Correspondente do Guardian no Egito é forçada a deixar o país após reportagem sobre coronavírus

O jornal britânico Guaridan informou em sua edição desta quinta (26) que autoridades egípcias forçaram a jornalista Ruth Michaelson a deixaro país após a publicação de uma reportagem sobre um estudo científico afirmando que o Egito tem muito mais vítimas de coronavírus do que os números oficiais.

Atualizado em 26/03/2020 às 12:03, por Redação Portal IMPRENSA.


Com cidadania alemã, Michaelson mora no Egito e escreve sobre o país desde 2014. Ela foi avisada por diplomatas ocidentais na última semana que os serviços de segurança egípcios haviam determinado sua saída do país e que ela deveria se reunir com autoridades para falar sobre seu visto.
A reportagem que enfureceu o governo egípcio foi publicada no dia 15 de março, informando sobre um estudo de doenças infecciosas da Universidade de Toronto. Crédito:Reprodução The Guardian Com cidadania alemã, Ruth Michaelson morava no Egito desde 2014
A matéria também apresentou dados de saúde pública e depoimentos da população alertando que os casos de coronavírus no país estão sub dimensionados.
O estudo citado por Michaelson foi publicado no Lancet Infectious Diseases Journal.
No dia seguinte à publicação, ela foi chamada para uma reunião de três horas e meia com oficiais do país, incluindo o chefe do serviço nacional de informações, Diaa Rashwan. No encontro ela e outro jornalista (que havia apenas postado no Twitter a respeito do estudo) foram acusados de espalhar pânico.
Os oficiais exigiram que o Guardian se retratasse. O diário britânico não o fez, mas ofereceu espaço para que as autoridades egípcias publicassem uma carta rebatendo a reportagem ou o estudo canadense. A oferta não recebeu resposta.
No dia 17 de março, a credencial de imprensa da jornalista foi revogada. Após ser aconselhada por diplomatas britânicos e alemães, Michaelson deixou o país na sexta (19), tendo de enfrentar o caos do aeroporto de Cairo lotado de turistas que queriam deixar o país.