“Coringa” da Record, Reinaldo Gottino acirra guerra por audiência nas manhãs
Uma emissora que se preze precisa ter seus coringas. Profissionais que, na ausência de grandes estrelas ou diante de situações imprevisíveis
, sabem dar conta do recado, transformar situações incógnitas em coberturas profissionais. Melhor ainda se garantirem boa audiência.
O jornalista Reinaldo Gottino é uma dessas peças-chaves da TV Record. Após iniciar a carreira nas rádios CBN e Globo, das organizações Globo – onde ficou por seis anos –, e de passar pelo esporte da TV Gazeta, em programas como "Gazeta Esportiva" e "Mesa Redonda", chegou à emissora paulista em 2005.
“Eles queriam uma pessoa que tivesse essa coisa do improviso e fizesse grandes coberturas. Então, cheguei para a reportagem e para os plantões”, explica. Gottino continua responsável pelos plantões do grande cardápio jornalístico do canal.
Já a capacidade de improviso vem fazendo dele um dos jornalistas mais versáteis da casa, onde já comandou “SP Record”, os primeiros programas do “Esporte Fantástico” e o “Record Notícias”. Também fez grandes reportagens para “Câmera Record” e “Domingo Espetacular”.
Há três semanas, Gottino está à frente da edição matutina do “Balanço Geral”. Mais uma vez, dando conta do recado. “Na semana passada, ficamos por vários momentos em primeiro lugar. Hoje, entregamos 7 a 6. Era o que a Record queria”. Confira a entrevista na íntegra:
IMPRENSA - Você é um dos jornalistas que mais trafega pelos jornalísticos da Record. Você se vê como um “coringa” da casa?
REINALDO GOTTINO - Fico muito feliz de existir esta percepção. Quando você me pergunta isso é algo que está meio no ar. Acho legal ter esta conotação, ter essa característica, porque a Record tem vários tipos de jornalísticos e eu já fiz quase todos. Só não fiz o "Jornal da Record".
A maioria dos apresentadores de jornalísticos mais dinâmicos ou de teor policial transmite sua indignação no ar. Passar indignação é fundamental para ter sucesso nesse formato?
Meu estilo de jornalismo é um pouco diferente de alguns apresentadores. Por exemplo, sou contra pena de morte. Quando tem uma situação de linchamento, sou contra também. Acho que a gente tem que pagar o mal com o bem. Não temos que fazer justiça com as próprias mãos. Embora eu tenha uma pegada forte de narração de imagem e em termos de opinião, sou um pouco diferente desses apresentadores que têm opiniões mais conservadoras.
Sua locução também é forte e enfática. Isso é fundamental?
Quando você fala de uma forma mais contundente, consegue chamar mais a atenção das pessoas de casa. Não vejo isso como uma coisa sensacionalista. Acho até que esse termo foi criado para tentar denegrir a imagem de outras emissoras. Uma emissora criou o termo sensacionalista para dizer: “Fazemos um bom jornalismo e as outras emissoras não fazem”. Não concordo com isso. Várias emissoras fazem bom jornalismo.
Ano passado, você socorreu no meio da reportagem um garoto que desmaiou após não ser atendido em um hospital. Qual foi o feedback da emissora em relação àquilo?
Foi uma reação espontânea. Eu acabei ficando indignado com tudo aquilo. Foi um absurdo porque a mãe chegou pra receber atendimento e não deram atendimento e o menino desmaiou ali. Eu tenho dois filhos. Nessa hora, esqueci o lado repórter um pouquinho e fui mais como cidadão. Deu uma repercussão enorme, pessoas ligando até de outros países. O assunto virou tema em universidade nos EUA sobre papel do repórter, e eu fiquei feliz de a TV Record ter colocado a matéria no ar como ela veio. E para falar a verdade, não recebi uma crítica. Só recebi elogios.
Há muito exagero na reportagem policial de hoje, como, por exemplo, pré-julgamento ou desrespeito do repórter ao acusado de algum crime?
Todos precisam ser respeitados, inclusive a pessoa que está sendo mostrada, seja na condição de vítima ou numa outra condição. Como jornalista, procuro comentar a notícia, o fato, e não comentar ou desmerecer pessoas. Estou há oito anos na Record. Semana passada, apresentei de manhã o "Balanço Geral" e depois o "Cidade Alerta". Fiquei mais de 40 horas no ar em uma semana. Estou oito anos na Record fazendo isso. Sabe quantos processos eu tenho? Nenhum. Nunca fui processado. Procuro fazer o bom jornalismo e respeitar as pessoas. Além disso, uma coisa que eu aprendi na faculdade, e que se intensificou com o Heródoto Barbeiro, foi o compromisso de ouvir o outro lado.
Como você vê seu futuro no jornalismo?
Hoje, apresento um programa. É um jornalismo pela manhã que eu gosto de fazer, com mais prestação de serviços, utiliidade pública. Eu falo de transito, de declaração de IR, de câncer de mama, gols da rodada. Ou seja, estou fazendo um jornal mais próximo do que a gente faz no rádio mesmo. E estou muito feliz. Na semana passada, ficamos em primeiro lugar em vários momentos. Hoje, a gente entregou 7 a 6. A gente abre a programação da Record, pega às 6h15, quando é 7h30 tem 6 ou 7 pontos de audiência. Era o que a Record queria.






