Conteúdo mais leve é aposta do jornalismo esportivo para os próximos anos

Jornalistas falam sobre tendência no jornalismo esportivo em apostar no humor para entregar conteúdos mais leves ao telespectador.

Atualizado em 13/06/2014 às 18:06, por Christh Lopes*.

O jornalismo esportivo vive dias de transição. Na área em que sempre foi comum tratar com seriedade todas as questões envolvendo o sentimento do torcedor, há inovações que apontam para um novo estilo de trabalhar o tema. Seguindo a tendência, especialistas do canal "Desimpedidos", do “Fala Sério”, do “Arena SBT” e do “Custe o Que Custar” abordam suas experiências e comentam as mudanças nos formatos do segmento.
Crédito:divulgação Campanha #VemIbra, do Desimpedidos, tenta convencer Ibrahimovic a vir ao Brasil Com um projeto para desenvolver conteúdos mais elaborados e com grade fixa definida para o serviço de vídeos Youtube, André Barros, consultor esportivo e sócio do canal "Desimpedidos", analisa as mudanças como uma adaptação a um fator crescente na demanda, caracterizado pela identificação com o que está para ser acompanhando, seja na TV, na Internet ou no rádio.
“Ninguém quer mais ouvir o discurso pronto ou quadrado, mas sim se sentir parte do contexto, vendo e ouvindo o conteúdo jornalístico ou de entretenimento da mesma maneira que ele conversa com os amigos no bar ou na pelada do final de semana. A forma que essa conversa se desenrola é com humor, 'zueiras', brincadeiras e provocações”, afirma o executivo.
Na avaliação do profissional, o humor ajuda a aproximar o público do esporte, sendo um “meio de tornar a conversa mais atraente e de maneira que seja melhor absorvida pela audiência”. Apostando na plataforma online, Barros acredita que o mundo digital está se fundindo com o analógico, uma vez que é difícil distinguí-los.

“Com a convergência dos dois mundos e a crescente audiência de vídeos online, entendemos que o papo da plataforma é essencial para levar informações e entretenimento para o grande público, que hoje tem uma demanda muito grande de conteúdo on demand ”. Consolidado na rede, o projeto, que visa gerar engajamento e disseminação de conteúdos sobre o esporte, supera as expectativas dos seus idealizadores.
Influência do rádio
Para falar a respeito da transição do jornalismo esportivo, o jornalista Thomaz Rafael ressalta a importância do rádio neste momento. “O maior exemplo disso é o ‘Globo Esporte’, que ficou muito mais leve depois que o Tiago Leifert começou a apresentá-lo e a editá-lo. Aquela coisa sisuda, mal humorada do esporte de comentarista bravo, falando sujo, está ultrapassado”, afirma.
Apresentador do “Galera Gol”, que conta com a presença de comediantes no estúdio da Rádio Transamérica FM, Thomaz diz sempre tentar ser bem humorado, “no sentido de fazer do esporte uma parte mais de entretenimento. Uma coisa é jornalismo político e econômico, outra é o esportivo. É totalmente diferente", diz.
Atualmente, o jornalista está à frente do “Arena SBT”, atração destinada a brincar com os assuntos do momento do esporte, mas diz ser apenas o mediador de uma mescla entre informação, opinião e humor, que o formato do programa proporciona. “A minha parte é mais voltada ao futebol. Posso brincar, claro, mas deixo a parte do humor para o Porpetone, para o ‘Gavião’, ou mesmo para o Smigol, que embora jornalista, é também humorista”.

Riscos
Na opinião do comentarista e apresentador dos canais ESPN, Alexandre Oliveira, é necessário sabedoria para evitar possíveis riscos com as brincadeiras no meio jornalístico. “Não deixa de ser perigoso e arriscado, porque tentar fazer graça e ser engraçado é bem difícil, algo que pode até cair no ridículo”. Em contrapartida, ele acredita que existe uma tendência positiva no âmbito do esporte, no qual haveria a tentativa de fazer “programas mais leves e não ficar com aquele ‘professoral’, como se as outras pessoas não entendessem principalmente de futebol”.

Neste caso, seria possível identificar uma demanda do telespectador por uma leveza nas informações transmitidas pelos meios de comunicação. Quando questionado a respeito, Alê Oliveira diz concordar com a análise e completa: “Você está pedindo para entrar na casa das pessoas e não pode fazer isso com um tom carrancudo, bravo, porque não é a visita que você quer para o seu lar. O cara chega do trabalho, cheio de problemas, e não quer esse clima pesado. Eu imagino assim”.

Atualmente, o jornalista está na bancada do “Fala Sério”, programa feito para a plataforma digital do site Espn. Com mais de 60 edições no ar, a atração brinca com momentos inusitados do esporte mundial, sob a visão do comentarista.
Esporte e entretenimento
Um dos únicos remanescentes da primeira temporada do “Custe o Que Custar”, o jornalista e repórter esportivo Felipe Andreoli aposta em uma nova linha para levar a informação de forma inovadora a um número maior de telespectadores. Em janeiro de 2013, ele se juntou com a Network Brasil, com André Barros, com o jogador Kaká e com a Spray Filmes para criar o canal "Desimpedidos", e diz estar muito feliz pelo momento vivido pela iniciativa.
“É muito bacana termos o trabalho reconhecido. O canal está passando por um amadurecimento de conteúdo também. A fórmula que estamos tentando criar é juntar um pouco do humor escrachado com entretenimento e informação. Nosso plano é conquistar uma base forte de fãs que sejam engajados e republiquem nossas informações”. Para o jornalista, um dos diferenciais do projeto é que eles podem usar recursos que na televisão não é permitido, como “ser mais escrachado, falar um palavrão, sacanear ou elogiar mais acintosamente um time, e por aí vai...”.
Sobre o momento do jornalismo esportivo, Andreoli avalia que todos seguem seus próprios estilos e seguem seus próprios caminhos, portanto, é necessário analisar caso por caso. “Acho que a Globo puxa muito tendências, e eles estão buscando algo mais leve, isso é claro. A Band sempre teve um estilo mais 'boleirão', mais discussão de bar. A nossa ideia é bem diferente de ambos. Algo mais escancarado pro humor, e sem deixar de lado as coisas bacanas do futebol, momentos incríveis, informações necessárias. Se não quiser ser sacaneado, entra em outro canal. Ou liga a TV”, avisa Andreoli sobre os "Desimpedidos".
Destaques do Fala Sério
Além de brincar com situações inusitadas do esporte, o "Fala Sério" dedica o final de cada programa a uma composição feita por Alê Oliveira para o grande personagem do esporte na semana da atração. “O Flamengo, por exemplo, foi o último homenageado do 'Fala Sério', porque realmente o Flamengo está em uma situação muito complicada, é o vice-lanterna do brasileiro...”. o vídeo.
Destaques dos Desimpedidos
O canal foi homenageado pela equipe do Criciúma no último jogo do Campeonato Brasileiro antes da paralisação dos jogos por conta da Copa, algo lembrado com carinho por Barros. “O Clube, os torcedores e a cidade abraçaram a nossa brincadeira e adotou o Desimpedidos como canal de divulgação para o Brasil colocando a nossa logo marca e a hashtag desimpedidos na camisa de jogo”. As boas relações dentro do futebol também auxiliaram o projeto na campanha para trazer o jogador sueco Zlatan Ibrahimovic para a Copa do Mundo.

Felipe Andreoli declara o sentimento de felicidade depois de conseguir o feito de receber uma resposta do craque. “Como estou adaptado ao meio televisivo, não imaginava a velocidade que isso poderia acontecer. Quando tive a ideia - de verdade - pensei muito mais numa homenagem a um craque que não vem pra Copa. Na mesma semana batemos mais de um milhão de views . E quem sabe essa homenagem não traz o Ibra mesmo... eu tenho até sonhado com isso...”.

Assista ao vídeo:

Destaques do “Arena SBT”
Com humor, o “Arena SBT” sempre convida uma personalidade para participar do programa, que apresenta uma característica bem humorada e irreverente sobre o mundo do esporte. De acordo com Thomas Rafael, os primeiros convocados para participarem da atração não sabiam da dinâmica que o formato oferece. “Tanto que muitas vezes ao final do programa o cara falava: poxa, não tinha ideia de que era assim. ‘É legal e bacana né?’ Mistura muita coisa... O convidado chega pronto para entrar na dança”, conta. Assista ao vídeo:

*Com supervisão de Gabriela Ferigato