Coronel revela responsável pela morte de jornalista ligado ao SNI

O coronel da reserva do Exército, Paulo Malhães, revelou aos investigadores da Comissão Estadual da Verdade do Rio de Janeiro (CEV-RJ) que otambém coronel do Exército, Freddie Perdigão, conhecido como Dr.

Atualizado em 25/03/2014 às 11:03, por Redação Portal IMPRENSA.

Nagib no DOI-Codi, assassinou o jornalista Alexandre Von Baumgarten em 1982.
De acordo com O Estado de S. Paulo , Malhães já havia admitido sua participação em operações para fazer desaparecer corpos de presos políticos assassinados sob tortura na ditadura militar. Segundo ele, Perdigão, que morreu nos anos 1990, seguiu a embarcação onde Baumgarten estava, interceptou e matou o jornalista a tiros. O corpo foi jogado no mar e a treineira foi afundada.
Baumgarten, ligado ao Serviço Nacional de Informações (SNI), foi encontrado na praia da Barra da Tijuca, em 25 de outubro de 1982, dias após sair para pescar. A embarcação e os corpos de sua mulher, Jeanette Hansen, e do barqueiro Manoel Valente Pires, desapareceram.
O jornalista havia deixado com amigos um dossiê em que responsabilizava o então ministro-chefe do SNI, general Octávio Medeiros, e o chefe da Agência Central do órgão, general Newton Cruz, caso morresse. O documento foi revelado depois que o corpo apareceu. Apesar de ter sido denunciado à Justiça, Cruz foi absolvido por falta de provas.
A medida integrou a "Operação O Cruzeiro", tentativa do "serviço" de fazer uso de um título da revista do mesmo nome para criar uma corrente de opinião pública em benefício da ditadura. O jornalista conseguiu os direitos do título em 1979 e atuava à frente da revista por ordens do SNI, que extorquia publicidade para a publicação e arrecadava dinheiro diretamente. O novo "O Cruzeiro" não aguentou a falha editorial, e Baumgarten, sob ameaça, teve de vendê-lo.
O nome do coronel foi revelado após três horas de conversa, quando a equipe da CEV, que buscava mais informações sobre o destino dos restos mortais do ex-deputado Rubens Paiva, insistia em saber onde eram jogados os corpos dos presos mortos pela repressão.

Malhães esclareceu que era impossível enterrar, pois as chances de encontrar os cadáveres eram maiores. Ele ressaltou, no entanto, que apenas a Aeronáutica jogava as vítimas no mar. "O único corpo que jogaram no mar foi o Perdigão, foi uma cagada", disse.
Ele disse ainda que Perdigão e seus companheiros chegaram a pensar em simular um afogamento para encobrir o homicídio, o que não foi possível em virtude dos ferimentos a bala. Além disso, no Instituto Médico-Legal, agentes do SNI tentaram trocar o corpo do jornalista por outro, alterando a etiqueta de identificação, tentativa que também falhou.