"Conseguir informações sobre saneamento básico no Brasil é o caos", diz José Borghetti, da ONU

"Conseguir informações sobre saneamento básico no Brasil é o caos", diz José Borghetti, da ONU

Atualizado em 17/03/2008 às 13:03, por Thaís Naldoni/Redação Portal IMPRENSA.

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Começou, na manhã desta segunda-feira (17/03), nas dependências do Hotel Jaraguá, em São Paulo (SP), o 5º fórum "Água em Pauta", realizado pela revista IMPRENSA, com patrocínio da Sabesp, Secretaria de Saneamento e Energia e do Governo do Estado de São Paulo.

Neste ano, seguindo o mote do "Dia Mundial da Água", que em 2008 dará enfoque ao Saneamento Básico, o fórum também discute o tema proposto pela organização das Nações Unidas (ONU), contando com a presença de teóricos e jornalistas, que visam debater e descobrir formas para a realização de uma cobertura eficiente em relação ao reuso da água, saneamento e economia.

A conferência de abertura do evento - mediada por Rodrigo Manzano, diretor editorial de IMPRENSA - foi realizada por José Borghetti, representante da ONU, que trouxe números e levantamentos sobre a situação hídrica do Brasil. Borghetti reconhece a importância do trabalho da imprensa e as dificuldades em realizar uma cobertura adequada do tema. "É o caos conseguir informações sobre saneamento exatamente porque o saneamento é um caos. Esse problema não aparece por falta de sensibilidade dos órgãos do governo e pela falta de cobrança da sociedade. Aí está a importância do papel da imprensa".

Ao dissertar sobre o tema proposto "2008: os desafios e a agenda do saneamento básico", Borghetti salientou que a ONU prevê que, no ano de 2050, mais de 45% da população mundial não poderá contar com a porção mínima de água necessária para suas necessidades básicas. "A ONU classifica a água como parte do direito humano à alimentação. À medida que a população cresce, os recursos hídricos continuam os mesmos".

Uso da água

Engana-se quem acredita que a maior parte da água disponível para consumo seja usada para abastecimento doméstico. Na China, por exemplo, 69% da água é usada para agricultura e pecuária, 21% no setor industrial e apenas 10% para abastecimento humano. "Deve-se salientar que 50% da água destinada à agricultura e pecuária é perdida. Por isso, há de melhorar os processos tecnológicos para o reuso", disse Borghetti.

O representante da ONU diz, ainda, que o caso da China, um grande produtor de alimentos mundial, junto de Índia e EUA, é mais delicado. "O mundo caminha para um déficit hídrico. Até 2025, em razão do crescimento populacional, terão que ser duplicados as produções de alimentos. Ou seja, logo a China, por exemplo, terá que decidir entre produzir alimentos e abastecer a população".

Água na mídia

Para Borghetti, a mídia tem a responsabilidade de mostrar para os cidadãos que a realidade é mais dura do que mostram as propagandas de TV, no dizem respeito às ações de Responsabilidade Social e Ambiental das empresas. "A mídia e o marketing nos ajuda a nos matarmos. É necessário cobrar das empresas que se vangloriam de fazer ações de Responsabilidade Social e Ambiental mais do que marketing, mas ações efetivas de economia, desenvolvimento de tecnologias e educação".

É uma declaração convincente quando estão na mesa dados como esse: em todo o mundo, 17,3% da população tem acesso à água potável e 43,1% não tem acesso ao saneamento básico. Enquanto isso, o mau uso da água é evidente. A Organização Mundial da Saúde (OMS) diz que cada habitante deve consumir cerca de 80 litros de água por dia. Enquanto isso, no Brasil, a média é de 119,3 litros, chegando ao pico em Nova York, onde cada habitante consome 2000 litros de água por dia, em média.

O 5º fórum "Água em Pauta" prossegue na tarde desta segunda-feira e na manhã da próxima terça (18/03) e recebe nomes como Neide Duarte (TV Globo), Marcelo Leite ( Folha de S.Paulo ), Ricardo Carvalho (Mercado Ético) e Alexandre Mansur (revista Época ), entre outros.

Para mais informações sobre o Fórum, .