Confira a estrutura de imprensa planejada para a Copa das Confederações
A partir de 15 de junho, o Brasil recebe a 9ª edição da Copa das Confederações, torneio da Fifa que reúne os seis campeões continentais, o país-sede da Copa do Mundo e o atual campeão mundial.
Atualizado em 04/06/2013 às 10:06, por
Guilherme Sardas e Danúbia Paraizo.
É a estreia do país – três vezes campeão – como palco do torneio, que terá Espanha, Uruguai e Itália, além de Japão, México, Nigéria e Taiti.
Mais que o grande teste da seleção de Luiz Felipe Scolari, o torneio é visto como a primeira prova do país que, após 64 anos, encara o desafio de sediar o maior evento esportivo do planeta – a Copa de 2014 –, em uma era em que ser berço de um grande futebol já não basta. É fundamental ser exemplar em planejamento e gestão pública. Para o bem do evento e da imagem da nação.
Os números são astronômicos. Em vários níveis. Dos mais de 26 bilhões de reais estimados para a realização da Copa de 2014 – 85,5% dos cofres públicos –, cerca de 892 milhões de reais serão destinados ao funcionamento da estrutura de imprensa e mídia, compreendendo áreas como de tecnologia, segurança, transporte e equipe de voluntários.
“[Para chegar a este valor], devem ser consideradas as estruturas temporárias construídas para atender à grande demanda de imprensa na Copa das Confederações e na Copa do Mundo, que são de responsabilidade das sedes”, explica Castelo Branco, gerente de operações de imprensa do Comitê Organizador Local (COL), o braço governamental por trás das duas competições.
ALTAS PROMESSAS
Ainda que seja ínfima perto da Copa, a estrutura da Copa das Confederações não deixa de impressionar. O torneio, que será disputado em seis das 12 cidades-sede da Copa [veja boxes nas p. 36 e 37], credenciou dois mil profissionais de imprensa, de 64 países. Depois do Brasil, a maioria vem, em ordem decrescente, do Japão, México, Estados Unidos e Inglaterra.
Se o que o COL promete, de fato, sair do papel, os jornalistas terão uma experiência de primeiro mundo já neste mês de junho. Espaços de alimentação (pagos), serviços de reparos de câmeras, oferta de computadores com acesso à internet, balcão de informações, estacionamentos com média de 150 vagas e lockers (armários-cofres) compõem a lista. “Além disso, todas as coletivas terão tradução em português, inglês e nos idiomas dos dois times participantes”, diz Castelo Branco.
O comitê estima 190 profissionais, mais 60 voluntários, assessorando direta ou indiretamente os jornalistas. O quadro é otimista também em relação à internet, tema que, desde já, tem gerado dúvidas. É válido questionar se haverá ou não a tão falada conexão 4G nas dependências do estádio já na Copa das Confederações. A responsabilidade sobre o assunto – comunica o COL – é do Governo Federal.
No último dia 14 de maio, o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, disse que acredita que o sistema funcione já durante o evento, mas não 100%. “Foi feito um protocolo com a Fifa em que nós nos comprometemos a ter boas condições de telecomunicações nos estádios. E nós colocamos obrigações de ter as tecnologias 2G, 3G e 4G funcionando. Estamos fazendo em ritmo acelerado, mas alguns estádios não estão completamente prontos.”
O que o COL garante é que a internet será gratuita (com cabos e wireless) nos centros de imprensa e nos espaços da tribuna de imprensa – em geral, disponibilizados às emissoras de TV. Na sala de coletivas e na chamada zona mista, espaço entre o campo e os vestiários, também deve haver wireless. Fotógrafos devem ter ainda cabeamento de dados e pontos de energia para o campo de jogo, tribuna e centro de imprensa.
NEM TUDO É CONFETE
O cenário é promissor, mas pede-se cautela. E não se trata de qualquer pessimismo infundado, como o disseminado clichê “Imagina na Copa”. Os chamados eventos-teste da Copa das Confederações já sinalizaram alguns dos vícios e virtudes da estrutura.
No Maracanã, o primeiro aconteceu em 27 de abril: o amistoso entre amigos dos ex-jogadores Bebeto e Ronaldo. O segundo será Brasil e Inglaterra, em 2 de junho. Um terceiro, que seria no dia 15 de maio, foi cancelado pelo governo do estado do Rio de Janeiro por falta de acertos estruturais.
Jornalistas que cobriram o amistoso do Maracanã revelam mais dificuldades que facilidades. Primeiramente, a imprensa foi avisada antes da partida que não haveria tomadas para equipamentos como notebooks. “Além de o pessoal de TV precisar de tomada para câmera, não havia uma bancada para apoiar laptop. Todo mundo estava com laptop no colo”, relata Marcus Vinícius Pinto, editor executivo do Terra, no Rio.
Mas tomadas foram meros detalhes. Tanto o editor do Terra quanto o jornalista e comentarista dos canais ESPN, Lúcio Castro, contam que os profissionais da área ficaram confinados em uma sala de imprensa improvisada, sem autorização para trafegar livremente pelas dependências do estádio que abrirá e fechará a Copa das Confederações e o Mundial.
“Havia tapumes no Maracanã, provavelmente, porque tinha muita obra para fazer. E não pudemos ver nada. Com certeza, foi uma blindagem que confinou a imprensa. Como evento-teste, não foi legal, não”, comenta Castro. “A Dilma passou, o governador Sérgio Cabral passou, o prefeito Eduardo Paes passou e, praticamente, ninguém teve acesso. A imprensa ficou numa espécie de curral”, diz Vinícius.
Repórteres que estiveram nos eventos-teste da Arena Fonte Nova (Salvador) e Castelão (Fortaleza) relatam experiências, no geral, positivas. Segundo Daniel Dória, repórter de A Tarde, que cobriu o clássico entre Bahia e Vitória, do dia 28 de abril, o espaço das cadeiras destinadas à imprensa escrita foi adequado. “No primeiro jogo, era bem reduzido e misturado com o público. Neste segundo jogo, ficou bem melhor”. Dória destaca ainda uma sala de imprensa com bom tamanho e estrutura, como ar condicionado, computadores, cantinas, banheiros e auxiliares.
Marcos Montenegro, do GloboEsporte.com, de Fortaleza, presenciou algo similar. Apesar de a sala de imprensa do Castelão ter sido também improvisada na partida do último dia 15 de abril, ele salienta que havia tomadas para notebooks em número suficiente, além de cabines de imprensa confortáveis, climatizadas e espaçosas. Repórteres experimentaram boa velocidade de internet, mas nem todos. “O wireless funcionou somente no espaço das salas de imprensa, e o streaming, para acesso a rádios na internet, não funcionava”, pondera.
Em meio a um planejamento bilionário, grandes promessas e impressões nem sempre positivas, espera-se que os profissionais de imprensa tenham as condições adequadas para contar ao seu público o espetáculo e, quando necessário, apontar falhas do mais importante teste para a Copa.
REGRAS DE CREDENCIAMENTO
O credenciamento para a Copa das Confederações foi feito pela internet, durou quase dois meses e foi concluído em janeiro. A novidade é a diferenciação de credenciais para instalações específicas. A credencial é para acessar o centro de imprensa do estádio. A zona mista e a sala de coletiva pedem um dispositivo de acesso chamado SAD (Suplementary Access Device). Já para a tribuna de imprensa e posição de fotos no campo de jogo, são necessários ingressos, que não têm nenhum custo para os jornalistas. Os ingressos são distribuídos na seguinte ordem: para as principais agências internacionais, veículos dos países em confronto no jogo, veículos dos países participantes na competição, veículos de circulação nacional, veículos de imprensa regionais e demais. Pelos critérios da Fifa, blogueiros não são aceitos, e jornalistas freelancers devem comprovar vínculo com órgão de imprensa. Não credenciados podem ter acesso a todas as informações oficiais através do Fifa Media Channel, desde que cadastrados.
MAU SINAL
Nesse quesito, também os eventos-teste testaram muito pouco. No jogo-festa entre amigos de Ronaldo e Bebeto, no Maracanã, as experiências foram frustrantes. “Houve problema de cair energia e o sistema não voltar. Teve gente que esperou credencial por cinco horas”, comenta Lúcio Castro, da ESPN. Marcus Vinícius, editor do Terra, comenta ainda que o veículo só conseguiu as credenciais após três visitas ao estádio. “Não conseguiram dar conta de tantas credenciais.”

Mais que o grande teste da seleção de Luiz Felipe Scolari, o torneio é visto como a primeira prova do país que, após 64 anos, encara o desafio de sediar o maior evento esportivo do planeta – a Copa de 2014 –, em uma era em que ser berço de um grande futebol já não basta. É fundamental ser exemplar em planejamento e gestão pública. Para o bem do evento e da imagem da nação.
Os números são astronômicos. Em vários níveis. Dos mais de 26 bilhões de reais estimados para a realização da Copa de 2014 – 85,5% dos cofres públicos –, cerca de 892 milhões de reais serão destinados ao funcionamento da estrutura de imprensa e mídia, compreendendo áreas como de tecnologia, segurança, transporte e equipe de voluntários.
“[Para chegar a este valor], devem ser consideradas as estruturas temporárias construídas para atender à grande demanda de imprensa na Copa das Confederações e na Copa do Mundo, que são de responsabilidade das sedes”, explica Castelo Branco, gerente de operações de imprensa do Comitê Organizador Local (COL), o braço governamental por trás das duas competições.
ALTAS PROMESSAS
Ainda que seja ínfima perto da Copa, a estrutura da Copa das Confederações não deixa de impressionar. O torneio, que será disputado em seis das 12 cidades-sede da Copa [veja boxes nas p. 36 e 37], credenciou dois mil profissionais de imprensa, de 64 países. Depois do Brasil, a maioria vem, em ordem decrescente, do Japão, México, Estados Unidos e Inglaterra.
Se o que o COL promete, de fato, sair do papel, os jornalistas terão uma experiência de primeiro mundo já neste mês de junho. Espaços de alimentação (pagos), serviços de reparos de câmeras, oferta de computadores com acesso à internet, balcão de informações, estacionamentos com média de 150 vagas e lockers (armários-cofres) compõem a lista. “Além disso, todas as coletivas terão tradução em português, inglês e nos idiomas dos dois times participantes”, diz Castelo Branco.
O comitê estima 190 profissionais, mais 60 voluntários, assessorando direta ou indiretamente os jornalistas. O quadro é otimista também em relação à internet, tema que, desde já, tem gerado dúvidas. É válido questionar se haverá ou não a tão falada conexão 4G nas dependências do estádio já na Copa das Confederações. A responsabilidade sobre o assunto – comunica o COL – é do Governo Federal.
No último dia 14 de maio, o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, disse que acredita que o sistema funcione já durante o evento, mas não 100%. “Foi feito um protocolo com a Fifa em que nós nos comprometemos a ter boas condições de telecomunicações nos estádios. E nós colocamos obrigações de ter as tecnologias 2G, 3G e 4G funcionando. Estamos fazendo em ritmo acelerado, mas alguns estádios não estão completamente prontos.”
O que o COL garante é que a internet será gratuita (com cabos e wireless) nos centros de imprensa e nos espaços da tribuna de imprensa – em geral, disponibilizados às emissoras de TV. Na sala de coletivas e na chamada zona mista, espaço entre o campo e os vestiários, também deve haver wireless. Fotógrafos devem ter ainda cabeamento de dados e pontos de energia para o campo de jogo, tribuna e centro de imprensa.
NEM TUDO É CONFETE
O cenário é promissor, mas pede-se cautela. E não se trata de qualquer pessimismo infundado, como o disseminado clichê “Imagina na Copa”. Os chamados eventos-teste da Copa das Confederações já sinalizaram alguns dos vícios e virtudes da estrutura.
No Maracanã, o primeiro aconteceu em 27 de abril: o amistoso entre amigos dos ex-jogadores Bebeto e Ronaldo. O segundo será Brasil e Inglaterra, em 2 de junho. Um terceiro, que seria no dia 15 de maio, foi cancelado pelo governo do estado do Rio de Janeiro por falta de acertos estruturais.
Jornalistas que cobriram o amistoso do Maracanã revelam mais dificuldades que facilidades. Primeiramente, a imprensa foi avisada antes da partida que não haveria tomadas para equipamentos como notebooks. “Além de o pessoal de TV precisar de tomada para câmera, não havia uma bancada para apoiar laptop. Todo mundo estava com laptop no colo”, relata Marcus Vinícius Pinto, editor executivo do Terra, no Rio.
Mas tomadas foram meros detalhes. Tanto o editor do Terra quanto o jornalista e comentarista dos canais ESPN, Lúcio Castro, contam que os profissionais da área ficaram confinados em uma sala de imprensa improvisada, sem autorização para trafegar livremente pelas dependências do estádio que abrirá e fechará a Copa das Confederações e o Mundial.
“Havia tapumes no Maracanã, provavelmente, porque tinha muita obra para fazer. E não pudemos ver nada. Com certeza, foi uma blindagem que confinou a imprensa. Como evento-teste, não foi legal, não”, comenta Castro. “A Dilma passou, o governador Sérgio Cabral passou, o prefeito Eduardo Paes passou e, praticamente, ninguém teve acesso. A imprensa ficou numa espécie de curral”, diz Vinícius.
Repórteres que estiveram nos eventos-teste da Arena Fonte Nova (Salvador) e Castelão (Fortaleza) relatam experiências, no geral, positivas. Segundo Daniel Dória, repórter de A Tarde, que cobriu o clássico entre Bahia e Vitória, do dia 28 de abril, o espaço das cadeiras destinadas à imprensa escrita foi adequado. “No primeiro jogo, era bem reduzido e misturado com o público. Neste segundo jogo, ficou bem melhor”. Dória destaca ainda uma sala de imprensa com bom tamanho e estrutura, como ar condicionado, computadores, cantinas, banheiros e auxiliares.
Marcos Montenegro, do GloboEsporte.com, de Fortaleza, presenciou algo similar. Apesar de a sala de imprensa do Castelão ter sido também improvisada na partida do último dia 15 de abril, ele salienta que havia tomadas para notebooks em número suficiente, além de cabines de imprensa confortáveis, climatizadas e espaçosas. Repórteres experimentaram boa velocidade de internet, mas nem todos. “O wireless funcionou somente no espaço das salas de imprensa, e o streaming, para acesso a rádios na internet, não funcionava”, pondera.
Em meio a um planejamento bilionário, grandes promessas e impressões nem sempre positivas, espera-se que os profissionais de imprensa tenham as condições adequadas para contar ao seu público o espetáculo e, quando necessário, apontar falhas do mais importante teste para a Copa.
REGRAS DE CREDENCIAMENTO
O credenciamento para a Copa das Confederações foi feito pela internet, durou quase dois meses e foi concluído em janeiro. A novidade é a diferenciação de credenciais para instalações específicas. A credencial é para acessar o centro de imprensa do estádio. A zona mista e a sala de coletiva pedem um dispositivo de acesso chamado SAD (Suplementary Access Device). Já para a tribuna de imprensa e posição de fotos no campo de jogo, são necessários ingressos, que não têm nenhum custo para os jornalistas. Os ingressos são distribuídos na seguinte ordem: para as principais agências internacionais, veículos dos países em confronto no jogo, veículos dos países participantes na competição, veículos de circulação nacional, veículos de imprensa regionais e demais. Pelos critérios da Fifa, blogueiros não são aceitos, e jornalistas freelancers devem comprovar vínculo com órgão de imprensa. Não credenciados podem ter acesso a todas as informações oficiais através do Fifa Media Channel, desde que cadastrados.
MAU SINAL
Nesse quesito, também os eventos-teste testaram muito pouco. No jogo-festa entre amigos de Ronaldo e Bebeto, no Maracanã, as experiências foram frustrantes. “Houve problema de cair energia e o sistema não voltar. Teve gente que esperou credencial por cinco horas”, comenta Lúcio Castro, da ESPN. Marcus Vinícius, editor do Terra, comenta ainda que o veículo só conseguiu as credenciais após três visitas ao estádio. “Não conseguiram dar conta de tantas credenciais.”






