Criador do Wikileaks condena desenvolvimento de uma "internet europeia"

Em entrevista transmitida por satélite e publicada na última sexta-feira (4/4), Julian Assange, fundador do Wikileaks, falou sobre as dificuldades de viver fugindo do governo Suíço, a espionagem dos Estados Unidos, a possibilidade de se criar uma "internet particular" e o conceito de privacidade nos tempos atuais.

Atualizado em 05/04/2014 às 12:04, por Redação Portal IMPRENSA.


Crédito:Reprodução Jornalista defende privacidade dos usuários da internet
Segundo a BBC, Assange vive há dois anos na embaixada do Equador em Londres. A Justiça da Suíça exige a extradição do jornalista, acusado de abuso sexual. Em entrevista ao repórter Spencer Kelly, Assange afirmou que diversas organizações pelo mundo estão "no negócio de mirar e perseguir" pessoas que, como ele, divulgam informações sigilosas e de interesse da população.
Sobre a ideia de se construir uma rede de computadores fechada em apenas um país ou continente - uma internet europeia, por exemplo - o jornalista afirmou que a iniciativa pode ser boa, mas os problemas estariam nos detalhes de como essas comunicações iriam operar.
"Quando você fala sobre uma internet europeia, você diz que a Europa funcionaria como uma empresa de telecomunicação. E há de se levar em conta que a Europa tem acordos secretos e desonestos com os Estados Unidos, por exemplo", disse Assange.
O jornalista afirma ainda que o Wikileaks tem um propósito nobre e que nunca divulgou informações que tenham prejudicado fisicamente qualquer pessoa. Por fim, ele diz que o direito a uma conversa entre dois indivíduos sempre será privado. O desafio, segundo ele, é evitar que "sistemas inteiros de comunicação sejam espionados, no mundo inteiro, ao mesmo tempo".