Condenação de informante do site Wikileaks gera controvérsia nos EUA

Após julgado culpado em quase todas as acusações, o soldado Bradley Manning pode pegar mais de 130 anos de prisão. A decisão gera oposições.

Atualizado em 01/08/2013 às 10:08, por Redação Portal IMPRENSA.

Para alguns, ele é um exemplo de coragem. Para outros, um traidor da pátria.


Crédito:Divulgação Soldado pode ter pena de 130 anos por vazar documentos ao site


De acordo com o Terra, a decisão foi anunciada na última terça-feira (30/07) pela juíza Denise Lind. O soldado Bradley Manning foi considerado culpado em 19 das 21 acusações a que respondia. Porém, livrou-se da acusação de "ajudar o inimigo", que poderia levá-lo à prisão perpétua.


"Não havia dúvida de que Manning passou adiante documentos secretos", diz Larry Korb, assessor de segurança durante o governo Ronald Reagan. Ele questiona as alegações da promotoria de que as publicações teriam minado os esforços dos EUA na guerra contra o terror. "Dizer que a al-Qaeda não sabia que estávamos no seu encalço é ridículo. É claro que eles sabiam."


Mark Jacobsen, do German Marshall Fund, considera a acusação de "apoio ao inimigo" justificada e vê o julgamento de forma positiva. "A mensagem mais importante é a de que Manning foi considerado culpado em quase todas as outras acusações. Essa é uma mensagem clara para todos os que divulgam informações estritamente secretas, colocando em risco os Estados Unidos, seus aliados e aqueles que trabalham para eles."


Para o jornalista James Bamford, que ficou conhecido por seus livros sobre a criticada Agência Nacional de Segurança (NSA), o que Manning fez não justifica a acusação de "apoio ao inimigo". Mesmo que o soldado tenha divulgado uma grande quantidade de documentos, eles não eram, em sua opinião, relevantes do ponto de vista da segurança e a maioria deles nem poderia ser classificada como secreta pelo governo.


"O documento mais importante que vi, mostra como o governo Barack Obama, assim como o próprio Obama, mentiram para os americanos", afirma Bamford. "Os americanos usaram bombas de fragmentação em suas operações no Iêmen. Essas bombas são banidas em 109 países, devido a seu impacto devastador sobre civis. E quando veio à tona que elas mataram muitas mulheres e crianças em uma aldeia, Obama negou que os americanos tivessem algo a ver com o ocorrido”, disse.


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