Contatos publicitários: quem são, como operam e o que se pensa deles
Contatos publicitários: quem são, como operam e o que se pensa deles
Não existiria a propaganda se não fossem os contatos publicitários. E vice-versa. Eles são a coluna vertebral das empresas de comunicação. Os fazedores de dinheiro. Justamente por isso, vivem sob pressão, sempre cercados de metas. Ganha bem quem vende bem e perde o emprego quem não tiver a mesma sorte.
A "categoria" dos contatos publicitários não pára de crescer. A profissão de vendedor de anúncio foi regulamentada pela Lei Federal nº. 4.680, de 18 de junho de 1965, a mesma que dispõe sobre o exercício da profissão de publicitário, e pelo Decreto nº. 57.690, de 1º de fevereiro de 1966, que regulamenta a execução da lei. Isso significa que, para exercer a profissão, é preciso obter o registro profissional junto ao Ministério do Trabalho. Nada mais justo.
O setor atrai principalmente candidatos com formação superior em administração, marketing, publicidade e até jornalismo. As vagas sempre exigem experiência e veículo próprio. O piso da categoria é de R$ 550 para empresas com até 50 funcionários e R$ 610 para as com mais de 50, segundo o Sindicato dos Publicitários, dos Agenciadores de Propaganda e dos Trabalhadores em Empresas de propaganda do Estado de São Paulo. Mas o salário pode ser ainda maior, dependendo da região, do porte da empresa e da lábia do vendedor.
Na prática, a teoria é outra. A grande maioria das empresas não paga o valor mínimo fixado em lei e os profissionais se sujeitam a trabalhar sem carteira assinada, o que empurra para baixo o salário. "Mas, se você setorizar, isso muda. Em rádio e tevê, ganha-se até R$ 10 mil ao mês, incluindo comissão. Nas agências, há quem ganhe R$ 15 mil, dependendo da conta que ele traz. Ou seja, ganha sobre o que a agência fatura. Já os contatos autônomos ficam dentro da faixa da categoria", explica o presidente do Sindicato, Benedito Antônio Marcello.
A maioria dos profissionais se concentra em São Paulo. O Sindicato calcula que só na capital existam, na ativa, 1.522 contatos, entre autônomos, empresas que produzem listas telefônicas e agências. "É impossível saber quantos existem em todo o Brasil. A base dos sindicatos da categoria é estadual", afirma Marcello.
Há 18 anos no ramo, Mariana Corrêa foi do departamento comercial do Grupo Estado antes de migrar para a revista especializada em gado leiteiro Balde Branco , única no setor. Não é exagero dizer que Mariana é o departamento Comercial. "Não importa o tamanho do veículo. O que importa é vender. A exigência aqui [na Balde Branco ] é até maior. E a correria é a mesma. Ficamos muito tempo na rua e pouco no escritório." Sua carteira tem cerca de dez mil potenciais clientes. Atualmente ela atende a 900 deles, em todo o país. "Lógico que a pressão é grande. Se não trouxer dinheiro, como fica? Contato não dorme perto do fechamento, só depois que a revista sai da gráfica."
Foi apenas em 1997 que os contatos receberam o merecido e definitivo reconhecimento do mundo da publicidade. O "Prêmio APP de Contribuição Profissional", que foi instituído naquele ano, passou a premiar o melhor "Profissional de Veículo" do ano. "O contato é uma categoria muito importante. É o elo entre agência, veículo e público. Essa interface é feita pelo profissional de veículo, ou seja, o contato. Ele é quem faz girar a roda do mercado da publicidade", diz o presidente da APP, Alceu Gandini. Segundo ele, o mercado sempre contou com profissionais reconhecidos por entidades de alta performance. "Talvez, antes, não houvesse premiação, mas reconhecimento sempre existiu."
Leia a matéria completa na edição 231 de IMPRENSA





