Contraponto às grandes invenções da humanidade
Contraponto às grandes invenções da humanidade
Nesta sexta-feira (08), milhões de pessoas em todo o mundo assistiram à cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos de Pequim. Era esperada uma festa grandiosa, o que se confirmou não só pelo alto investimento realizado (US$ 100 milhões), como pela quantidade de pessoas envolvidas em sua preparação. Só para se ter uma idéia, a contagem regressiva para o início da abertura teve a participação de exatos 2008 percussionistas.
Ficou claro que os chineses estavam orgulhosos do feito de abrigar os Jogos. Clara, também, a intenção de mostrar a todos a importância da China para os países ocidentais, através do destaque às invenções como a pólvora, o papel, a bússola e a escrita. Outro ponto inegável foi o esforço realizado para levar a público uma imagem diferente da real, no que diz respeito à coesão de um povo: a harmonia tanto falada e representada na belíssima festa de abertura não é, necessariamente, a realidade de quem vive e trabalha na China.
Há dias, um dos assuntos mais noticiados em relação às Olimpíadas - óbvio, desconsiderando a preparação dos atletas - é a censura imposta pelo governo aos veículos de comunicação, tanto locais, quanto estrangeiros.
Quando do anúncio da sede das Olimpíadas de 2008, o Comitê Olímpico Internacional (COI) firmou acordo com o governo chinês, que garantiu abertura à imprensa estrangeira, sem qualquer restrição, para a cobertura dos Jogos. O que se viu, no entanto, às vésperas da competição, foi uma série de acontecimento que depõem contra o pacto firmado pelo presidente da China, Hu Jintao.
Jornalistas japoneses espancados, sites censurados, em especial os considerados "perigosos" e "subversivos", como o da Anistia Internacional. Segundo a lei chinesa, não é permitido que a internet seja utilizada para a transmissão de informações consideradas ilegais. Ou seja, qualquer coisa que possa depor contra o desrespeito aos Direitos Humanos no país, por exemplo, não pode ser acessado.
O estranho é imaginar que um país que sempre pareceu tão à frente de seu tempo, responsável por criações inimagináveis, que só seriam entendidas e utilizadas séculos depois pelos países ocidentais, possa ser tão retrógrado em se tratando de liberdade de expressão.
Como um país em que há mais usuários de internet em todo o mundo, com mais de 253 milhões de internautas, ainda bloqueia sites, intimida jornalistas e restringe a liberdade de imprensa? Não deixa de ser contraditório: tanto orgulho das criações do passado e tanta dificuldade em se adaptar aos tempos presentes e rumar ao futuro.






