Conheça a história de Um dos poucos jornalistas aptos a escrever sobre defesa
Quem folheia as reportagens escritas por Roberto Godoy nas páginas de O Estado de S. Paulo ou acompanha suas entrevistas e comentários em diversas mídias sobre assuntos militares pode imaginar que o jornalista seja um fissurado por peças que remetam à guerra ou mesmo um fã de navegação submarina ou qualquer coisa que remeta à indústria aeroespacial.
Atualizado em 01/06/2012 às 13:06, por
Luiz Gustavo Pacete.
Mas, ainda que verse sobre temas que vão da construção de caças a acordos militares como se conversasse com amigos, o repórter se considera apenas um especialista e está longe de ser um fanático pelo assunto fora da redação. Inclusive, corrige o erro recorrente a seu respeito. “Eu não cubro indústria bélica e sim a indústria de defesa.”
Pablo de Sousa
O início da especialidade tão rara na imprensa nacional aconteceu por um acaso e uma pauta. Foi pedido ao jornalista que traçasse um perfil da indústria de defesa do Brasil no momento em que o país vivia à sombra da ditadura militar. “Muitas pessoas pensam que eu já era louco pelo assunto, mas comecei a cobrir essa área muito mais por uma disciplina tática. Não vejo diferença de mim para um jornalista especialista em economia.” A pauta que ele cita foi sugerida por Miguel Jorge, então editor-chefe do Estadão, que lhe deu o desafio de vasculhar as empresas atuantes no ramo militar. O ano era 1979 e até então o assunto era tratado como tabu.
A dificuldade encontrada pelo jornalista era dupla. Primeiro pelo sigilo das informações relacionadas ao setor e segundo pelo fato de as assessorias se esforçarem para que nada fosse publicado. Na apuração, Godoy foi conquistando fontes importantes entre generais e pessoas com cargos estratégicos. “Como o governo estava estimulando a indústria de defesa, pediram-me para fazer esse perfil em um momento que, se qualquer coisa fosse citada a respeito nos jornais, o secretário de defesa tinha que dar explicações.”
Ele observa que essa era uma das formas que a ditadura usava para manter o assunto fora do alcance da imprensa. “Essa história só me faz ter certeza de que não basta ser um repórter competente. Na nossa profissão tem que ter é sorte.”
Leia a matéria completa na edição de junho (279) de IMPRENSA.






