Conar publica regras mais minuciosas para propaganda de bebidas alcoólicas

Conar publica regras mais minuciosas para propaganda de bebidas alcoólicas

Atualizado em 14/04/2008 às 17:04, por Ana Luiza Moulatlet/Redação Portal IMPRENSA.

Por

As novas regras do Conar (Conselho Nacional de Auto-Regulamentação Publicitária) para a propaganda de bebidas alcoólicas entraram em vigor na última quinta-feira (10). O órgão impõe limites à publicidade com impacto sobre a saúde humana desde 1978, e é a favor de limites éticos para propagandas de produtos como álcool, cigarros e alimentos.

Em 2003, as regras para propaganda de bebidas alcoólicas sofreram uma grande revisão, onde foram definidos alguns pontos, como não permitir que as propagandas sejam destinadas para menores de idade. Todo o apelo sensível às crianças, como uso de desenhos animados ou linguagens infantis, foi banido da publicidade.

Além disso, também foi vetado o estímulo ao consumo, sendo permitido enfatizar apenas a qualidade das marcas; o consumidor não deve ser incentivado a beber mais cerveja, mas sim a conhecer as marcas existentes e fazer sua opção. Reduziu-se também o uso de apelo erótico na publicidade das bebidas alcoólicas, e cláusulas em anúncios explicando os efeitos do álcool tornaram-se obrigatórias.

As regras que entraram em vigor na semana passada não trazem, de acordo com uma fonte do Conar, mudanças radicais como as de 2003. As de 2008 são minuciosas e pontuais. Por exemplo, a troca da denominação "erótico" para "sensual", mais sutil. Os hábitos de consumo mudam, e o que antes não era bem-vindo em relação à exposição do corpo feminino, agora também é aplicado ao corpo masculino, já que o número de mulheres que consomem bebidas alcoólicas aumenta a cada dia.

As frases de advertência também sofreram mudanças. Elas têm que ser mais explícitas e desvinculadas do conteúdo do anúncio, sendo, por exemplo, narradas com uma voz diferente da voz da propaganda. De acordo com a fonte, o Conar vai ser menos tolerante com qualquer possibilidade de exploração de erotismo, sinalizando uma postura mais rigorosa do Conselho de Ética.

As reivindicações são da sociedade, que continua pressionando para tornar a publicidade mais restrita. "A ética da sociedade muda, de 1978 para cá é bem diferente, e o Conar tem que corresponder a essas pressões. Há um movimento no Conselho em relação ao que a sociedade pede", afirmou a fonte.

O órgão tem o poder de tirar um filme do ar hoje em 6 horas. A reação dos anunciantes tem sido um processo extremanente tranqüilo, porque tudo já foi discutido previamente. As novas regras não significam que as agências estão desprevenidas. "Elas foram notificadas; tivemos diversas reuniões com agências, anunciantes e autoridades", segundo a fonte do Conar.

Se as novas regras não forem cumpridas, a punição pelo desrespeito é não permitir o anúncio. Não há atenuante para a publicidade que entrou no ar antes de 10 de abril, pois as regras não foram divulgadas para os anunciantes no dia anterior, mas no começo do mês de março.

Leia mais