Conteúdo de redes sociais contribui para cobertura jornalística em protestos

No mês de junho, o feed de notícias dos internautas refletiu a agitação que tomava conta das ruas. Enquanto manifestantes protestavam contrao aumento da tarifa do transporte público, inúmeras imagens e textos eram compartilhados na web.

Atualizado em 28/06/2013 às 18:06, por Edson Caldas*.


Crédito:Agência Brasil Imprensa acompanhou as redes sociais para fazer cobertura da manifestações
Diante dos protestos, o conteúdo das redes sociais foi essencial na cobertura realizada pelos veículos de comunicação. É o que apontam jornalistas que observaram de perto a atividade na web.
“Num primeiro lugar, o conteúdo compartilhado, como sempre, nos ajudou a medir a 'temperatura' dos fatos em vários pontos do país e as percepções de manifestantes”, descreve Nívia Carvalho, editora de Mídias Sociais de O Globo .
De acordo com Lino Bocchini, editor de mídia online da revista CartaCapital , neste momento “de evolução das redes sociais, da conscientização das pessoas e do próprio uso dos celulares, todo mundo é produtor de conteúdo”.
Para o jornalista, o material postado na internet foi “fundamental” na cobertura da imprensa. “A dificuldade é conseguir, no meio de toda essa oferta, transformar isso em uma narrativa, em um recorte que faça sentido.”
Espaço reservado
Com o objetivo de organizar e fazer uso do conteúdo compartilhado nas redes sociais, o diário Gazeta do Povo lançou a seção “Por que você protesta?” em seu site, onde leitores podem comentar as causas dos movimentos.
“A partir do que a gente viu nas ruas, cruzando com as nossas imagens e o que fomos acompanhando nas redes sociais, conseguimos montar um quadro com os principais assuntos”, diz a diretora de redação do jornal, Maria Sandra Gonçalves.
“Quando muitos assuntos entram em pauta, perde-se um pouco o foco, a riqueza do espaço de debate. Então, pensamos que nossa contribuição poderia ser dar o espaço para organizar melhor o debate”, afirma a jornalista. Na primeira semana, a página criada pelo periódico atingiu cerca de 50 mil views.
O britânico The Guardian adotou uma iniciativa semelhante e criou uma página colaborativa em seu site. Nela, os manifestantes podiam enviar fotos e relatos sobre os protestos no Brasil.
Tempo de mudanças
Com usuários fazendo imagens e reportando acontecimentos, é necessário, segundo os jornalistas, que os veículos se adaptem para não perder espaço.
“O momento agora é outro, tem espaço para tudo mundo, todos são geradores de informação. A imprensa tradicional que não entender isso está fadada a desaparecer”, enfatiza Lino Bocchini.
“[A imprensa] precisa entender esse momento e oferecer para os leitores uma edição disso tudo. Não é todo mundo que vai ter tempo ou paciência de ficar o dia inteiro navegando, buscando diferentes fontes para construir sua opinião. As pessoas vão precisar se ancorar em um veículo no qual elas confiam.”
Em junho, o site da CartaCapital registrou sua maior audiência. Bocchini atribui a marca à confiança do público no veículo.
“Não podemos abrir mão da prerrogativa de editar”, defende Maria Sandra Gonçalves. “Os jornais não podem fazer uma discussão autista, eles têm de dialogar a partir dos temas que estão na boca dos leitores, atender às preocupações, às demandas.”
Para Nívia Carvalho, o público e a mídia têm funções e papéis distintos. “Abrir espaço para a colaboração só nos aproxima da audiência.”

* Com supervisão de Vanessa Gonçalves