Crônica que acusa filho de Sarkozy de ser interesseiro causa polêmica na França

Crônica que acusa filho de Sarkozy de ser interesseiro causa polêmica na França

Atualizado em 21/07/2008 às 10:07, por Redação Portal IMPRENSA.

Em comunicado divulgado no último sábado (19), a Liga Internacional contra o Racismo e o Anti-semitismo apoiou a decisão do diretor da revista Charlie Hebdo, Philippe Val, de demitir o chargista Siné, que se recusou a pedir desculpas a Jean Sarkozy - filho mais velho do presidente francês Nicolas Sarcozy - devido à publicação de uma crônica em que acusa o jovem de se converter ao judaísmo por interesse.

Na crônica publicada no último dia dois, Siné escreveu que Jean Sarkozy "acaba de declarar que quer se converter ao judaísmo antes de se casar com a noiva, judia, e herdeira dos fundadores de (a cadeia de distribuição) Darty".

Philippe Val afirmou que as palavras de Siné sobre Jean e sua noiva não só propagavam "o rumor falso" da conversão do jovem ao judaísmo, mas, sobretudo, "podiam ser interpretadas" como o estabelecimento de uma relação entre "conversão ao judaísmo e êxito social", algo "não aceitável nem defensável perante um tribunal".

A entidade contra o anti-semitismo afirmou que "as alegações de tráfico de influência e de cinismo" e a "sórdida conexão" entre o dinheiro e os judeus pertencem aos "tempos mais miseráveis do anti-semitismo dos séculos XIX e XX".

Ao se recusar a pedir desculpas à família Darty e à de Jean, Siné foi demitido da revista no início da semana.

O advogado do chargista disse que ele entrou com um processo contra um jornalista da revista Le Nouvel Observateur , que dedicou um artigo ao assunto, e que processará "todos os que, ao chamar injustamente Siné de 'anti-semita' e 'porco', provocaram sua demissão" e "arruinaram o compromisso de toda uma vida em favor da tolerância, a liberdade de expressão e a igualdade entre todos os usuários do planeta Terra".

Em declaração à imprensa local, há poucos dias, Siné disse: "Reprovo Jean Sarkozy por se converter por oportunismo. Se tivesse se convertido à religião muçulmana para se casar com a filha de um emir, seria igual. E igual também se fosse a filha de um católico".

Com informações da EFE

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