Daniela Pinheiro, da Piauí, fala sobre sua carreira e a entrevista com José Dirceu
Daniela Pinheiro, da Piauí, fala sobre sua carreira e a entrevista com José Dirceu
Daniela Pinheiro, da Piauí , fala sobre sua carreira e a entrevista com José Dirceu
PorCom 11 páginas de matéria, que relatava a nova vida do ex-ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, publicada na edição da revista Piauí do mês de janeiro, a jornalista brasiliense Daniela Pinheiro causou burburinho ao mostrar a rotina de consultor de Dirceu, que presta serviços a empresários que pretendem investir no mercado brasileiro.
Para que se tenha uma idéia da dimensão tomada pela matéria "O Consultor", Roberto Pompeu de Toledo, colunista da seção "Ensaio" e editor especial da revista Veja , afirmou que o texto de Daniela é "uma das melhores peças jornalísticas dos últimos tempos".
O Portal IMPRENSA buscou saber mais sobre Daniela, que também venceu a 4ª edição do "Troféu Mulher Imprensa", na categoria "Repórter de Jornal ou Revista", além de mais detalhes sobre a entrevista com Dirceu. Esse bate-papo, você acompanha a seguir.
Portal IMPRENSA - Como começou sua carreira e por quais veículos você já passou?
Daniela Pinheiro - Eu sempre quis ser jornalista. Nunca pensei em fazer outra coisa. Quando era pequena, meu pai me deu um gravador de presente. Eu passava os dias "entrevistando" minha família, meus amigos. Parecia o Juruna gravando tudo o que os outros me diziam. Eu estudava em uma escola que tinha um circuito interno de TV. E eu era a apresentadora do jornal da escola. Então, sempre foi muito claro o que eu queria ser.
Comecei a trabalhar cedo, também. Entrei na Folha de S.Paulo com 19 anos. Fiz o curso de trainee e assim que terminei, o Josias de Souza, que era chefe da sucursal de Brasília, me chamou para trabalhar com ele. Eu estava ainda no meio do meu curso de Jornalismo (cursei na Universidade de Brasília), que acabei levando um pouco nas coxas porque eu trabalhava período integral. Mas os meus professores entendiam porque era uma experiência inigualável, cobrir o dia-a-dia do Congresso, do Palácio do Planalto, da vida política de Brasília, em geral.
Então, fiquei quatro anos na Folha de S.Paulo , em Brasília. Depois fui para a Veja , onde fiquei por dez anos. Ali, trabalhei nas redações de Brasília, de São Paulo e do Rio. Passei ainda pelas redações da revista Época e do Jornal do Brasil .
Portal IMPRENSA - Como surgiu a idéia de entrevistar José Dirceu? Foi pauta sua ou da revista?
Daniela - A entrevista foi uma idéia minha. Eu havia conversado com uma fonte, que é muito próxima do Jose Dirceu. Na conversa, eu percebi que ele tinha dado a entender que o Dirceu toparia, que ele gostaria de falar. Conversei com o meu editor, Mario Sergio Conti, que se animou muito com a idéia. Então, acionei outros contatos que eu tinha em comum com o Dirceu e marcamos um encontro. Não nos conhecíamos, mas tínhamos contatos em comum. Isso ajudou bastante.
Portal IMPRENSA - Por que você optou por uma reportagem extensa? Quase como um perfil visto em edições do antigo Pasquim ?
Daniela - A matéria era muito rica em detalhes e por isso merecia uma reportagem extensa, que fosse capaz de dar suporte aos aspectos mais importantes ali contidos.
Portal IMPRENSA - Qual situação ocorrida durante a reportagem lhe chamou mais atenção?
Daniela - Sem duvida, a cena do restaurante. (Daniela se refere à ocasião em que um homem levantou de sua mesa, foi em direção da mesa de Dirceu e o xingou de "safado").
Portal IMPRENSA - O fato de ter sido perseguido e xingado, inclusive em outros países, deixava Dirceu chateado? Ele demonstrava que tipo reação?
Daniela - Imagino que ele deva ficar chateado, óbvio. Mas não deixa transparecer. Como ele diz na matéria, ele tem uma matemática sobre a possibilidade da hostilidade pública. Segundo ele, só 10% das pessoas fazem isso. E 40%, segundo pesquisas de opinião pública que ele encomenda para avaliar sua imagem, acreditam que ele é honesto.
Portal IMPRENSA - Alguma dificuldade no momento de editar a matéria?
Daniela - Nenhuma dificuldade. Escrevi o texto em quatro dias. Era contar uma história. Tinha começo, meio e fim. Não ouvi praticamente ninguém para a matéria. Era para ser mesmo um relato detalhado dos dias que passei com ele e das coisas que o vi dizer e fazer.
Portal IMPRENSA - Você já passou por muitos veículos. O que ainda pretende para sua carreira?
Daniela - Gosto e me identifico muito com o tipo de reportagem que é possível fazer na Piauí . Espero poder continuar meu trabalho por lá por um bom tempo ainda.






