Consumidores pagarão pela besteira das montadoras
Consumidores pagarão pela besteira das montadoras
Atualizado em 21/10/2010 às 14:10, por
Wilson da Costa Bueno.
Muita gente já disse que esse país não é sério e é triste ter que concordar mais uma vez com essa avaliação. Pois não é que, agora, o Departamento Nacional de Trânsito (Denatran) decidiu anistiar a falta de qualidade e de responsabilidade das montadoras e avançar sobre os infelizes compradores de carro com defeito?
Isso mesmo. Quem comprou carro com defeito e não deu um jeito de consertá-lo terá problemas para vendê-lo. Mas quem garante que o consumidor foi informado corretamente? As montadoras têm como provar que ele foi contatado? Não vão querer nos convencer de que aquele anuncinho de um quarto de página nos jornais é suficiente para deixar todos os pobres compradores informados?
Temos, repetidamente, aqui mesmo no Portal Imprensa, reclamado do número abusivo de recalls das montadoras que, a cada mês e às vezes em período menor, comunicam que os seus carros estão com defeito e jogam (literalmente jogam) o problema no colo dos consumidores, sem que as autoridades (bota falta de autoridade nisso!) tomem providência alguma.
Recentemente, a GM avisou sobre o recall dos veículos Agile (problema na mangueira de combustível) e convocou os proprietários para resolver o problema. Mas o que aconteceu? Não havia peças disponíveis para a substituição e as vítimas da besteira da General Motors ficaram a ver navios, agora alarmados com um problema que pode ser gravíssimo (há risco de incêndio no motor, é pouco?). O problema foi resolvido? Quem pagou pela perda de tempo e a insegurança dos que acreditaram na GM?
O recall é um presente das autoridades (sem autoridade) para as fabricantes de automóveis porque, além do comunicado, elas pouco fazem para resolver os inconvenientes causados ao consumidor. Eles é que têm que providenciar o conserto do carro com defeito (haja defeitos, hein?), agendar com as concessionárias, perder tempo e até dia de trabalho, sem qualquer indenização.
É certo isso? Tenho vejo pequenos anúncios em jornais comunicando os defeitos de fabricação e acho que é isso apenas que as autoridades exigem de quem lesa o consumidor: fica barato para quem não sabe fazer produtos com qualidade e é um enorme incômodo para aqueles que acreditam nas campanhas publicitárias milionárias que exaltam as virtudes (algumas suspeitas) dos automóveis e ignoram os repetidos problemas de fabricação.
Enquanto isso, centenas de milhares de automóveis são despejados nas ruas todos os meses, poluindo as cidades (a gasolina suja da Petrobras ainda não melhorou, não é mesmo?) e engarrafando o trânsito, em virtude desta política pública que privilegia o transporte rodoviário individual em detrimento da qualidade de vida da população.
Não dá para ficar quieto e engolir sem mastigar uma tremenda falta de responsabilidade das montadoras (ainda não aprenderam a fazer carros?) e a falta de senso de justiça do Denatram. Reconheço que carros com defeito (que não foram fabricados pelos seus proprietários, vamos deixar claro) não devem andar circulando, mas não é o caso de punir quem anda pisando na bola há um bom tempo? O que o consumidor, enganado pelos fabricantes, tem a ver com isso? É ele quem deve pagar a fatura desta incompetência?
Dados, vamos aos dados. Só de janeiro a agosto de 2010, foram 30 recalls de carros, envolvendo mais de um milhão de automóveis. De 2008 para cá, tivemos mais de uma centena de convocações e quase 2 milhões de carros. É mole? Estimativas preliminares indicam que provavelmente cerca de 40% dos infelizes compradores de carros sem qualidade continuam carregando o problema, mesmo porque uma boa parte deles nem ficou sabendo que está sentado em um produto defeituoso e que a sua vida está em perigo.
Num país sério, com autoridades (piada de mau gosto) comprometidas com os direitos do consumidor, o problema seria corrigido lá em cima, na ponta inicial, junto àqueles que cobram caro (os nossos automóveis são uns dos mais caros do mundo!) para entregarem produtos sem qualquer qualidade.
O negócio é pegar esses empresários pelo colarinho, dar-lhes um formidável pontapé nos fundilhos e exigir que façam direito a lição de casa. Aliás, uma pergunta: os carros que são exportados pelas montadoras aqui instaladas também fazem recall por lá ou eles não vendem pros gringos automóveis sem defeito? A pergunta faz sentido porque o problema que o Fox, da Volks, tinha com o rebatimento do banco traseiro (mutilou vários brasileiros por aqui) não se repetia nos veículos que a fabricante colocava lá fora. A roda do Stilo, da Fiat, que se soltava em movimento, tinha outro projeto na Europa e assim por diante.
Fica evidente que o prejuízo ao consumidor acontece mesmo em nossa terra porque, como o Brasil não é sério e as autoridades (brincadeira, hein?) coniventes com a falta de qualidade, tudo pode. É o vale tudo do lesa-consumidor.
Seria melhor que o Governo, as autoridades em geral, revisassem os procedimentos para a produção e a comercialização de automóveis com defeito (é uma escândalo o que anda acontecendo!) e punissem exemplarmente empresários e empresas incompetentes. E que ficassem com o olho mais atento no que as montadoras andam fazendo para prejudicar os consumidores.
Quem leu a Folha de S. Paulo de 16 de outubro de 2010 (p.B10), ficou sabendo que o Ministério Público Federal pediu ao Cade a abertura de processo administrativo contra 11 montadoras e associações de distribuidores de veículos porque estariam dificultando a venda a consumidores não residentes na área operacional das concessionárias. Você acha que isso está certo, se confirmado? (alguém duvida?). Imaginou se a moda pega: você não pode comprar uma televisão no interior de São Paulo porque mora na capital, não pode comprar uma máquina fotográfica no Rio de Janeiro porque mora em Belo Horizonte e assim por diante. Por que só as montadoras (se é verdade que fazem e eu acredito mais no Ministério Público Federal do que nelas) podem impor estas condições abusivas?
Não é possível aceitar estes desmandos, estes desvios de conduta, esta falta de competência para fabricar automóveis. As autoridades deveriam mudar o foco, mas, ao que parece, elas estão comprometidas com o lobby formidável das montadoras.
Do jeito que a coisa anda, é melhor a gente se cuidar. E pensar que são as montadoras, e não nós, quando a crise aperta, que conseguem vantagens enormes, mamam vergonhosamente nas tetas oficiais, conseguem isenção ou redução de impostos, sacam uma grana preta do BNDES.
Não sei se o Brasil é sério (tenho minhas dúvidas também) mas não estou achando graça alguma no que o Denatram promete fazer. Que tal virar a metralhadora para os que cometem delitos (fabricar carros com defeitos é um delito de consumo) em vez de disparar contra os que são por eles enganados?
Montadoras é mesmo um bom termo para os fabricantes de automóveis. Elas montam mesmo (chegam a dar pulos) nas costas dos consumidores. E agora, ao que parece, o Denatran também quer pegar carona nesta brincadeira. Cuidado, com tanta incompetência em cima, uma hora a gente não vai agüentar.
Isso mesmo. Quem comprou carro com defeito e não deu um jeito de consertá-lo terá problemas para vendê-lo. Mas quem garante que o consumidor foi informado corretamente? As montadoras têm como provar que ele foi contatado? Não vão querer nos convencer de que aquele anuncinho de um quarto de página nos jornais é suficiente para deixar todos os pobres compradores informados?
Temos, repetidamente, aqui mesmo no Portal Imprensa, reclamado do número abusivo de recalls das montadoras que, a cada mês e às vezes em período menor, comunicam que os seus carros estão com defeito e jogam (literalmente jogam) o problema no colo dos consumidores, sem que as autoridades (bota falta de autoridade nisso!) tomem providência alguma.
Recentemente, a GM avisou sobre o recall dos veículos Agile (problema na mangueira de combustível) e convocou os proprietários para resolver o problema. Mas o que aconteceu? Não havia peças disponíveis para a substituição e as vítimas da besteira da General Motors ficaram a ver navios, agora alarmados com um problema que pode ser gravíssimo (há risco de incêndio no motor, é pouco?). O problema foi resolvido? Quem pagou pela perda de tempo e a insegurança dos que acreditaram na GM?
O recall é um presente das autoridades (sem autoridade) para as fabricantes de automóveis porque, além do comunicado, elas pouco fazem para resolver os inconvenientes causados ao consumidor. Eles é que têm que providenciar o conserto do carro com defeito (haja defeitos, hein?), agendar com as concessionárias, perder tempo e até dia de trabalho, sem qualquer indenização.
É certo isso? Tenho vejo pequenos anúncios em jornais comunicando os defeitos de fabricação e acho que é isso apenas que as autoridades exigem de quem lesa o consumidor: fica barato para quem não sabe fazer produtos com qualidade e é um enorme incômodo para aqueles que acreditam nas campanhas publicitárias milionárias que exaltam as virtudes (algumas suspeitas) dos automóveis e ignoram os repetidos problemas de fabricação.
Enquanto isso, centenas de milhares de automóveis são despejados nas ruas todos os meses, poluindo as cidades (a gasolina suja da Petrobras ainda não melhorou, não é mesmo?) e engarrafando o trânsito, em virtude desta política pública que privilegia o transporte rodoviário individual em detrimento da qualidade de vida da população.
Não dá para ficar quieto e engolir sem mastigar uma tremenda falta de responsabilidade das montadoras (ainda não aprenderam a fazer carros?) e a falta de senso de justiça do Denatram. Reconheço que carros com defeito (que não foram fabricados pelos seus proprietários, vamos deixar claro) não devem andar circulando, mas não é o caso de punir quem anda pisando na bola há um bom tempo? O que o consumidor, enganado pelos fabricantes, tem a ver com isso? É ele quem deve pagar a fatura desta incompetência?
Dados, vamos aos dados. Só de janeiro a agosto de 2010, foram 30 recalls de carros, envolvendo mais de um milhão de automóveis. De 2008 para cá, tivemos mais de uma centena de convocações e quase 2 milhões de carros. É mole? Estimativas preliminares indicam que provavelmente cerca de 40% dos infelizes compradores de carros sem qualidade continuam carregando o problema, mesmo porque uma boa parte deles nem ficou sabendo que está sentado em um produto defeituoso e que a sua vida está em perigo.
Num país sério, com autoridades (piada de mau gosto) comprometidas com os direitos do consumidor, o problema seria corrigido lá em cima, na ponta inicial, junto àqueles que cobram caro (os nossos automóveis são uns dos mais caros do mundo!) para entregarem produtos sem qualquer qualidade.
O negócio é pegar esses empresários pelo colarinho, dar-lhes um formidável pontapé nos fundilhos e exigir que façam direito a lição de casa. Aliás, uma pergunta: os carros que são exportados pelas montadoras aqui instaladas também fazem recall por lá ou eles não vendem pros gringos automóveis sem defeito? A pergunta faz sentido porque o problema que o Fox, da Volks, tinha com o rebatimento do banco traseiro (mutilou vários brasileiros por aqui) não se repetia nos veículos que a fabricante colocava lá fora. A roda do Stilo, da Fiat, que se soltava em movimento, tinha outro projeto na Europa e assim por diante.
Fica evidente que o prejuízo ao consumidor acontece mesmo em nossa terra porque, como o Brasil não é sério e as autoridades (brincadeira, hein?) coniventes com a falta de qualidade, tudo pode. É o vale tudo do lesa-consumidor.
Seria melhor que o Governo, as autoridades em geral, revisassem os procedimentos para a produção e a comercialização de automóveis com defeito (é uma escândalo o que anda acontecendo!) e punissem exemplarmente empresários e empresas incompetentes. E que ficassem com o olho mais atento no que as montadoras andam fazendo para prejudicar os consumidores.
Quem leu a Folha de S. Paulo de 16 de outubro de 2010 (p.B10), ficou sabendo que o Ministério Público Federal pediu ao Cade a abertura de processo administrativo contra 11 montadoras e associações de distribuidores de veículos porque estariam dificultando a venda a consumidores não residentes na área operacional das concessionárias. Você acha que isso está certo, se confirmado? (alguém duvida?). Imaginou se a moda pega: você não pode comprar uma televisão no interior de São Paulo porque mora na capital, não pode comprar uma máquina fotográfica no Rio de Janeiro porque mora em Belo Horizonte e assim por diante. Por que só as montadoras (se é verdade que fazem e eu acredito mais no Ministério Público Federal do que nelas) podem impor estas condições abusivas?
Não é possível aceitar estes desmandos, estes desvios de conduta, esta falta de competência para fabricar automóveis. As autoridades deveriam mudar o foco, mas, ao que parece, elas estão comprometidas com o lobby formidável das montadoras.
Do jeito que a coisa anda, é melhor a gente se cuidar. E pensar que são as montadoras, e não nós, quando a crise aperta, que conseguem vantagens enormes, mamam vergonhosamente nas tetas oficiais, conseguem isenção ou redução de impostos, sacam uma grana preta do BNDES.
Não sei se o Brasil é sério (tenho minhas dúvidas também) mas não estou achando graça alguma no que o Denatram promete fazer. Que tal virar a metralhadora para os que cometem delitos (fabricar carros com defeitos é um delito de consumo) em vez de disparar contra os que são por eles enganados?
Montadoras é mesmo um bom termo para os fabricantes de automóveis. Elas montam mesmo (chegam a dar pulos) nas costas dos consumidores. E agora, ao que parece, o Denatran também quer pegar carona nesta brincadeira. Cuidado, com tanta incompetência em cima, uma hora a gente não vai agüentar.






