Consórcio de jornalistas dá continuidade a investigação de repórter colombiano assassinado há um ano

Dedicado a prosseguir o trabalho investigativo de jornalistas mortos, assediados judicialmente ou ameaçados devido ao exercício profissional

Atualizado em 16/10/2023 às 16:10, por Redação Portal IMPRENSA.

, o consórcio de imprensa Forbidden Stories publicou hoje em diversos veículos de notícias do mundo, incluindo o jornal Folha de S. Paulo, uma reportagem de fôlego retomando a última apuração do repórter colombiano Rafael Moreno, cujo assassinato está completando um ano.
Sobre a extração ilegal de recursos naturais do rio San José de Uré, situado em Córdoba, no norte da Colômbia, a investigação é apontada como causa do assassinato do jornalista por um pistoleiro.
Além de investigar a pilhagem do rio, a matéria da Forbidden Stories foca nas eleições municipais de Puerto Libertador, cidade natal de Rafael. Realizadas este mês, elas têm como candidatos José Bula Moreno, jovem político colombiano que é sobrinho do jornalista assassinado, e Espedito Duque, que aos 57 anos concorre a um segundo mandato como prefeito da cidade. Crédito: Reprodução Forbidden Stories Peça de divulgação da apuração que reuniu 30 repórteres para prosseguir trabalho de jornalista Rafael Moreno Em sua campanha, Moreno honra o legado do tio, que trabalhava na região de Córdoba investigando corrupção e crimes ambientais. Um dos alvos de suas denúncias era justamente Espedito Duque.
Investigação estagnada

O trabalho do jornalista assassinato foi armazenado no Safebox Network, sistema projetado pela Forbidden Stories para proteger as informações de profissionais de imprensa ameaçados.
Realizada por 30 repórteres, a matéria da Forbidden Stories informa que a investigação do assassinato de Moreno está estagnada, sem nenhum preso até o momento, e que muitos dos jornalistas da região pararam de fazer reportagens investigativas por medo de retaliação.
O consórcio também descobriu um sistema de favorecimento na concessão de contratos públicos durante a gestão de Duque à frente da prefeitura de Puerto Libertador. Mesmo assim, nenhuma investigação oficial teria sido aberta contra o político.
A invetigação também mostrou que, além de Duque, o esquema de extração ilegal de recursos naturais do rio San José de Uré beneficia vários políticos na região de Córdoba.
A matéria também mostra que o território é controlado pelo "clã do Golfo", um dos grupos armados mais violentos da Colômbia, e que a extração ilegal de recursos do rio San José de Uré tem causado secas e desassoreamento, comprometendo a subsistência de agricultores e pescadores da região.