CPJ condena ameaças de advogado de Bolsonaro a colunista do UOL

Com base em Nova York  e considerado uma das principais entidades de defesa da liberdade de imprensa do mundo, o Comitê de Proteção a Jornalistas (CPJ) publicou nesta terça-feira (13de julho) um texto especial sobre o caso de assédio à jornalista brasileira JulianaDal Piva.

Atualizado em 13/07/2021 às 18:07, por Redação Portal IMPRENSA.

e considerado uma das principais entidades de defesa da liberdade de imprensa do mundo, o Comitê de Proteção a Jornalistas (CPJ) publicou nesta terça-feira (13de julho) um texto especial sobre o caso de assédio à jornalista brasileira JulianaDal Piva.

Colunista do UOL, Juliana recebeu no dia 9 de julho uma longa mensagem ameaçadora escrita pelo advogado pessoal do presidente Jair Bolsonaro, Frederick Wassef.

Na mensagem Wassef perguntou se a jornalista é "comunista" ou um "soldado da esquerda raivosa". Além de afirmar que se a jornalista morasse na China "desapareceria e nem mesmo seu corpo seria encontrado", o advogado acusou Juliana de“atacar e tentar destruir o presidente do Brasil, sua família e seu advogado”, e chamou-a de “inimiga da pátria”.

Crédito:Reprodução UOL Investigação de Juliana Dal Piva sobre esquema de rachadinhas teria irritado clã Bolsonaro

Juliana entrevistou Wassef portelefone em 2 de julho para uma série de textos sobre o suposto esquema de corrupção envolvendo Bolsonaro e seus familiares. Partes da entrevista também foram incluídas no episódio de 9 de julho do podcast de Dal Piva no UOL “A vida secreta de Jair”.

O trabalho da jornalista trouxe àtona detalhes sobre a vida da segunda mulher de Bolsonaro e declarações de uma ex-cunhada do presidente sobre um suposto esquema de retenção de salários de assessores, que teria sido praticado por ele e seus filhos ao longo de diferentes mandatos parlamentares.

“É inaceitável que qualquer figura pública,muito menos o advogado do presidente, envie uma mensagem ameaçando um jornalista por seu trabalho. Esta clara tentativa de assediar Juliana Dal Piva envia uma mensagem assustadora a todos os jornalistas que cobrem política e corrupção no Brasil ”, disse a coordenadora do CPJ para a América Central e do Sul, Natalie Southwick. “O Brasil é uma democracia e seus líderes devem estabelecer um tom que incentive, em vez de impedir, a divulgação gratuita de interesse público.”

Em entrevista ao CPJ, Wassef afirmou que sua mensagem não foi ameaçadora, que estava simplesmente “fazendo perguntas” e que seus comentários foram “retirados do contexto”.

“Eu não ataquei a jornalista Juliana Dal Piva; pelo contrário, estava atacando ditaduras comunistas ”, disse Wassef. “Quando digo o que 'eles' fariam com ela, não é o que farei. Eu não a estava ameaçando, eu a estava avisando."

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