Correspondentes do Brasil no Japão falam sobre o diferencial de morar no país no momento do terremoto
Correspondentes do Brasil no Japão falam sobre o diferencial de morar no país no momento do terremoto
Atualizado em 29/03/2011 às 17:03, por
Laura Cantal/Redação Revista IMPRENSA.
Por Há quase 20 dias do terremoto seguido de tsunami que atingiram o Japão, no último dia 11, as consequências da tragédia começam a ser vistas com mais clareza. A polícia japonesa contabiliza mais de 11 mil mortos e 17.258 desaparecidos, com expectativa que esses números ainda subam. Além disso, o terremoto causou um vazamento de radiação da usina nuclear Fukushima.
Nesse contexto caótico, a falta de informação contribui para aumentar o desespero de japoneses e familiares em outras localidades. O racionamento de energia elétrica dificulta ainda mais o fluxo de informação. Do Brasil, apenas dois correspondentes já moravam no Japão e puderam começar imediatamente a cobertura: Roberto Kovalick, da Rede Globo, e André Tal, da Rede Record. Os jornalistas relatam à IMPRENSA como foi o início desse trabalho.
Atuação brasileira
Desde 2009 no país, Kovalick admite que sua primeira preocupação foi viabilizar tecnicamente a transmissão para o Brasil, na tentativa de tranquilizar a população. "Desde o primeiro segundo foi isso que norteou o meu trabalho. Milhares de famílias brasileiras têm parentes no Japão e, se não fôssemos capazes de mandar notícias em tempo real, se a Globo do Japão saísse do ar, isso poderia provocar um desespero muito maior", justifica Kovalick, que resume sua missão nos primeiros dias: "Transmitir sem parar, mesmo que o mundo esteja caindo".
Ao contrário de Kovalick, André Tal tinha chegado há pouco mais de um mês no Japão quando os desastres ocorreram. "No dia do terremoto, havia participado da minha primeira aula de japonês. Estava me adaptando ao país e, de repente, todo o foco do trabalho mudou". Tal conta que o início da cobertura foi imediato. "Vi a história acontecer em tempo real. Estava gravando quando a terra começou a tremer. Desde aquele instante, não paramos de trabalhar e isso me ajudou a conseguir muito material logo no início da crise". Apesar de ainda não estar familiarizado com o país, Tal teve o apoio de sua equipe, a produtora Miho Kajioka e o cinegrafista Futa Nagao. "Eles são japoneses e me orientaram muito sobre os caminhos a seguir. Foi um trabalho duro, mas acredito que tivemos a chance de fazer uma boa cobertura".
Kovalick já conhecia suficientemente o país para saber como vencer as dificuldades, quais fontes procurar e para onde se movimentar, mas aponta que, mesmo assim, as diferenças culturais são marcantes e podem causar falhas na comunicação. "Interpretar o que os japoneses estão fazendo é muito difícil, porque eles raciocinam de um jeito completamente diferente do nosso", diz.
Ele ilustra o contraste com um episódio do primeiro dia de cobertura. "Estávamos na estação de trem de Kyoto, prontos para entrar ao vivo no "Bom Dia Brasil", com a estação lotada de gente que não podia embarcar no trem-bala, que estava parado por causa do terremoto. Um policial se aproximou e nos deu uma bronca porque estávamos usando energia de uma tomada do corredor da estação".
Kovalick adverte que, ao desavisado, a atitude poderia parecer exagerada, mesmo em um momento de crise, mas lembra que esse comportamento é coerente com a cultura japonesa. "Claro que tiramos o cabo da tomada e começamos a rezar para que a bateria do computador segurasse até a hora de entrar ao vivo. E deu tudo certo!", comemora o correspondente.
Designados para trabalhar no continente asiático, a presença desses correspondentes foi um grande diferencial para a cobertura que, graças ao seu posicionamento estratégico, pode ser imediata. Além disso, como não vão retornar a redação alguma fora do Japão, eles contribuem, agora, com a cobertura completa da reconstrução do país e avaliação das verdadeiras dimensões da tragédia.
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Nesse contexto caótico, a falta de informação contribui para aumentar o desespero de japoneses e familiares em outras localidades. O racionamento de energia elétrica dificulta ainda mais o fluxo de informação. Do Brasil, apenas dois correspondentes já moravam no Japão e puderam começar imediatamente a cobertura: Roberto Kovalick, da Rede Globo, e André Tal, da Rede Record. Os jornalistas relatam à IMPRENSA como foi o início desse trabalho.
Atuação brasileira
Desde 2009 no país, Kovalick admite que sua primeira preocupação foi viabilizar tecnicamente a transmissão para o Brasil, na tentativa de tranquilizar a população. "Desde o primeiro segundo foi isso que norteou o meu trabalho. Milhares de famílias brasileiras têm parentes no Japão e, se não fôssemos capazes de mandar notícias em tempo real, se a Globo do Japão saísse do ar, isso poderia provocar um desespero muito maior", justifica Kovalick, que resume sua missão nos primeiros dias: "Transmitir sem parar, mesmo que o mundo esteja caindo".
| TV Globo/Divulgação |
| Kovalick (de vermelho) e sua equipe no Japão |
Ao contrário de Kovalick, André Tal tinha chegado há pouco mais de um mês no Japão quando os desastres ocorreram. "No dia do terremoto, havia participado da minha primeira aula de japonês. Estava me adaptando ao país e, de repente, todo o foco do trabalho mudou". Tal conta que o início da cobertura foi imediato. "Vi a história acontecer em tempo real. Estava gravando quando a terra começou a tremer. Desde aquele instante, não paramos de trabalhar e isso me ajudou a conseguir muito material logo no início da crise". Apesar de ainda não estar familiarizado com o país, Tal teve o apoio de sua equipe, a produtora Miho Kajioka e o cinegrafista Futa Nagao. "Eles são japoneses e me orientaram muito sobre os caminhos a seguir. Foi um trabalho duro, mas acredito que tivemos a chance de fazer uma boa cobertura".
Kovalick já conhecia suficientemente o país para saber como vencer as dificuldades, quais fontes procurar e para onde se movimentar, mas aponta que, mesmo assim, as diferenças culturais são marcantes e podem causar falhas na comunicação. "Interpretar o que os japoneses estão fazendo é muito difícil, porque eles raciocinam de um jeito completamente diferente do nosso", diz.
Ele ilustra o contraste com um episódio do primeiro dia de cobertura. "Estávamos na estação de trem de Kyoto, prontos para entrar ao vivo no "Bom Dia Brasil", com a estação lotada de gente que não podia embarcar no trem-bala, que estava parado por causa do terremoto. Um policial se aproximou e nos deu uma bronca porque estávamos usando energia de uma tomada do corredor da estação".
Kovalick adverte que, ao desavisado, a atitude poderia parecer exagerada, mesmo em um momento de crise, mas lembra que esse comportamento é coerente com a cultura japonesa. "Claro que tiramos o cabo da tomada e começamos a rezar para que a bateria do computador segurasse até a hora de entrar ao vivo. E deu tudo certo!", comemora o correspondente.
Designados para trabalhar no continente asiático, a presença desses correspondentes foi um grande diferencial para a cobertura que, graças ao seu posicionamento estratégico, pode ser imediata. Além disso, como não vão retornar a redação alguma fora do Japão, eles contribuem, agora, com a cobertura completa da reconstrução do país e avaliação das verdadeiras dimensões da tragédia.
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