Cubano diz que suspende greve de fome após a libertação de dissidentes

Cubano diz que suspende greve de fome após a libertação de dissidentes

Atualizado em 07/07/2010 às 18:07, por Redação Portal IMPRENSA.

O governo de Cuba libertará 52 presos políticos - cinco deles nas próximas horas e 47 ao longo dos próximos quatro meses - informou, nesta quarta-feira (07), a Igreja Católica em Havana.

Divulgação
Guillermo Fariñas

A libertação dos dissidentes, sobretudo 25 enfermos, era a condição imposta pelo jornalista Guillermo Fariñas para acabar com a greve de fome e sede que realiza há 134 dias. Apesar da aparente vitória, no entanto, ainda não há confirmação se a iniciativa do governo cubano foi motivada diretamente pelo pedido do jornalista, internado no hospital de Santa Clara desde a descoberta de um coágulo na jugular que o coloca em risco de morte.

Mesmo após o anúncio, Fariñas declarou estar "cético" e que manterá o jejum até que 12 dos 52 presos "estejam na rua" e que ele seja informado oficialmente sobre a decisão. "Não confiamos nas autoridades", justificou o jornalista.

A soltura dos 52 opositores, que fazem parte de um grupo de 75 dissidentes presos em 2003, foi anunciada durante encontro entre o presidente Raúl Castro, o cardeal Jaime Ortega e o chanceler espanhol Miguel Angel Moratinos, de acordo com comunicado do Arcebispo de Havana. O grupo é composto de políticos de oposição, líderes comunitários e jornalistas que se posicionaram contra o controle estatal dos meios de comunicação da ilha.

"O cardeal Ortega foi informado de que nas próximas horas" cinco prisioneiros "serão postos em liberdade e poderão seguir para a Espanha, em companhia de seus familiares", destacou o comunicado, sem informar os nomes dos libertados.

Os demais 47 prisioneiros também receberão autorização para deixar o país, após os trâmites de libertação.

A decisão, segundo informa a agência de notícias AFP, é resultado do diálogo aberto por iniciativa de Raúl Castro e do arcebispo Ortega, no último dia 19 de maio. Na ocasião, as negociações levaram à libertação de um dissidente enfermo e o traslado de outros 12 a prisões das províncias próximas de suas famílias.

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