Cuba Libre

Cuba Libre

Atualizado em 20/02/2008 às 13:02, por Eduardo Pugnali.

Não pude ficar neutro em toda a cobertura que a imprensa está fazendo sobre a decisão de Fidel Castro deixar o poder depois de 49 anos a frente de Cuba. Logo que vi as primeiras notícias já fiquei imaginando o martírio dos jornalistas correndo atrás de informações.

Afinal, a meu ver, essa era uma das possibilidades mais remotas para o "fim" de Fidel. Na cabeça de muitos somente a morte dele terminaria com essa era. As "gavetas" das redações deviam estar abarrotadas de textos obituários. E não é que o velhinho foi mais esperto?

Deu um nó em todo mundo e saiu em vida, por cima e deixando seu legado para ser discutido enquanto ele ainda está vivo. De quebra, ele ainda pega o seu maior inimigo, os Estados Unidos, numa corrida presidencial, colocando o assunto Cuba definitivamente na pauta dos discursos.

Vai ser oportuno (ou oportunista) assim lá longe.

Do ponto de vista de comunicação, se é que ele pensou nisso, a sacada foi certíssima. O mundo parou para acompanhar essa decisão de um ditador, que governa um país de 10 milhões de habitantes, fechado para o mundo e que não produz nada muito significativo para a economia mundial.

O case Fidel é algo para ser visto e pensado. Tudo bem que ele tem o lado folclórico, dos discursos longuíssimos (para não dizer eternos), das agruras que o povo cubano passou em todos esses anos, os caminhos tortos de um regime autoritário. Nada vai tirar a responsabilidade dele sobre isso e acredito que "nem a história o absolverá", como disse ele na década de 60.

Porém, o homem tomou conta da mídia mundial. O mundo todo deu:
, , . Isso só para citar alguns exemplos. Tentei até dar uma olhada no jornal russo , mas não consegui entender nada com aqueles caracteres cirílicos, mas com certeza deve ter um lugar reservado para o homem lá.

No Brasil, fez um especial muito organizado e interessante em que foi onde organizei meus conhecimentos pelo líder cubano.

Se ele tivesse esperado a morte chegar, sua vida cairia no "canto do cisne", morrendo aos poucos, sem dizer nada relevante, nem o mundo dando mais tanta bola para ele ou Cuba. Aí, todos os líderes mundiais (especialmente os contrários a ele) iriam tripudiar em cima da imagem e do país dele. Em vida, sua imagem e símbolo permanecem presentes, evitando ataques ideológicos contra suas propostas.

Tenho que descobrir se foi o Fidel que tomou essa decisão ou se foi algum assessor. Seja quem for, foi muito bem pensado. O planejamento foi redondinho.

É bom frisar que, particularmente, nunca tive nenhuma reverência a Cuba ou a Fidel. Para mim sempre foi uma figura histórica e nada mais. Apesar da categoria dos jornalistas terem uma predileção pela ideologia dele e de Che Guevara, eu mesmo nunca fui muito fã desses personagens.

Simplesmente o que aconteceu hoje me chocou, no bom sentido, sobre toda a dinâmica que os fatos ganharam o mundo. Não desmerecendo a figura do líder e sua importância no cenário mundial, mas foi muito além do que eu imaginava.

Posso até ser um pouco ignorante com isso tudo, mas o que chamou a atenção foi o senso de oportunidade de Fidel para tomar essa decisão hoje e não durante esses 18 meses que ele cambaleia doente.

Esperteza ou não; sorte ou não, Fidel ganhou o mundo e minha atenção especial (nossa, até eu estou escrevendo sobre ele!!! Ele conseguiu).

Em suma, uma janela de oportunidade é sempre um fator que precisamos estar atentos no planejamento de comunicação e o comandante nos ensinou isso hoje muito bem.