CPI ouve Glenn Greenwald e propõe que ele entregue documentos sobre espionagem

Na última quarta-feira (9/10), o jornalista norte-americano Glenn Greenwald prestou depoimento na CPI da Espionagem do Senado. Ele afirmou que está divulgando tudo o que sabe sobre os documentos da Agência Nacional de Segurança (NSA) dos Estados Unidos fez sobre as comunicações brasileiras.

Atualizado em 10/10/2013 às 09:10, por Redação Portal IMPRENSA.



Crédito:Agência Brasil David Miranda e Glenn Greenwald depuseram na CPI da Espionagem
De acordo com a Agência Brasil, o senador Pedro Taques (PDT-MT) sugeriu ao jornalista que entregasse à comissão os documentos que possui sobre o país para serem analisados pelo colegiado. “Nós não podemos ficar sendo pautados por programas de televisão”, alegou o senador. Taques propôs que a documentação fique sob a guarda da CPI e que o jornalista tenha acesso para manter as publicações.

No entanto, o jornalista não aceitou a proposta e justificou que se expõe a riscos ao buscar e divulgar os documentos e que prefere manter seu trabalho separado do governo. “Estou publicando todas as informações com muito risco. Eu não estou segurando documentos relevantes, eu não estou segurando informações importantes. Toda informação que eu tenho sobre espionagem contra o Brasil eu estou publicando, não estou segurando. O governo e o jornalismo são separados e devem ficar separados”, ressaltou.

Glenn pontuou que a espionagem não visa o combate ao terrorismo ou a crimes como a pedofilia, mas para interesses comerciais e geopolíticos. “Na Petrobras não há pedófilos, nem no gabinete da presidenta Dilma [Rousseff]. Então não é para combater a pedofilia que a NSA está fazendo isso”, acrescentou.

David Miranda, parceiro de Greenwald, também foi ouvido pela CPI. Ele que ficou mais de nove horas detido no aeroporto de Heathrow, em Londres, no mês de julho, afirmou que, durante o caso, foi alertado de que poderia ser preso caso não entregasse todas as informações e considerou que foi vítima de preconceito por ser brasileiro.

“Eu fiquei decepcionado com a resposta de imediato que a gente teve do Itamaraty, porque foi rápida, mas não foi suficiente. E até agora não vi nenhuma reposta concreta para que isso não se repita com outros brasileiros”, acrescentou.