Comunicador chinês que reportou início da pandemia é solto após 3 anos de prisão

Preso por autoridades chinesas após documentar na internet a situação caótica na cidade de Wuhan no começo da pandemia, o comerciante Fang Bin foi libertado esta semana, após mais de três anos de detenção.

Atualizado em 04/05/2023 às 15:05, por Redação Portal IMPRENSA.

Sua prisão ocorreu enquanto as autoridades do país tentavam minimizar a gravidade da crise sanitária.
Segundo relato de um familiar de Fang à CNN dos EUA, durante a detenção o comerciante teve problemas de saúde e perdeu muito peso, pois comia e dormia aquém do necessário.
Suas postagens teriam irritado as autoridades ao contradizer o falso discurso da mídia estatal da China, segundo o qual o problema de saúde pública estava sob controle. Crédito: Reprodução CNN Comerciante de roupas, Fang Bin preencheu com postagens na internet vácuo de informações da imprensa estatal chinesa A cidade de Wuhan só foi isolada em 23 de janeiro de 2020, três semanas após o início do surto. Em um dos vídeo postados por Fang foi possível observar corredores do principal hospital de Wuhan lotados de pacientes e parentes desesperados. Em outro registro, ele contou os sacos de cadáveres empilhados em uma van. À épocas as imagens ganharam forte repercussão na China.
Médico e jornalista

Em um dos últimos vídeos antes de ser preso, Fang mostrou sua casa cercada por policiais e fez referência ao médico Li Wenliang e à jornalista Chen Qiushi. Ambos foram repreendidos pela polícia por compartilhar informações sobre o início da pandemia.
Oficialmente, o comerciante foi preso por “provocar brigas e problemas”. Tal acusação costuma ser usada para silenciar ativistas e críticos do governo.
A Ásia Human Rights Watch vinha pedindo a libertação de Fang e de outras pessoas detidas por compartilhar informações sobre o início da pandemia.
“Em vez de serem celebrados por seus esforços corajosos para expor o que aconteceu nos hospitais de Wuhan naqueles primeiros dias da pandemia, as autoridades do governo chinês simplesmente o fizeram desaparecer, em um esforço para silenciar aqueles que tentavam compartilhar informações críticas”, disse à CNN Elaine Pearson, diretora da organização.