Comunicadores são condenados à prisão por suposta blasfêmia no Paquistão

Entre os condenados, está uma polêmica atriz, uma apresentadora de um telejornal da região e o dono do maior grupo de comunicação do país.

Atualizado em 26/11/2014 às 18:11, por Redação Portal IMPRENSA.

Três comunicadores foram condenados a 26 de prisão por terem cometido uma suposta blasfêmia no Paquistão. A decisão foi divulgada por uma fonte oficial, que acompanhou o julgamento no Tribunal Superior de Gilgit-Baltistan. A sentença, publicada na última terça-feira (25/11), contesta um canal que veiculou uma música que fala sobre o casamento da filha do profeta Maomé.
Crédito:Divulgação Shakil-ur-Rahman, dono de grupo de comunicação no Paquistão, também foi condenado por blasfêmia
Segundo EFE, o programa de TV exibiu, em maio deste ano, a oficialização de compromisso de uma famosa atriz na região, considerada polêmica pela imprensa internacional. As imagens de Veena Malik e seu novo marido, Assad Bashir, consagrando a relação do casal, foi sonorizada por uma canção considerada como blasfêmia aos muçulmanos da região. A emissora também foi condenada.
A apresentadora Shaista Wahidi e o dono do maior grupo de comunicação do país Shakil-ur-Rahman foram incluídos no processo por suposta responsabilidade pelo conteúdo transmitido. Os quatro foram condenados a 26 anos de prisão, além do pagamento de uma multa de 1,3 milhões de rúpias paquistanesas (cerca de R$ 31,4 mil), conforme conta o porta-voz do tribunal, Saleem Qara.
O mandado de prisão, no entanto, ainda não foi efetuado. Os veículos de mídia que atuam no país especulam que os envolvidos, cujo paradeiro é desconhecido, estejam fora do país. Rahman, diretor executivo da Geo TV, foi denunciado e condenado por permitir a transmissão do programa. Malik, que trabalhou na indústria indiana de Bollywood, já foi protagonista de uma polêmica em 2011.
Após aceitar o convite de figurar na capa de versão indiana da revista FHM, ela apareceu sem roupas na foto da publicação e com uma tatuagem com as letras ISI, sigla do departamento de inteligência do país. Por sua vez, o canal passa por dificuldades desde que responsabilizou o órgão governamental por um ataque cometido contra uma jornalista da emissora em abril deste ano.
Depois da acusação, o órgão regular audiovisual suspendeu o canal por duas semanas. A decisão contra os comunicadores se baseia numa lei antiblasfêmia, que vigora na região desde a época colonial britânica. Na ocasião, foi produzida para prevenir conflitos religiosos, porém, com as várias reformas feitas pelo ditador Muhammad Zia ul Haq, nos anos 80, esta legislação se tornou abusiva.
Atualmente, é utilizada para desestabilizar minorias religiosas e estabelece penas de prisão e inclusive pena de morte, embora ninguém tenha sido executado por isso. Reformas que equilibram o dispositivo de lei foram barradas ao longo dos anos, devido à resistência de fundamentalistas islâmicos. Em 2011, por exemplo, o governador da província de Punyab, Salman Taseer, e o ministro cristão de Minorias, Shahbaz Bhatti, foram assassinados por pedirem mudanças na lei.