Conselho a jovens sonhadores

Conselho a jovens sonhadores

Atualizado em 08/04/2010 às 21:04, por Lucia Faria.

Pergunto a um jovem de 15 anos se ele tem noção de que carreira irá escolher no futuro. Evidentemente é cedo ainda, mas como é louco por esportes pensa em ser jornalista esportivo. Torço o nariz. Os pais, que presenciam a conversa, não entendem porque uma jornalista não o incentiva. Tento explicar.
Grande parte dos jovens que busca oportunidade em assessoria de imprensa não entrou na profissão com esse objetivo. A maioria nem imaginava, no começo, o que seria uma assessoria de comunicação. Muito menos de que bateria na porta de uma agência especializada em busca de emprego. Eles queriam mesmo é trabalhar em redação. E mais: em Esportes ou Cultura. Esse é o sonho. Como não há espaço para todos, o jeito é se ajustar ao chamado "mercado". Eu mesma, se não tivesse trabalhado em redação de jornal, seria extremamente frustrada na profissão. Era meu sonho. Enfrentei a dura realidade de baixos salários, excesso de trabalho, finais de semana comprometidos. Lembro de um 1º de janeiro em que deixei a família e subi a serra com o velho fusquinha branco para cobrir a posse do então prefeito Celso Daniel, de Santo André, que anos depois nos deixaria perplexos com sua morte abrupta. Na estrada, pneu furado e o choro incontido. Ninguém se engane: para aguentar o jornalismo diário é preciso abrir mão de muitas coisas.
Mas o que me preocupa nos jovens sonhadores que querem ser comentaristas esportivos, ou âncoras de TV, é que poucos entendem essa realidade. Não sabem como é estreito o funil e que outros caminhos lhes reserva o futuro. Tento explicar que, em primeiro lugar, é preciso abrir o olhar. Quer ser jornalista? Então diga se gosta de ler jornal - além daquele especializado em esportes. Responda qual o livro ou o filme devorou pela última vez. Peça para a escola chamar jornalistas para dar palestras para a turma, explicar como funciona o mercado atualmente, quais as oportunidades. Monte um grupo de colegas e vá visitar o jornal do seu bairro, da sua cidade. Informe-se, navegue com frequência pelo Portal Imprensa. Se depois de tudo isso, ainda optar pela profissão, então só me resta desejar uma coisa: sorte. Nem sempre é o talento que conta. Como em toda profissão, claro.