Crise do papel coloca milhares de profissionais de mídia em risco na Venezuela
O sindicato alertou que a escassez da matéria prima nos impressos já obrigou o encerramento de mais de dez jornais regionais na Venezuela.
Atualizado em 12/05/2014 às 13:05, por
Redação Portal IMPRENSA.
Crédito:Reprodução Trabalhadores de empresas de mídia podem perder emprego com fechamento de jornais
De acordo com o Jornal de Notícias , a carta endereçada ao chefe de Estado venezuelano busca evidenciar os problemas atuais, "com a finalidade de solicitar a sua atenção sobre a enorme incerteza em que vivem os trabalhadores da imprensa escrita". A associação entende que as autoridades devem agir para evitar uma eventual recessão na área. "Os nossos lugares de trabalho podem perder-se pelo efeito da crise em que se encontram as empresas para as quais prestamos serviço".
"É um fato notório (...) que, para continuar circulando, vários diários reduziram as suas páginas, mas a escassez de papel é cada dia mais crónica e ameaça a continuidade das operações", afirma a nota, que ressalta que os jornais tradicionais que "empregam um número significativo de trabalhadores" podem ser os próximos a deixar de circular por conta da falta de papel. "O El Impulso , que tem 110 anos, o El Universal (105 anos) e o El Nacional (71 anos) empregam 284, 830 e 504 trabalhadores diretos, respetivamente".
Sem a colaboração dos organismos adequados, o SNTP avalia que "esta crise tem piorado porque as empresas editoras não receberam, do órgão competente, as divisas (dólares) necessárias para importar o papel". O sindicato acredita que a própria "constituição dispõe que o trabalho é um direito e que é dever do Estado fomentar o emprego", e com o dever de respeitá-la, o estado deve atribuir “às empresas jornalísticas os recursos necessários para importar o papel e normalizar as atividades, preservar os postos de trabalho e os salários".
Com a chegada de Chávez ao poder, vigora na Venezuela desde 2003 um sistema de controle cambial que impede a obtenção de moeda estrangeira na região, o que faz com que as companhias recorram ao governo para ter acesso aos dólares oficiais para as importações. Expondo a situação, a Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP) acusou o governo venezuelano de continuar apostando em que se "fechem os jornais, mediante a sutil medida de negar-lhes as divisas para que assim não possam importar papel e outros produtos que não são produzidos no país".
Em contrapartida, a ministra de Comunicação e Informação, Delcy Rodríguez, devolveu o ataque, dizendo que algumas empresas proprietárias de diários cometiam irregularidades, onde solicitavam as divisas e usavam apenas metade do autorizado, pois o resto seria vendido no mercado negro do dólar. Segundo ela, o empréstimo de papel feito por editores colombianos, “fazia parte de uma ação para cometer delito contra a Venezuela".





