Ctrl C e Ctrl V!

Ctrl C e Ctrl V!

Atualizado em 30/04/2008 às 17:04, por Kátia Zanvettor.

Esta semana, por acaso, ao digitar meu nome no Google me deparei com textos, publicados aqui no Portal IMPRENSA, reproduzidos em uma série de blogs e sites diferentes. Todos os textos, devidamente creditados a mim e ao Portal IMPRENSA, foram reproduzidos na íntegra e mostram que a dimensão do alcance da Internet pode ser bem maior do que esperamos. Os textos que coloco aqui se espalham aleatoriamente pela rede, podem ser ainda distribuídos em papel, podem virar tema de aula, material de consulta, podem ser reproduzidos por um longo tempo para além do período de uma semana que ele fica no ar.

Este não é um efeito particular, pelo contrário, sem muito esforço encontramos o mesmo texto em espaços diferentes da rede mundial de computadores. Qualquer pesquisa mais detalhada na Internet mostra que esse efeito de reprodução do conteúdo é prática consolidada. Respeitando e creditando as fontes - como fizeram os casos citados - não vejo o intercâmbio entre portais, blogs e sites como uma coisa ruim, ao contrário, ele tem conseqüências muito positivas para a democratização da informação. Quando saímos da Internet e vamos para sala de aula também é possível encontrarmos pontos positivos dessa circulação de conhecimento, mas não podemos deixar de notar os efeitos negativos.

O mais gritante é certa prática, que me arrisco até a chamar de comum, de usar o conteúdo encontrado na rede não como fonte de pesquisa, como referência ou material de debate, mas se apropriando dele sem dar o devido crédito ao verdadeiro autor e nem mesmo se preocupando em citar a fonte de consulta. A cópia ilegal não é uma prática incomum entre estudantes, infelizmente os alunos de jornalismo não estão fora disso.

Tão fácil quanto copiar e colar um conteúdo para entregar como trabalho para o professor é identificar que isso foi feito. Qualquer professor sabe que os alunos que tem essa prática também não se dão ao trabalho de escondê-la e usam textos integralmente ou em grande parte copiado. Para identificar basta, por exemplo, copiar uma frase do trabalho e colocar em um buscador da Internet que ele rapidamente irá mostrar quem é realmente o autor do texto.

Sem entrar muito no enorme problema ético, o curso de jornalismo, tanto ou mais que qualquer outro, deveria ser o lugar de combate ferrenho dessa prática. Afinal é neste curso que, teoricamente, formamos autores de textos, pessoas que vão trabalhar e viver da palavra escrita. Se o aluno de jornalismo não perceber rapidamente que a cópia ilegal é um crime contra ele mesmo e contra a profissão almejada estaremos com um problema muito sério na própria concepção do curso.

Só para exemplificar, certa vez dei um trabalho em sala de aula distribuindo um texto jornalístico de uma revista de grande circulação. O objetivo era escrever um artigo sobre o tema da reportagem, grande parte da sala copiou trechos inteiro sem citar, colocar entre aspas ou apontar a referência no final do texto, simplesmente, incorporou no artigo frases da reportagem, como sendo de autoria própria. Cópia ilegal, é crime, é zero! Os alunos ficaram indignados e tive muitos problemas com essa turma ao longo do semestre, mas espero que, depois disso, nenhum deles esqueceu a gravidade que é tomar como seu o texto de outro.