Cuidado: frágil
Cuidado: frágil
Atualizado em 22/01/2008 às 14:01, por
Ana Ignácio.
Por Em janeiro de 2003, o fotógrafo paulistano André François entrou no Hospital Santa Marina em São Paulo, sem saber quando e como sairia de lá. Seu filho de 12 anos acabara de ser atropelado e se encontrava em estado de coma. Não havia nada que fazer naquela situação a não ser observar. François começou, então, a observar intensamente não só seu filho, mas também o ambiente. Médicos, pacientes, familiares em uma rotina pesada e dolorida, mas marcada pelo carinho e pelo respeito. "Quando você está no hospital, isso é um momento decisivo da sua vida. Senti que seria maravilhoso dialogar com esse tema." O final dessa história, pelo menos para André, foi feliz. Seu filho se recuperou do acidente e eles puderam sair juntos do hospital. As imagens daquele mês, entretanto, insistiam em permanecer na cabeça do fotógrafo. Foi assim que nasceu a idéia de transformar aquela experiência em um sensível projeto. Em parceria com a empresa Roche, François criou o "Humanizando Relações". Há dois anos ele viaja pelo Brasil registrando a vida de médicos e pacientes. Chega a passar dias em barcos, bebendo água do rio, enfrentando condições precárias de higiene e alimentação. Pelos hospitais do país, registra histórias de equipes médicas que fazem a diferença; equipes que, mais do que tratar, cuidam de seus pacientes.
Além de acompanhar os médicos, o projeto distribui máquinas fotográficas para pacientes, médicos, enfermeiros e diretores dos hospitais, para estimular a relação entre eles. "A fotografia é uma ferramenta muito gostosa. Todo mundo gosta de pegar uma câmera e sair tirando foto por aí", conta André. As fotos são expostas no mural do hospital e ajudam a aliviar a tensão. "Depois que o médico viu a foto que um paciente tirou dele no mural, com a legenda: 'esse é o doutor Jorge, que salvou minha vida', deixou de ser mais um paciente. Facilita o link entre eles", conta André. Hoje, o projeto está no segundo ano e tem mais um enfoque: mostrar a dificuldade de acesso à saúde - "que é imensa".
Grotões
O projeto já visitou quase 30 hospitais por todo o Brasil, e se deparou com uma realidade que já é conhecida no país. " Eu estou encontrando, no fundo, o que a gente já sabe, mas é muito diferente você saber números e você conhecer a história da d. Antonia, por exemplo. Falaram que o filho dela estava com uma virose. Depois de oito meses com o filho doente, ela ficou quatro dias numa canoa para levar o filho a um hospital maior e descobriu que, na verdade, ele tinha câncer", lamenta. Histórias como essa são muito comuns no país. Muita gente tem que viajar durante dias para chegar ao hospital mais próximo; algumas pessoas precisam percorrer alguns trechos a pé devido às péssimas condições das estradas e há ainda quem só consiga auxílio médico de barco.
Além de acompanhar os médicos, o projeto distribui máquinas fotográficas para pacientes, médicos, enfermeiros e diretores dos hospitais, para estimular a relação entre eles. "A fotografia é uma ferramenta muito gostosa. Todo mundo gosta de pegar uma câmera e sair tirando foto por aí", conta André. As fotos são expostas no mural do hospital e ajudam a aliviar a tensão. "Depois que o médico viu a foto que um paciente tirou dele no mural, com a legenda: 'esse é o doutor Jorge, que salvou minha vida', deixou de ser mais um paciente. Facilita o link entre eles", conta André. Hoje, o projeto está no segundo ano e tem mais um enfoque: mostrar a dificuldade de acesso à saúde - "que é imensa".
Grotões
O projeto já visitou quase 30 hospitais por todo o Brasil, e se deparou com uma realidade que já é conhecida no país. " Eu estou encontrando, no fundo, o que a gente já sabe, mas é muito diferente você saber números e você conhecer a história da d. Antonia, por exemplo. Falaram que o filho dela estava com uma virose. Depois de oito meses com o filho doente, ela ficou quatro dias numa canoa para levar o filho a um hospital maior e descobriu que, na verdade, ele tinha câncer", lamenta. Histórias como essa são muito comuns no país. Muita gente tem que viajar durante dias para chegar ao hospital mais próximo; algumas pessoas precisam percorrer alguns trechos a pé devido às péssimas condições das estradas e há ainda quem só consiga auxílio médico de barco.






