Crônicas de futebol
Crédito:Leo Garbin Quero falar com você sobre futebol e filosofia”, disse eu ao Tite, técnico do Corinthians, num destes pós-jogos de Campeonato Brasileiro.
Atualizado em 02/09/2013 às 15:09, por
Rodrigo Viana.
você sobre futebol e filosofia”, disse eu ao Tite, técnico do Corinthians, num destes pós-jogos de Campeonato Brasileiro.
A ideia nasceu comigo. Explico melhor: tornei-me, em função de acontecimentos na vida, um buscador espiritual. Li muito conceito de filosofias orientais, como o budismo e o hinduísmo. Também sou leitor dos sufistas, uma corrente mística do Médio Oriente onde, garantem alguns historiadores, o próprio Cristo teria passado boa parte de sua vida.
Do lado ocidental, interessam-me sobremaneira os novos físicos, como o simpático Amit Goswami, que recentemente visitou o Brasil. Nesse bololô metafísico não há como não falar do Chico Xavier e sua doutrina espírita, tão difundida aqui no Brasil.
Conto tudo isso aqui e lembro da conversinha de botequim, bem rápida mesmo, que tive com o Tite, para dizer dessa ânsia que sempre tive em fazer uma relação entre o futebol e o sentido maior da vida.
Obviamente, e disso o leitor sabe bem, a crônica não é o espaço para fórmulas matemáticas e grandes teorias. Não pretendo, portanto, esgotar "o assunto aqui neste papo. Nem continuei o papo iniciado com o Tite, coisa que pretendo fazer.
Mas lembrei-me do técnico do Corinthians porque ele sempre dá um jeitinho de colocar metonímias filosóficas nas suas entrevistas. Quando fala aparentemente de futebol, deixa escorrer, quase que por descuido, um certo humanismo contemporâneo, uma “vontade ética”, termo que inauguro aqui sob risco de ser excomungado por algum Aureliano colega.
Levanto esta bola toda pra dizer que setembro, mês da primavera, parto para o segundo projeto mais importante da minha vida, já que o primeiro foi ter arrebentado aquela maldita bolsa e saído (com a ajuda do fórceps, é verdade) do útero de minha mãe. Agora vai nascer meu filho. Setembro é o mês de aparar as últimas arestas para o lançamento de “A bola e o verbo – o futebol na crônica brasileira”, que vai ser lançado na primeira quinzena de outubro pela corretíssima editora Summus.
Neste filho-livro, falo, com mais apuramento metodológico, dessa coisa toda. Dessa relação entre a bola, o verbo, a vida e de como tudo isso encontra espaço para escoamento nas crônicas de futebol. Aliás, esta crônica é uma desculpa pra falar do lançamento da outra grande crônica da minha vida. A definitiva.
Certamente, mais detalhes virão. Por ora, deixo o encerramento deste textinho besta, pra ser lido num dia de domingo, sob a pena de Machado de Assis, que, convenhamos, tem um pouco mais de condições de falar sobre o assunto do que eu: “Eu gosto de catar o mínimo e o escondido. Onde ninguém mete o nariz, aí entra o meu, com a curiosidade estreita e aguda que descobre o encoberto. [...] Eu apertei os meus olhos para ver coisas miúdas, coisas que escapam ao maior número, coisas de míopes. A vantagem dos míopes é enxergar onde as grandes vistas não pegam.”

A ideia nasceu comigo. Explico melhor: tornei-me, em função de acontecimentos na vida, um buscador espiritual. Li muito conceito de filosofias orientais, como o budismo e o hinduísmo. Também sou leitor dos sufistas, uma corrente mística do Médio Oriente onde, garantem alguns historiadores, o próprio Cristo teria passado boa parte de sua vida.
Do lado ocidental, interessam-me sobremaneira os novos físicos, como o simpático Amit Goswami, que recentemente visitou o Brasil. Nesse bololô metafísico não há como não falar do Chico Xavier e sua doutrina espírita, tão difundida aqui no Brasil.
Conto tudo isso aqui e lembro da conversinha de botequim, bem rápida mesmo, que tive com o Tite, para dizer dessa ânsia que sempre tive em fazer uma relação entre o futebol e o sentido maior da vida.
Obviamente, e disso o leitor sabe bem, a crônica não é o espaço para fórmulas matemáticas e grandes teorias. Não pretendo, portanto, esgotar "o assunto aqui neste papo. Nem continuei o papo iniciado com o Tite, coisa que pretendo fazer.
Mas lembrei-me do técnico do Corinthians porque ele sempre dá um jeitinho de colocar metonímias filosóficas nas suas entrevistas. Quando fala aparentemente de futebol, deixa escorrer, quase que por descuido, um certo humanismo contemporâneo, uma “vontade ética”, termo que inauguro aqui sob risco de ser excomungado por algum Aureliano colega.
Levanto esta bola toda pra dizer que setembro, mês da primavera, parto para o segundo projeto mais importante da minha vida, já que o primeiro foi ter arrebentado aquela maldita bolsa e saído (com a ajuda do fórceps, é verdade) do útero de minha mãe. Agora vai nascer meu filho. Setembro é o mês de aparar as últimas arestas para o lançamento de “A bola e o verbo – o futebol na crônica brasileira”, que vai ser lançado na primeira quinzena de outubro pela corretíssima editora Summus.
Neste filho-livro, falo, com mais apuramento metodológico, dessa coisa toda. Dessa relação entre a bola, o verbo, a vida e de como tudo isso encontra espaço para escoamento nas crônicas de futebol. Aliás, esta crônica é uma desculpa pra falar do lançamento da outra grande crônica da minha vida. A definitiva.
Certamente, mais detalhes virão. Por ora, deixo o encerramento deste textinho besta, pra ser lido num dia de domingo, sob a pena de Machado de Assis, que, convenhamos, tem um pouco mais de condições de falar sobre o assunto do que eu: “Eu gosto de catar o mínimo e o escondido. Onde ninguém mete o nariz, aí entra o meu, com a curiosidade estreita e aguda que descobre o encoberto. [...] Eu apertei os meus olhos para ver coisas miúdas, coisas que escapam ao maior número, coisas de míopes. A vantagem dos míopes é enxergar onde as grandes vistas não pegam.”






