Crescente uso de telas touchscreen preocupam defensores dos deficientes visuais

Crescente uso de telas touchscreen preocupam defensores dos deficientes visuais

Atualizado em 09/01/2009 às 14:01, por Eduardo Neco/Redação Portal IMPRENSA.

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Nesta semana, artistas e defensores dos deficientes visuais foram à CES (Consumer Electronics Show), em Las Vegas, na intenção de chamar a atenção para os rumos dos avanços tecnológicos dos aparelhos eletroeletrônicos. O grupo pretendia mostrar aos fabricantes que, ao desenvolver determinadas tecnologias, deve-se levar em conta os deficientes visuais. A Federação Nacional dos Cegos dos Estados Unidos achou prudente promover a ação diante do crescimento do número de aparelhos com telas do tipo Touchscreen que impossibilitam o uso por pessoas com deficiência visual.

Entre os que compareceram à CES, estava uma das lendas do R&B, Stevie Wonder. O cantor disse que sua lista de desejos de avanços tecnológicos incluía um carro que ele pudesse dirigir, algo que ele reconheceu que provavelmente levará muito tempo para que exista, além de um rádio via satélite Sirius XM que ele pudesse operar.

De acordo com informações da Agência de Notícias Reuters, Stevie acrescentou, ainda, que algumas empresas conseguiam fazer produtos mais acessíveis para os cegos, no entanto, sem intenção. "Se vocês puderem avançar pelo menos alguns passos, nos propiciarão o entusiasmo, o prazer e a liberdade de ser parte disso", declarou o músico sobre as inovações tecnológicas. O cantor destacou dois aparelhos que gosta de usar: o player de música iPod e o BlackBerry.

O porta-voz da Federação Nacional dos Cegos dos Estados Unidos, Chris Danielsen, declarou que se os fabricantes produzirem aparelhos que levam em conta as necessidades dos cegos, também estariam fazendo eletrônicos mais fáceis de usar para as pessoas não apresentam este tipo de deficiência. Para o porta-voz, a boa notícia é que os fabricantes não teriam de fazer mais investimentos para desenvolver estas tecnologias, nem deixar de lado as inovações.

Em entrevista ao Portal IMPRENSA, Robert Mortimer, coordenador técnico de tecnologia assistida da Associação Brasileira de Assistência ao Deficiente Visual (Laramara), disse que a velocidade dos avanços tecnológicos preocupa, pois muitas empresas não conseguem adaptar seus produtos às necessidades dos deficientes visuais. "Quando o Windows foi lançado, por exemplo, ficamos muito preocupados porque o programa não apresentava nenhum tipo de interação com as pessoas cegas".

Sobre o crescente uso das telas touchscreen, Mortimer relatou que a Google é umas das empresas que está desenvolvendo mecanismos que possibilitam interação, mas alertou para o fato de que, até o presente momento, não há como um deficiente visual utilizar aparelhos como o iPhone, por exemplo. "O iPhone é totalmente inacessível, mas a própria Apple busca alternativas. Recentemente, eles relançaram o iPod Nano com um software leitor de tela que verbaliza as informações do player". Ele acrescentou, ainda, que as empresas estão mudando seu comportamento e já na elaboração de determinados produtos consultam entidades de apoio aos deficientes.

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