Congresso internacional discute a utilização de mídias digitais em salas de aula

Congresso internacional discute a utilização de mídias digitais em salas de aula

Atualizado em 31/08/2009 às 18:08, por Luiz Gustavo Pacete/Redação Revista IMPRENSA.

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A Organização dos Estados Ibero-americanos (OIE), em parceria com as Fundações Telefônica e Santillana, promoveram, na última sexta-feira, 28, em São Paulo (SP), o congresso "A Tecnologia da Informação e da Comunicação (TIC) na Educação" para discutir a aplicação das mídias digitais em sala de aula. Profissionais e autoridades da área discutiram as melhores maneiras de utilizar e as tendências das ferramentas digitais. Foi revista a possibilidade de preparar melhor alunos e professores para interagirem e consumirem mídia, incentivando a produção de conteúdo para blogs, jornais, revistas e sites no formato multimídia.

Para Alvaro Marchesi, secretário geral da OIE, se as instituições souberem como usar as novas ferramentas e mídias digitais no ensino, alunos e professores serão beneficiados. Marchesi destaca que o perfil do estudante nos dias atuais é muito diferente e que ele deve ter sua criatividade explorada.

De acordo com César Coll, acadêmico da Universidade de Barcelona, as tecnologias digitais vão permear as relações humanas influenciando diretamente os hábitos sociais. "As TICS influenciam em como escrevemos, como nos comunicamos, viajamos e também nossa maneira de ensinar, a tendência é que isso seja cada vez mais latente." O estudioso afirma que o professor pode explorar a possibilidade de seus alunos estarem em contato com outras instituições, inclusive de outros países por meio de redes digitais.

A professora Frida Diaz, membro do Grupo de Consultores da OIE e da Universidade Autônoma do México, disse ao Portal IMPRENSA que o profissional da educação não está engajado somente em transmitir conhecimento, mas agora ele se posiciona como um facilitador. "O aluno mudou e o professor também tem que mudar, ele deve ter capacidade de mobilizar, colocar em prática seus recursos cognitivos, sociais e emocionais". No México, por exemplo, existem diversas ferramentas e formas de interação, mas ainda falta a utilização destes meios de forma criativa. A professora destaca que o aluno deve aprender não só a consumir informação, mas criticar a televisão e outros meios como jornais, revistas e internet. E ainda produzir por meio de um blog ou diversas outras ferramentas em rede como MSN, Twitter, Orkut e Facebook.


Realidade

Nas escolas municipais de São Paulo já existe a aplicação das TICS, mas ainda de forma experimental, com a finalidade de preparar melhor os professores para a utilização dos recursos de tecnologia. De acordo com Lia Lolito, da Secretaria de Educação da cidade de São Paulo, não é mais possível conviver em um sistema de ensino obsoleto. "Hoje temos escolas diferentes, alunos diferentes e o mesmo acontece com os professores", ela afirma que muito se discute a questão do aluno, mas que o foco deve estar no professor, pois ele que vai conduzir os alunos à melhor utilização das tecnologias. Atualmente na capital paulista existem cerca de 900 mil alunos, cada escola possui um laboratório com 21 computadores, ou seja, são cerca de 11 mil alunos monitores que auxiliam os professores em sala.

O futuro das tecnologias

Roberto Carneiro, professor da Universidade Católica Portuguesa, convidado a falar sobre o futuro das tecnologias de informação, defende que a sociedade caminha rumo à era do "Learning Utility", sistema de comunicação universal, pelo qual todos, independentemente de barreiras geográficas, possam ter acesso às informações. Isso se encaixa no conceito de Web 3.0, aquela em que o indivíduo vai utilizar a tecnologia não só para se informar e se socializar, mas para ser, conhecer, fazer e aprender a viver em comunidade.

Para Hugo Martinez, professor chileno certificado pelo New York Instituite of Techonology, existe um perigo a ser considerado quando um adolescente está em rede. Se os professores não souberem identificar isso logo no início, a experiência pode se tornar desastrosa. No entanto, por outro lado, Martinez diz que fazer uso de blogs, chats, redes de relacionamento, sites e outras ferramentas de interação nas salas de aula marcam o avanço nas atividades de ensino.

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