e fundaria o Museu da Corrupção (MuCo). Perto de completar 50 anos de carreira, ocupa o cargo de diretor de redação do Diário do Comércio, publicação ligada à Associação Comercial de São Paulo (ACSP).
Talvez a expressão que melhor defina a trajetória de "Rabino" - apelido que ganhou dos colegas de redação - seja "Glocal", fusão dos termos global e local, assim como a carreira do jornalista, que viveu como correspondente internacional por oito anos em Israel, seis em Washington e outros dois em Paris. Nos intervalos, viajou o mundo como enviado especial ou se ocupava de reportagens locais. Sempre no exterior, com vistas ao leitor no Brasil. E ainda hoje, quando está aqui, não tira a cabeça de lá. "E agora eu vou lá e vejo quem manda as matérias, tenho vontade de escrever. Foram vinte e poucos anos cobrindo guerra", diz, nostalgicamente. Hoje, ele dá seus pitacos daqui mesmo, nos editoriais, com a alma de correspondente.
*Com Nathália Carvalho
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