Cunha Junior e a psiquiatria e as músicas de Carlos Carneiro, da banda Bidê ou Balde

Do fanzine ao sucesso Crédito:Divulgação Escolher o jornalismo como profissão parecia um caminho para o vocalista da banda gaúcha Bidê ou Balde, Carlos Carneiro, principalmente por seu gosto pela escrita.

Atualizado em 04/11/2014 às 14:11, por Redação Portal IMPRENSA.

Escolher o jornalismo como profissão parecia um caminho para o vocalista da banda gaúcha Bidê ou Balde, Carlos Carneiro, principalmente por seu gosto pela escrita. E foi fazendo uma revista alternativa na faculdade que a música entrou com tudo em sua vida. “Fazíamos festas badaladas para o lançamento das edições, sempre com bandas de amigos.”

“Eu pensava com carinho em ter uma banda para tocar nesses eventos. Na mesma época, me envolvi com o pessoal da cena de cinema em Super 8 [formato cinematográfico criado na década de 1960 e muito popular em Porto Alegre (RS) nos anos 1990], e pretendia fazer um filme que tivesse sua narrativa contada musicalmente, e para fazer essa trilha reuni um pessoal para realizar”, conta Carneiro.


Mas, no primeiro ensaio, as músicas ficaram tão legais que ele e os amigos resolveram montar uma banda. Para Carneiro, o desafio foi gravar o primeiro CD junto do TCC da faculdade. A Bidê gravava durante as madrugadas, ele escrevia nas manhãs, descansava à tarde e ia às aulas à noite. “No final das contas, fui bem na monografia e o disco foi um sucesso”, afirma.


Atualmente, ele é o principal responsável pela assessoria de imprensa da Bidê ou Balde. “Tive programa na rádio Ipanema por três anos e de vez em quando faço umas matérias, coberturas e críticas musicais. Não descarto a possibilidade de trabalhar com algo na área. Pretendo cada vez mais me manter polivalente. É saudável, inclusive para manter o carinho e a vontade de trabalhar como músico por aí”, finaliza.


Em paz com a mente e coração


Crédito:Jair Magrin

Antes mesmo de ser alfabetizado, Cunha Junior chamava os primos e amigos em casa e brincava de rezar a missa. Não que fosse dos mais religiosos, mas em sua fantasia infantil, era o máximo ter pessoas concentradas prestando atenção nele.

Durante toda a infância no Rio Grande do Sul, as brincadeiras mais marcantes envolviam a comunicação. Ora era apresentador de TV, ora era participante de um show de calouros de mentirinha. “Tive sempre muita facilidade, mas achava que isso fosse um hobby, e não que pudesse se tornar uma profissão”, explica o médico psiquiatra.


Apesar da vocação para o jornalismo, Cunha preferiu a área da saúde. “Não quis ouvir meu coração”, confessa. Muito ativo nos comitês da faculdade, era responsável por organizar eventos, e como por obra do destino, acabou visitando uma rádio local para

encomendar vinhetas para uma festa. Saiu de lá com um programa cultural. Ao mesmo tempo, as oportunidades na comunicação foram surgindo até o ponto que Cunha decidiu cursar de vez jornalismo.


Apresentador do programa “Metrópolis”, na TV Cultura, há mais de 20 anos, Cunha não se arrepende da decisão. “Como psiquiatra, aprendi a entender e ouvir o outro”. Mas sua história com a medicina está longe de ter acabado. Em 2015 termina um curso de psicanálise e logo começará atender pacientes. “Vou ter que dividir meu tempo, mas estou muito ansioso.”