“Confio na imprensa brasileira, mas sei o desafio que ela enfrenta”, diz ministra do STF
Com a proximidade das eleições 2014, a ministra do Supremo Tribunal Federal (STF) Cármen Lúcia enfatiza que é impossível falar de democraciasem cogitar a liberdade de expressão.
Atualizado em 25/08/2014 às 17:08, por
Gabriela Ferigato.
Para ela, o Brasil está vivendo um período de transformação e o conceito “mídia” representa muita coisa atualmente. Com isso, é necessário que o próprio jornalista pense em novas maneiras de apresentar informações.
Crédito: Ministra Cármen Lúcia participou do workshop “Os Impactos da Legislação Eleitoral sobre os Meios de Comunicação” Organizado pela Associação Nacional de Editores de Revista (ANER) e pelo Instituto Palavra Aberta, a ministra participou do workshop “Os Impactos da Legislação Eleitoral sobre os Meios de Comunicação” nesta segunda-feira (25/8). Ela destacou que o brasileiro ainda não tem ideia de como se dá o processo eleitoral. Neste cenário, o profissional de imprensa vive um desafio ainda maior que demais profissionais.
“O Brasil vive várias humanidades no mesmo dia e no mesmo momento. Há pessoas que vivem em Roraima, por exemplo, que levam até três dias para chegar a um posto de saúde. Do outro lado, tem o empresário que ficou no engarrafamento aéreo porque vai trabalhar de helicóptero. E todos vão votar da mesma forma. Jornalista tem como obrigação prestar uma informação que seja para esses dois mundos”, pontuou.
Se em um passado remoto as pessoas buscavam a notícia na imprensa tradicional, hoje a informação chega para a população sem que a procurem. “Os meios mudaram. Há tanta informação na mesma hora que não temos tempo de fazer uma análise. A notícia vem 'hemorragicamente'”, ressaltou.
Segundo a ministra, a Constituição brasileira é bastante específica no que diz respeito à propaganda eleitoral no rádio e televisão, mas quando o documento foi elaborado, nem se cogitava outros meios. “Hoje pode-se fazer propaganda pelo Twitter. Não há como fazer controle das redes sociais. A falta de um marco regulatório pode criar um faroeste virtual, mas não há muito o que se fazer sobre isso neste momento”, disse.
Em 2013, por maioria de votos, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiu que manifestações políticas feitas por meio do Twitter não são passíveis de ser denunciadas como propaganda eleitoral antecipada. Na ocasião, a ministra Cármen Lúcia defendeu a liberação da propaganda pela rede social. Mesmo assim, ela ressalta que se vê coisas “da maior leviandade” na internet . “Como o STF é notícia, escrevem coisas que são inverossímeis. Eu aprendi a sobreviver a isso”.
De acordo com ela, o que pode ser considerado abusivo no jornalismo é o fato de profissionais se posicionarem sem base. “São as tais sondagens. Hoje o mundo se abriu mais. Jornais podem argumentar, existe o direito da crítica. Nós andamos muito com isso. A crítica é permanente”.
A ministra destacou que a construção do vínculo eleitoral, partindo da liberdade de informação, se constrói a partir da imagem e da palavra, mas que hoje a imagem domina esse universo. “Somos uma sociedade que vê e deixa de interpretar”, opinou.
Em julho, os bancos Santander e Goldman enviaram relatórios analisando o impacto das eleições na economia e suas consequências para os investimentos dos clientes. Em um documento, o Santander previu uma reversão da alta recente da Bolsa e aumentos dos juros mais longos caso a presidente Dilma Rousseff seja reeleita. A ministra comentou o fato.
“Uma empresa privada não vota. Como o STF ainda não chegou ao final do pronunciamento, ainda podemos encontrar esse tipo de situação. Mas quando chegar, lidaremos de outra forma. Acredito que em casos de financiamento de campanhas, por exemplo, deve existir um processo de transparência muito grande”.
Segundo ela, uma lei que pode provar uma mudança clara nesse cenário é a Lei de Acesso à Informação (LAI) que, em suas palavras, deve ser aplicada com mais rigor e extensão. “Confio na imprensa brasileira, mas sei que o desafio nesse processo é enorme”, finalizou.
Crédito: Ministra Cármen Lúcia participou do workshop “Os Impactos da Legislação Eleitoral sobre os Meios de Comunicação” Organizado pela Associação Nacional de Editores de Revista (ANER) e pelo Instituto Palavra Aberta, a ministra participou do workshop “Os Impactos da Legislação Eleitoral sobre os Meios de Comunicação” nesta segunda-feira (25/8). Ela destacou que o brasileiro ainda não tem ideia de como se dá o processo eleitoral. Neste cenário, o profissional de imprensa vive um desafio ainda maior que demais profissionais.
“O Brasil vive várias humanidades no mesmo dia e no mesmo momento. Há pessoas que vivem em Roraima, por exemplo, que levam até três dias para chegar a um posto de saúde. Do outro lado, tem o empresário que ficou no engarrafamento aéreo porque vai trabalhar de helicóptero. E todos vão votar da mesma forma. Jornalista tem como obrigação prestar uma informação que seja para esses dois mundos”, pontuou.
Se em um passado remoto as pessoas buscavam a notícia na imprensa tradicional, hoje a informação chega para a população sem que a procurem. “Os meios mudaram. Há tanta informação na mesma hora que não temos tempo de fazer uma análise. A notícia vem 'hemorragicamente'”, ressaltou.
Segundo a ministra, a Constituição brasileira é bastante específica no que diz respeito à propaganda eleitoral no rádio e televisão, mas quando o documento foi elaborado, nem se cogitava outros meios. “Hoje pode-se fazer propaganda pelo Twitter. Não há como fazer controle das redes sociais. A falta de um marco regulatório pode criar um faroeste virtual, mas não há muito o que se fazer sobre isso neste momento”, disse.
Em 2013, por maioria de votos, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiu que manifestações políticas feitas por meio do Twitter não são passíveis de ser denunciadas como propaganda eleitoral antecipada. Na ocasião, a ministra Cármen Lúcia defendeu a liberação da propaganda pela rede social. Mesmo assim, ela ressalta que se vê coisas “da maior leviandade” na internet . “Como o STF é notícia, escrevem coisas que são inverossímeis. Eu aprendi a sobreviver a isso”.
De acordo com ela, o que pode ser considerado abusivo no jornalismo é o fato de profissionais se posicionarem sem base. “São as tais sondagens. Hoje o mundo se abriu mais. Jornais podem argumentar, existe o direito da crítica. Nós andamos muito com isso. A crítica é permanente”.
A ministra destacou que a construção do vínculo eleitoral, partindo da liberdade de informação, se constrói a partir da imagem e da palavra, mas que hoje a imagem domina esse universo. “Somos uma sociedade que vê e deixa de interpretar”, opinou.
Em julho, os bancos Santander e Goldman enviaram relatórios analisando o impacto das eleições na economia e suas consequências para os investimentos dos clientes. Em um documento, o Santander previu uma reversão da alta recente da Bolsa e aumentos dos juros mais longos caso a presidente Dilma Rousseff seja reeleita. A ministra comentou o fato.
“Uma empresa privada não vota. Como o STF ainda não chegou ao final do pronunciamento, ainda podemos encontrar esse tipo de situação. Mas quando chegar, lidaremos de outra forma. Acredito que em casos de financiamento de campanhas, por exemplo, deve existir um processo de transparência muito grande”.
Segundo ela, uma lei que pode provar uma mudança clara nesse cenário é a Lei de Acesso à Informação (LAI) que, em suas palavras, deve ser aplicada com mais rigor e extensão. “Confio na imprensa brasileira, mas sei que o desafio nesse processo é enorme”, finalizou.





