“Correspondente nos Estados Unidos não pode reclamar de falta de assunto”, conta Luiz Megale
À IMPRENSA, o jornalista conta como tem sido sua adaptação no país e sua rotina de trabalho. O jornalista também fala sobre a importância qu
Atualizado em 10/01/2012 às 15:01, por
Luiz Gustavo Pacete.
Mineiro de Ouro Fino, o jornalista Luiz Megale, 35, é literalmente "filho do rádio". Começou na Jovem Pan em 2000, emissora onde também atuou como repórter internacional e aceitou, cinco anos depois, o desafio de atuar na recém inaugurada Bandnews FM. “Tive o prazer de co-apresentar programas com grandes cobras da profissão, como Carlos Nascimento, Mario Sergio Conti e, principalmente, Ricardo Boechat, meu querido amigo e professor com quem compartilhei o horário nobre desde 2006”, lembra.
Reprodução Megale em Nova York Para Megale, a Bandnews foi uma escola de grandes oportunidades, onde ele cobriu jogos olímpicos e várias eleições, entre elas a de Barack Obama, em 2008. Em agosto de 2011, veio o convite de ser correspondente em Nova York. Desde então, Megale trabalha para atender aos principais veículos do grupo. “A realização de um sonho”, como ele classifica.
À IMPRENSA, o jornalista conta como tem sido sua adaptação no país e sua rotina de trabalho. Megale também fala sobre a importância que os Estados Unidos ainda possuem na pauta do jornalismo internacional.
IMPRENSA - Já são praticamente seis meses em NY. Como tem sido a experiência? Luiz Megale - Socialmente a adaptação em Nova Iork é muito fácil, principalmente porque já passei por outras experiências de morar no exterior e não tive, portanto, problemas com a língua. Esta é uma das cidades - mesmo em crise - com melhor qualidade de vida no mundo e, pelo seu caráter cosmopolita, extremamente acolhedora. Tem sido uma experiência excelente até agora.
Você chegou ao país em um momento importante sob vários aspectos: crise, retirada de tropas do Iraque, prévias eleitorais... Sem falar em terremoto, furacão, nevasca fora de época, aniversario do 11 de setembro e morte de Steve Jobs. O correspondente nos EUA dificilmente poderá reclamar de falta de assunto, e os últimos seis meses foram bem agitados. Alguns colegas brincaram que eu tenho o pé frio. Eu acho o contrário: repórter que está onde a notícia acontece só pode ser pé quente.
Qual tem sido o desafio da cobertura nos EUA? Ele só aumenta dia após dia. É o de manter a cabeça no Brasil, mesmo vivendo aqui. Fazer o exercício diário de separar o que é relevante para o telespectador brasileiro, que é o meu consumidor de noticias, o verdadeiro interessado no que eu mando daqui. Eleição no Partido Republicano, por exemplo, eu só abordo quando há um fato de inegável importância jornalística. O surgimento de um novo favorito, a desistência de um dos candidatos, ou quando acontece uma gafe daquelas impagáveis.
Você é um correspondente multimídia, como funciona sua rotina de pautas e a dinâmica de produção para os diversos veículos que o Grupo possui? Estou disponível para todos os veículos do Grupo e produzo material, na medida do possível, para todos eles, periodicamente. Nas rádios Bandnews FM e Bandeirantes tenho quatro horários por dia, e normalmente consigo fechar uma matéria por dia para a Band. É uma agenda corrida, que me obriga a acordar as 4h15 da manha para ler todos os principais jornais e escolher os assuntos para as entradas das rádios. Tenho um apoio indispensável do pessoal no Brasil, que fica de olho no material de agências de notícias que podemos usar e sugere mudanças de rumo o tempo todo. Normalmente às 17h a matéria do “Jornal da Band”, que vai ao ar duas horas depois, já esta praticamente pronta.
Como funciona a interação de jornalistas brasileiros que estão em NY, vocês se conversam? Encontram-se? Existe essa interação? Como ainda sou "novo" na praça, encontro os colegas apenas em pautas comuns a todos. Mas em geral existe amizade entre a maioria dos repórteres aqui. É um grupo que se ajuda muito, embora na maior parte do tempo, cada um esteja pensando em fazer a melhor matéria, conseguir a melhor fonte, ter a visão mais apurada que o outro. Uma relação normal entre colegas da profissão.
Você acha que o interesse da imprensa brasileira pelos Estados Unidos pode diminuir na medida em que outras nações despontam como importantes pólos de informação? Acredito que não. O interesse em outros países vai crescer, como já esta crescendo, na China, em Israel ou em países latino-americanos que durante tanto tempo foram desprezados pelo noticiário brasileiro. Mas os Estados Unidos, embora não sejam os "senhores do mundo" como eram há uma década, ainda são uma referencia política, social e cultural, e continuarão sendo por muitos anos.
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Reprodução Megale em Nova York Para Megale, a Bandnews foi uma escola de grandes oportunidades, onde ele cobriu jogos olímpicos e várias eleições, entre elas a de Barack Obama, em 2008. Em agosto de 2011, veio o convite de ser correspondente em Nova York. Desde então, Megale trabalha para atender aos principais veículos do grupo. “A realização de um sonho”, como ele classifica.
À IMPRENSA, o jornalista conta como tem sido sua adaptação no país e sua rotina de trabalho. Megale também fala sobre a importância que os Estados Unidos ainda possuem na pauta do jornalismo internacional.
IMPRENSA - Já são praticamente seis meses em NY. Como tem sido a experiência? Luiz Megale - Socialmente a adaptação em Nova Iork é muito fácil, principalmente porque já passei por outras experiências de morar no exterior e não tive, portanto, problemas com a língua. Esta é uma das cidades - mesmo em crise - com melhor qualidade de vida no mundo e, pelo seu caráter cosmopolita, extremamente acolhedora. Tem sido uma experiência excelente até agora.
Você chegou ao país em um momento importante sob vários aspectos: crise, retirada de tropas do Iraque, prévias eleitorais... Sem falar em terremoto, furacão, nevasca fora de época, aniversario do 11 de setembro e morte de Steve Jobs. O correspondente nos EUA dificilmente poderá reclamar de falta de assunto, e os últimos seis meses foram bem agitados. Alguns colegas brincaram que eu tenho o pé frio. Eu acho o contrário: repórter que está onde a notícia acontece só pode ser pé quente.
Qual tem sido o desafio da cobertura nos EUA? Ele só aumenta dia após dia. É o de manter a cabeça no Brasil, mesmo vivendo aqui. Fazer o exercício diário de separar o que é relevante para o telespectador brasileiro, que é o meu consumidor de noticias, o verdadeiro interessado no que eu mando daqui. Eleição no Partido Republicano, por exemplo, eu só abordo quando há um fato de inegável importância jornalística. O surgimento de um novo favorito, a desistência de um dos candidatos, ou quando acontece uma gafe daquelas impagáveis.
Você é um correspondente multimídia, como funciona sua rotina de pautas e a dinâmica de produção para os diversos veículos que o Grupo possui? Estou disponível para todos os veículos do Grupo e produzo material, na medida do possível, para todos eles, periodicamente. Nas rádios Bandnews FM e Bandeirantes tenho quatro horários por dia, e normalmente consigo fechar uma matéria por dia para a Band. É uma agenda corrida, que me obriga a acordar as 4h15 da manha para ler todos os principais jornais e escolher os assuntos para as entradas das rádios. Tenho um apoio indispensável do pessoal no Brasil, que fica de olho no material de agências de notícias que podemos usar e sugere mudanças de rumo o tempo todo. Normalmente às 17h a matéria do “Jornal da Band”, que vai ao ar duas horas depois, já esta praticamente pronta.
Como funciona a interação de jornalistas brasileiros que estão em NY, vocês se conversam? Encontram-se? Existe essa interação? Como ainda sou "novo" na praça, encontro os colegas apenas em pautas comuns a todos. Mas em geral existe amizade entre a maioria dos repórteres aqui. É um grupo que se ajuda muito, embora na maior parte do tempo, cada um esteja pensando em fazer a melhor matéria, conseguir a melhor fonte, ter a visão mais apurada que o outro. Uma relação normal entre colegas da profissão.
Você acha que o interesse da imprensa brasileira pelos Estados Unidos pode diminuir na medida em que outras nações despontam como importantes pólos de informação? Acredito que não. O interesse em outros países vai crescer, como já esta crescendo, na China, em Israel ou em países latino-americanos que durante tanto tempo foram desprezados pelo noticiário brasileiro. Mas os Estados Unidos, embora não sejam os "senhores do mundo" como eram há uma década, ainda são uma referencia política, social e cultural, e continuarão sendo por muitos anos.
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